AREsp 2713771 - DECISAO
Os embargos foram rejeitados porque o subscritor dos recursos não tinha procuração nos autos no momento da interposição e a procuração juntada posteriormente (datada de 19.8.2024) não supriu o vício, nos termos do art. 76 do CPC e da jurisprudência consolidada do STJ, que não admite mandato tácito; assim, não há...
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- Parties
- Embargante: PEDRASHOP MARMORES E GRANITOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 November 2024
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
- Outcome
- Rejeitados os Embargos de Declaração
- Legal Topics
- Procuração, Representação Processual, Mandato Tácito, Regularização De Vício De Representação, Incidência Da Súmula 115/stj
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Parties
PEDRASHOP MARMORES E GRANITOS LTDA
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão Sobre Embargos De Declaração
Legal Issues
- 1 regularização da representação processual após intimação
- 2 admissibilidade de mandato tácito no STJ
- 3 efeito de procuração datada posterior à interposição do recurso
Ratio Decidendi
Os embargos foram rejeitados porque o subscritor dos recursos não tinha procuração nos autos no momento da interposição e a procuração juntada posteriormente (datada de 19.8.2024) não supriu o vício, nos termos do art. 76 do CPC e da jurisprudência consolidada do STJ, que não admite mandato tácito; assim, não há omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada.
Court Disposition
Rejeitados os Embargos de Declaração
Orders
- Rejeito os Embargos de Declaração
- Advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa (art. 1.026, § 2º, do CPC)
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por PEDRASHOP MARMORES E GRANITOS LTDA à decisão de fls. 343/344, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: Ocorre que, concessa máxima vênia, Vossa Excelência não se atentou para o fato de que causídico Luciano Moral Lopes, que esta subscreve, está investido, desde o manejo dos embargos monitórios empresarial por mandato tácito, diga-se, mandato este devidamente convalidado pelo juízo de base e Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, tanto assim que quando da interposição da apelação e recurso especial, tais juízos recepcionaram e processaram os ditos recursos. Assim, juntada da procuração e atual contrato social da ora embargante vistos na fl. 333 e seguintes, em verdade, é precedida de mandato tácito, o que revela a correta existência da cadeia completa de procuração, fato não observado por este MM. Juízo, residindo, aqui, portanto, a omissão e contradição ora apontadas. Note-se, inclusive, que a validade do referido mandato tácito é tão inconteste e chancelada nos autos, que quando da interposição da apelação para o Tribunal do Justiça do Estado da Bahia, o patrono Luciano Moral Lopes passou substabelecimento para o advogado Danilo Valois Vilasboas que protocolou o apelo, sendo certo que o recurso foi recebido e julgado por aquele outro juízo, vide documentos ora anexos que, a despeito dos autos serem digitais, junta-se de forma apartada para fins de mais fácil visualização. Neste rumo, in casu, a parte ora embargante de fato subscreveu a outorga de mandato, mesmo que tácito, ao causídico Luciano Moral Lopes para o exercício de sua capacidade postulatória, em que foi juntado todos os seus documentos pessoais (atos constitutivos da empresa) e elementos correspondentes à lide, de modo que não há como inquinar a validade do instrumento outorgado. Neste esteira, por considerar, na essência, valido o instrumento de procuração outorgado pela parte ao seu advogado, entende-se que deve ser desconstituída a decisão ora embargada já que a embargante desde o início da sua atuação no processo sempre esteve amparada por seu causídico sendo certo que a juntada da nova procuração e atos constitutivos atuais da empresa apenas revela a continuidade da representação processual, não sendo, pois, necessária a data na nova procuração em momento anterior ou contemporâneo da interposição do agravo em tela, notadamente em, nome do princípio da primazia do julgamento do mérito, o que pede seja considerado por Vossa Excelência para fins de trânsito do recurso em debate (fls. 347/348). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Impende ressaltar que, em se tratando de procuração ao subscritor do Recurso Especial, ou ao subscritor do Agravo em Recurso Especial, a regular cadeia de representação deveria estar demonstrada no momento da apresentação dos referidos recursos, o que não aconteceu no caso concreto. Porém, o Código de Processo Civil abre a possibilidade de regularização posterior do vício de representação, nos termos do art. 76 do Código de Processo Civil. Diante dessa premissa, foi percebido, nesta Corte, que o subscritor do Agravo e do Recurso Especial, Dr. Luciano Moral Lopes, não tinha procuração nos autos, razão pela qual houve a intimação da parte embargante para que o referido vício fosse sanado (fl. 328). Apesar disso, mesmo tendo sido regularmente intimada para efetuar o saneamento, não houve a devida regularização da representação processual, porquanto o instrumento de mandato juntado à fl. 333 não pode ser aceito. Veja que o referido documento possui data posterior (19.8.2024) à da interposição do Recurso Especial que ocorreu em 23.1.2024 e do Agravo em Recurso Especial que ocorreu em 12.6.2024. Nesse sentido, os seguintes precedentes: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO SUBSCRITO POR ADVOGADO SEM PROCURAÇÃO NOS AUTOS. