RHC 209841 - DECISAO
Negou‑se provimento ao recurso porque o acórdão do Tribunal de origem apresentou fundamentação concreta para a produção antecipada de provas (risco de perecimento da memória em razão do tempo decorrido e da natureza profissional das testemunhas policiais), não havendo ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, e...
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- Parties
- Impetrante/recorrente: FELLIPE THEYLER SANTOS; Órgão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Manifestante (improbimento): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Em Habeas Corpus / Decisão De Mérito Recurso Denegado (nego Provimento)
- Outcome
- recurso em habeas corpus negado provimento
- Legal Topics
- Produção Antecipada De Provas, Súmula 455/stj, Citação Por Edital, Suspensão Do Processo E Do Prazo Prescricional, Contraditório E Ampla Defesa
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Parties
FELLIPE THEYLER SANTOS
Impetrante/recorrente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Órgão Recorrido
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante (improbimento)
Procedural Posture
Recurso Em Habeas Corpus / Decisão De Mérito Recurso Denegado (nego Provimento)
Legal Issues
- 1 fundamentação da decisão que determina produção antecipada de provas
- 2 aplicação e temperamento da Súmula 455/STJ
- 3 suspensão do processo e do curso do prazo prescricional nos termos do art. 366 do CPP
Ratio Decidendi
Negou‑se provimento ao recurso porque o acórdão do Tribunal de origem apresentou fundamentação concreta para a produção antecipada de provas (risco de perecimento da memória em razão do tempo decorrido e da natureza profissional das testemunhas policiais), não havendo ofensa ao contraditório ou à ampla defesa, e porque a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional decorre do art. 366 do CPP.
Court Disposition
recurso em habeas corpus negado provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso em habeas corpus.
- Publique‑se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso em habeas corpus com pedido de liminar interposto por FELLIPE THEYLER SANTOS contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS. Consta dos autos que o recorrente foi denunciado pela prática em tese da conduta descrita no art. 121, § 2º, III e IV, do CP (contra a vítima Cassiano Zavon de Oliveira), art. 121, § 2º, IV, do CP (contra a vítima Heloísa Karla Silva) e art. 121, § 2º, IV, c/c o art. 14, II, do CP (contra a vítima Jonas Souza de Oliveira), e, não encontrado para citação pessoal, foi citado por edital. Determinada a produção antecipada de prova pelo Juízo de primeiro grau e impetrado habeas corpus no TJMG, foi mantida a decisão. Sustenta que não foi apresentada fundamentação adequada para a produção antecipada de provas, que deveria se basear no art. 225 do CPP, o que não ocorreu, em ofensa ao enunciado 455 da Súmula do STJ e aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Requer a reforma da decisão que determinou a produção antecipada de provas e a determinação de suspensão do feito. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo improvimento do recurso (fls. 569-575). É o relatório. Da leitura do acórdão, observa-se que foram expressamente indicados os motivos para a solução adotada pelo Tribunal de origem. No ponto (fls. 442-455): Sobre o tema, cabe destacar a Súmula nº 455 do Superior Tribunal de Justiça: "A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no art. 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo.". O Superior Tribunal de Justiça uniformizou entendimento, a fim de mitigar a aplicação da referida súmula, autorizando a produção antecipada de provas considerando a suscetibilidade da memória das testemunhas. .. Portanto, entendo evidenciada a necessidade da produção antecipada da prova oral, considerando que já transcorreu um bom tempo desde a data dos fatos investigados. A demora na coleta dos depoimentos pode culminar no esquecimento e perda da prova, justificando sua produção antecipadamente. A decisão não viola o contraditório e a ampla defesa, destacando-se que, conforme salientado pela Magistrada, nada impede que, retomado eventualmente o curso do processo com o comparecimento do réu, sejam produzidas provas que se julgarem úteis à defesa, não sendo vedada a repetição, se indispensável, da prova produzida antecipadamente. Assim, não há que se falar em constrangimento ilegal. De outro lado, necessária a suspensão do processo principal e do curso do prazo prescricional, nos termos do art. 366 do CPP, por ser consequência direta do esgotamento do prazo do edital. Oportuna a transcrição do artigo: Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art. 312. Da leitura do artigo verifica-se que a faculdade do magistrado é limitada à produção antecipada de provas e decretação da prisão preventiva. Tal discricionariedade não se estende à suspensão do processo e do curso do prazo prescricional, uma vez que o legislador empregou o verbo "ficarão". Como se observa, o acórdão impetrado está em consonância com a orientação jurisprudencial sedimentada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça de que "a fundamentação da decisão que determina a produção antecipada de provas pode limitar-se a destacar a probabilidade de que, não havendo outros meios de prova disponíveis, as testemunhas, pela natureza de sua atuação profissional, marcada pelo contato diário com fatos criminosos que apresentam semelhanças em sua dinâmica, devem ser ouvidas com a possível urgência" (RHC n. 64.086/DF, relator Ministro Nefi Cordeiro, relator p/ acórdão Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, DJe de 9/12/2016). Ausente ofensa ao art. 255 do CPP, tampouco ao quanto ao entendimento sedimentado no enunciado 455 da Súmula do STJ ou ao devido processo legal e seus corolários do contraditório e ampla defesa. Na mesma direção: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. LESÃO CORPORAL. AMEAÇA. VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. CITAÇÃO POR EDITAL. