AREsp 1791474 - DECISAO
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque as razões recursais não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e porque o acolhimento das matérias necessitaria de reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além da falta de identidade...
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- Parties
- Agravante: IVAN DOMICIANO DE SOUZA; Recorrido: Seguradora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 February 2021
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
- Legal Topics
- Produção Antecipada De Provas, Honorários Advocatícios, Recurso Especial, Dissídio Jurisprudencial, Admissibilidade Recursal
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Parties
IVAN DOMICIANO DE SOUZA
Agravante
Seguradora
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Conheço Do Agravo Para Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial contra decisão sobre produção antecipada de provas
- 2 possibilidade de condenação em honorários sucumbenciais na hipótese de pretensão resistida no procedimento de produção antecipada de provas
- 3 configuração de dissídio jurisprudencial para fins da alínea c do art. 105, III, CF/88
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo para não conhecer do recurso especial porque as razões recursais não atacaram especificamente os fundamentos do acórdão recorrido (aplicação da Súmula 284/STF) e porque o acolhimento das matérias necessitaria de reexame do conjunto fático-probatório (Súmula 7/STJ), além da falta de identidade fática que impede o conhecimento pela alínea c do art. 105, III, da CF/88.
Court Disposition
Conheço do agravo para não conhecer do recurso especial.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo apresentado por IVAN DOMICIANO DE SOUZA contra a decisão que não admitiu seu recurso especial. O apelo nobre, fundamentado no artigo 105, inciso III, alíneas "a" e "c" da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: - Produção antecipada de provas - Procedimento que inadmite recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção de prova pleiteada - Disposição expressa do art. 382, § 4º, do CPC - Recurso não conhecido. Quanto à primeira controvérsia, alega violação do arts. 85, §8º e 86, parágrafo único, do CPC, sustentando que a resistência à pretensão impõe a condenação ao pagamento da verba honorária sucumbencial. Nesses termos, argumenta: Pelo princípio da causalidade, aquele que deu causa à propositura da demanda ou à instauração de incidente processual deve responder pelas despesas daí decorrentes. No caso em análise, houve pretensão resistida do recorrido, visto que a parte autora solicitou os documentos pretendidos na esfera administrativa e a Seguradora nada fez. É nítido que foi a ré/recorrido a causadora do ajuizamento dessa demanda. Esses documentos não são de fácil acesso, sem via judicial. Sabe-se que em todos os processos há um parecer médico ou é realizada perícia administrativa com médico da confiança da seguradora, então, qual o motivo da seguradora não entregar esse documento, parecer do médico. É direito da parte recorrente ter acesso a esses documentos, que não estão disponíveis no site ou qualquer outro meio; tentou a parte recorrente pedir o documento, a forma de cumprimento da solicitação era fácil, porém a ré nada fez, nada. (fls. 274). Em relação à segunda controvérsia, pela alínea "c" do permissivo constitucional, alega a existência de divergência quanto à imposição de honorários advocatícios sucumbenciais na hipótese de pretensão resistida. É, no essencial, o relatório. Decido. Sobre a primeira controvérsia, na espécie, o acórdão recorrido assim decidiu: .. Pois bem. No procedimento de produção antecipada de provas "não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário" (art. 382, § 4º, CPC). Não havia também necessidade de homologação, diante do que prevê o artigo 383 do CPC, mas tendo ela sido proferida, não se admite recurso a respeito, nos termos da norma processual antes transcrita. Inexistia também causa para a condenação da apelada ao pagamento das verbas de sucumbência, porque não há sucumbência, da qual se cuidará se, em decorrência do que for apurado pelos documentos, outra ação tiver de ser proposta. Inadmissível o recurso, não conheço do apelo. (fls. 235) Aplicável, portanto, o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que as razões recursais delineadas no especial estão dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado, tendo em vista que a parte recorrente não impugnou, de forma específica, os seus fundamentos, o que atrai a aplicação, por conseguinte, do referido enunciado: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse sentido, esta Corte Superior de Justiça já se manifestou na linha de que, "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal". (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no Resp 1.811.491/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 19/11/2019; AgInt no AREsp 1637445/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1647046/PR, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 27/8/2020; e AgRg nos EDcl no REsp n. 1.477.669/SC, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018. Ademais, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt no AREsp 1.679.153/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1/9/2020; AgInt no REsp 1.846.908/RJ, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, DJe de 31/8/2020; AgInt no AREsp 1.581.363/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 21/8/2020; e AgInt nos EDcl no REsp 1.848.786/SP, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 3/8/2020. Quanto à segunda controvérsia, na espécie, verifica-se que a pretensão da parte agravante é de ver reconhecida a existência de dissídio jurisprudencial, que tem por objeto a mesma questão aventada sob os auspícios da alínea "a", que, por sua vez, foi obstaculizada pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. Quando isso acontece, impõe-se o reconhecimento da inexistência de similitude fática entre os arestos confrontados, requisito indispensável ao conhecimento do recurso especial pela alínea "c". Nesse sentido: "A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a incidência da Súmula 7/STJ também impede o conhecimento do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional, uma vez que falta identidade fática entre os paradigmas apresentados e o acórdão recorrido". (AgInt no AREsp 1.402.598/RS, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 22/5/2019.) Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1.521.181/MT, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, DJe de 19/12/2019; AgInt no AgInt no REsp 1.731.585/SC, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, DJe de 26/9/2018; e AgInt no AREsp 1.149.255/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 13/4/2018. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Publique-se. Intimem-se.