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL NÃO REGULARIZADA APÓS INTIMAÇÃO. SUBSTABELECIMENTO COM DATA POSTERIOR À DO PROTOCOLO DO RECURSO. VÍCIO NÃO SANADO. RECURSO INEXISTENTE. SÚMULA N. 115/STJ. .. 1. Interposto recurso impugnando decisão publicada na vigência do CPC/2015, e constatada a ausência de instrumento de mandato e respectiva cadeia de substabelecimentos outorgando poderes ao subscritor da petição dirigida à instância superior, a parte deverá ser intimada para regularizar a representação processual, nos termos dos arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC, sob pena de não conhecimento da insurgência, em conformidade com a Súmula n. 115/STJ. Precedentes. 2. Para fins de regularização da representação processual (arts. 76 e 932, parágrafo único, do CPC), a juntada de instrumento de mandato conferindo poderes ao advogado subscritor do recurso, emitido com data posterior à da interposição da insurgência, não tem o condão de suprir o vício. Recurso inexistente. Incidência da Súmula n. 115/STJ. Precedentes. 3. Na espécie, apresentado recurso especial sem a juntada da procuração e/ou cadeia completa de substabelecimento conferindo poderes ao respectivo subscritor, a defesa foi intimada para regularizar o vício de representação processual, no prazo de 5 dias. Não obstante a defesa, após intimação, tenha providenciado a juntada de substabelecimento, o instrumento de mandato em questão não teve o condão de suprir o vício de representação processual apontado, porquanto datado de 13/6/2023, de modo que os poderes nele consignados foram substabelecidos ao advogado subscritor do recurso especial somente em data posterior à interposição do recurso, que ocorreu em 14/2/2023. 4. .. 13. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 2.073.540/AL, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 8.9.2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PROCURAÇÃO DO ADVOGADO SUBSCRITOR DO APELO ESPECIAL E DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. INTIMAÇÃO PARA REGULARIZAÇÃO. FALHA NÃO SUPRIDA. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Interposto recurso por advogado sem procuração dos autos, dele não se pode conhecer, nos termos do art. 76, § 2º, I, c/c o art. 932, parágrafo único, do CPC/2015, na hipótese em que a parte recorrente, instada a regularizar a representação processual, não a promove no prazo que para tanto lhe foi assinado. Incidência da Súmula n. 115/STJ. 2. "Deixando a parte transcorrer o prazo sem que a representação processual seja regularizada, inviável o conhecimento do recurso (Súmula 115 do STJ)" (PET no AREsp 1.387.998/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 11/06/2019, DJe 17/06/2019). 3. A jurisprudência desta Corte perfilha entendimento no sentido de que para suprir eventual vício de representação processual não basta a juntada de procuração ou substabelecimento, é necessário que a outorga de poderes tenha sido efetuada em data anterior à da interposição do recurso. Precedentes. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.934.163/PR, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 4.11.2021.) Ainda: AgInt no AREsp n. 2.451.346/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 7.3.2024; AgInt no AREsp n. 2.444.891/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 28.2.2024; AgInt no AREsp n. 2.426.293/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 28.2.2024; AgRg no AREsp n. 2.455.628/SP, Rel. Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, DJe de 14.2.2024; AgRg no AREsp n. 2.124.434/GO, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 24.3.2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.778.050/ES, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 22.9.2021; e, EDcl no AgRg no AREsp n. 150.976/GO, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe de 8.3.2017. No mais, cabe consignar que esta Corte Superior possui entendimento de que "A prática de atos na instância de origem não supre o defeito de representação processual, uma vez que o Superior Tribunal de Justiça não admite mandato tácito" (AgInt no AREsp 731.409/SP, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 11.06.2018). É cediço, também, que o julgador não fica obrigado a manifestar-se sobre todas as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. (AREsp 1592147/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 31.8.2020; AgInt no AREsp 1639930/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 3.8.2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1342656/PR, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 7.5.2020.) Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso - obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. EMENTA