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. CONTEMPORIZAÇÃO DA SÚMULA 455 DO STJ. PRODUÇÃO DE PROVAS RESPALDADA PELO ORDENAMENTO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO PREJUÍZO. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não se verifica ilegalidade na decisão que autoriza a colheita antecipada da prova testemunhal, utilizando-se de fundamentos concretos, como a real possibilidade de perecimento da prova não apenas pelo decurso do tempo, mas também pela perda da qualidade da prova prestada, tratando-se policiais militares, com vivência de situações semelhantes no dia a dia dos agentes de segurança pública. 2. "O deferimento da realização da produção antecipada de provas não traz qualquer prejuízo para a defesa, já que, além do ato ser realizado na presença de defensor nomeado, caso o acusado compareça ao processo futuramente, poderá requerer a produção das provas que entender necessárias para a comprovação da tese defensiva." (AgRg no AREsp 1.454.029/GO, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, julgado em 28/5/2019, DJe 6/6/2019). 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no RHC n. 185.200/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 28/2/2024.) AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ARTS. 225 E 366, AMBOS DO CPP. SUSPENSÃO DO PROCESSO. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. SÚMULA 455/STJ. TEMPERAMENTO. RISCO DE PERECIMENTO DA PROVA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. Há situação excepcional a lastrear a necessidade de ouvida das testemunhas presenciais, pois os fatos praticados remontam à data de 15/1/2012, havendo o risco de que o decurso do tempo afete a memória das testemunhas, policiais que participaram dos detalhes relevantes do caso. Em hipóteses semelhantes, o Superior Tribunal de Justiça assentou entendimento no sentido da necessidade de se mitigar o rigor da Súmula 455/STJ, de modo que as testemunhas, cuja natureza da atividade profissional seja marcada pelo contato diário com fatos criminosos semelhantes, devem ser ouvidas com a máxima urgência possível. 2. A Terceira Seção desta Corte, por ocasião do julgamento do RHC 64.086/DF, assentou entendimento no sentido da necessidade de mitigar o rigor da Súmula 455/STJ, de modo que as testemunhas, cuja natureza da atividade profissional seja marcada pelo contato diário com fatos criminosos semelhantes, devem ser ouvidas com a máxima urgência possível. .. Na espécie, como visto, a produção antecipada de provas de fato se justifica pela urgência, já que no exercício de suas atividades laborais, por estarem constantemente sujeitas a crimes semelhantes, e pelo decurso do tempo, o depoimento das testemunhas poderia ser prejudicado pela dificuldade de preservação da memória quanto aos fatos pretéritos, fatos esses de extrema relevância para o esclarecimento do ocorrido (AgRg no AREsp n. 1.840.837/SP, Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), Quinta Turma, DJe 5/12/2022). 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp n. 2.001.576/GO, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 12/6/2023, DJe de 16/6/2023.) AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBRIAGUEZ AO VOLANTE. SUSPENSÃO DO PROCESSO. ART. 366 DO CPP. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. POSSIBILIDADE. TEMPERAMENTO DA SÚMULA N. 455 DO STJ. TESTEMUNHAS POLICIAIS. RISCO DE PERECIMENTO DAS PROVAS. URGÊNCIA DA MEDIDA EVIDENCIADA. ENTENDIMENTO DA TERCEIRA SEÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Nos termos do enunciado sumular n. 455 do Superior Tribunal de Justiça: "A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366 do CPP deve ser concretamente fundamentada, não a justificando unicamente o mero decurso do tempo". 2. Compreendeu a Terceira Seção desta Corte, nos autos do RHC n. 64.086/DF, DJe de 9/12//2016, que é justificável a antecipação de provas para a oitiva de testemunhas policiais, já que, nesse caso, o simples decurso do tempo traz efetivo risco de perecimento da prova testemunhal, por esquecimento, dada a natureza dessa atividade profissional, diariamente em contato com fatos delituosos semelhantes, devendo ser ouvidas com a máxima urgência possível. 3. Os fundamentos do acórdão que determinou a produção antecipada de provas revelam-se idôneos, tendo em vista a urgência da medida, consubstanciada na possibilidade do perecimento ou da fragilidade dos elementos de convicção, salientando a instância ordinária a necessidade da oitiva antecipada das testemunhas, seja em virtude do lapso temporal de cerca de quatro anos decorridos desde os fatos, seja em razão de as únicas testemunhas serem policiais militares; estando presente o efetivo risco de fuga do acusado do distrito da culpa e de esquecimento dos fatos pelas testemunhas, pela própria natureza do ofício de quem atua diariamente no combate à criminalidade, circunstâncias essas concretas que justificam a antecipação das provas, nos termos do art. 366 do CPP e do entendimento desta Corte Superior. 4. Ademais, conforme assentado pelo Superior Tribunal de Justiça, "a realização antecipada de provas não traz prejuízo ínsito à defesa, visto que, a par de o ato ser realizado na presença de defensor nomeado, nada impede que, retomado eventualmente o curso do processo com o comparecimento do réu, sejam produzidas provas que se julgarem úteis à defesa, não sendo vedada a repetição, se indispensável, da prova produzida antecipadamente" (RHC 64.086/DF, relator Ministro Nefi Cordeiro, relator p/ Acórdão Ministro Rogerio Schietti Cruz, Terceira Seção, julgado em 23/11/2016, DJe 9/12/2016). 5. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp n. 1.995.527/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 19/12/2022, DJe de 21/12/2022.) Não se reconhece, portanto, nenhuma ilegalidade no ato impugnado. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XVIII, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, nego provimento ao recurso em habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA