AREsp 2877569 - DECISAO
O agravo não foi conhecido porque a agravante não refutou analiticamente e de forma específica os fundamentos de inadmissibilidade apontados pelo Tribunal de origem (violação ao princípio da dialeticidade) e porque o pedido implicaria reexame do acervo fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ,...
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- Parties
- Agravante: MARIA GRAZIA DRIUSSI KATZWINKEL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Inadmissibilidade
- Outcome
- Não conheço do reclamo (agravo).
- Legal Topics
- Produção Antecipada De Provas, Princípio Da Dialeticidade, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Reexame Do Acervo Fático Probatório
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Parties
MARIA GRAZIA DRIUSSI KATZWINKEL
Agravante
Procedural Posture
Agravo (art. 1.042 Do Cpc) / Decisão De Inadmissibilidade
Legal Issues
- 1 violação ao princípio da dialeticidade pela falta de impugnação específica dos fundamentos de inadmissibilidade
- 2 impedimento de reexame do conjunto fático-probatório em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 análise da necessidade de produção antecipada de provas em face da preservação de direitos sucessórios
Ratio Decidendi
O agravo não foi conhecido porque a agravante não refutou analiticamente e de forma específica os fundamentos de inadmissibilidade apontados pelo Tribunal de origem (violação ao princípio da dialeticidade) e porque o pedido implicaria reexame do acervo fático-probatório, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ, restando também demonstrada a incidência da Súmula 182/STJ pela ausência de impugnação específica.
Court Disposition
Não conheço do reclamo (agravo).
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo (art. 1.042 do CPC), interposto por MARIA GRAZIA DRIUSSI KATZWINKEL, contra decisão que não admitiu recurso especial, ante a aplicação das Súmulas 07 e 83 do STJ. Nas razões de agravo, a insurgente busca o destrancamento do reclamo. Contraminuta apresentada pelo agravado. É o relatório. Decido. O recurso não é admissível, por violação ao princípio da dialeticidade. 1. Observa-se das razões do agravo, que a parte recorrente não refutou analiticamente como lhe deveria o fundamento de inadmissão da decisão agravada. 1.1. A decisão de inadmissibilidade na origem pontuou expressamente que: Dessa forma, a parte pede a reforma do acórdão para que seja indeferido o processamento darecorrente produção antecipada de provas, alegando que a medida foi deferida sem a devida fundamentação e em desacordo com a legislação aplicável. Em contraste, a decisão recorrida manteve a produção antecipada de provas, considerando que os requisitos legais foram atendidos e que a medida era necessária para preservar direitos sucessórios. A controvérsia recursal, portanto, gira em torno da interpretação e aplicação dos requisitos legais para a produção antecipada de provas e da análise das questões de mérito apresentadas pela recorrente. Pois bem. Sendo essa a controvérsia estabelecida entre os litigantes, verifico que a alteração da conclusão alcançada pelo Colegiado recorrido implica na reanálise atenta dos atos processuais praticados e demais elementos de prova. A alteração dessa conclusão, em sede de recurso especial, necessariamente demandaria a revisão do acervo probatório, o que é vedado nesta espécie recursal pela Súmula nº 07/STJ. Sua fundamentação se deu pela leitura das razões de decidir do acórdão, proferido em sede de agravo de instrumento, ora recorrido: Na mesma linha de entendimento adotado pela Decisão Recorrida, embora o Agravante sustente que inexistem nos Autos qualquer embasamento fático e jurídico capaz de amparar seu requerimento de produção antecipada da prova, verifica-se que o Agravado demonstrou, de forma satisfatória, a plausibilidade do direito alegado, no que tange à necessidade de preservar eventual direito sucessório em decorrência da aparente transmissão disfarçada de bens a terceiros. (..) E, no caso, não há dúvidas que o decurso do tempo pode prejudicar a colheita da prova testemunhal, tendo em vista o justo receio de que as testemunhas, com idade avançada, fiquem impossibilitadas de prestar o depoimento mais tarde, pois "a ré Teresa já conta com quase 85 anos de idade e a testemunha Maria Driussi com mais de 83 anos de idade, o que por si só demonstra a necessidade de colher seus depoimentos tendo em vista não apenas a elevada idade, mas a importância do conhecimento dos fatos detido por elas". Assim sendo, as questões pertinentes ao futuro do processo em que será eventualmente utilizada a prova assegurada não podem ser objeto de cognição no procedimento em questão. Da simples leitura dos autos, observa-se que a convicção decisória foi firmada exclusivamente a partir da convicção judicial quanto ao caráter de urgência da colheita da prova oral. Logo, a aplicação da Súmula 07 do STJ foi correta e devidamente motivada. Nesse sentido, inclusive, é o posicionamento do STJ em casos idênticos: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. PROVA ORAL. DESNECESSIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO VERIFICADO. REEXAME DO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. SÚMULA N. 7 DO STJ. EDIDO DE ARBITRAMENTO DE ALUGUÉIS. DESPESAS DE MANUTENÇÃO. AERONAVE. POSSE EXERCIDA POR UM DOS CONDÔMINOS. NÃO INDICAÇÃO PRECISA DE DISPOSITIVO DE LEI VIOLADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O magistrado é o destinatário das provas, cabendo-lhe apreciar a necessidade de sua produção, sendo soberano para formar seu convencimento e decidir fundamentadamente, em atenção ao princípio da persuasão racional. 2. Não caracteriza cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide sem a produção das provas requeridas pela parte consideradas desnecessárias pelo juízo, desde que devidamente fundamentado. 3. Rever a convicção formada pelo tribunal de origem acerca da prescindibilidade de produção da prova oral requerida demandaria reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado em recurso especial, devido ao óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. A falta de expressa indicação e de demonstração de ofensa aos artigos de lei apontados ou de eventual divergência jurisprudencial inviabiliza o conhecimento do recurso especial, não bastando a mera menção a dispositivos legais ou a narrativa acerca da legislação federal, aplicando-se o disposto na Súmula n. 284 do STF. 5. Aplica-se a Súmula n. 284 do STF quando não for possível aferir de que maneira o acórdão impugnado violou os dispositivos de lei federal indicados no recurso especial. 6. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.644.907/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 4/11/2024, DJe de 6/11/2024.) O recurso almeja apenas o reexame de todo o caderno probatório da demanda, restando, portanto, dissociado da função uniformizadora do recurso especial, a atrair o teor da Súmula 7/STJ. Ressalte-se, ademais, que o recurso especial tem sido reiteradamente desrespeitado quanto à sua função uniformizadora, sendo utilizado como se fosse uma segunda apelação para viabilizar uma terceira revisão do caso individual, como aqui se tem. 1.2. Como já foi dito, o Tribunal de origem, em juízo de inadmissibilidade, pontuou expressamente que o recurso almeja apenas o reexame de todo o caderno probatório da demanda, restando, portanto, dissociado da função uniformizadora do recurso especial, a atrair o teor da Súmula 7/STJ. Todavia, nas razões do agravo, a parte insurgente repisou os argumentos do apelo extremo e sustentou - apenas com o argumento retórico da revaloração das provas - a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, deixando de atender a dialeticidade recursal. Massivamente o Superior Tribunal de Justiça tem sido abarrotado de demandas que distorcem a finalidade do recurso especial, em que a revisão casuística de fatos são ventilados com a roupagem de revaloração jurídica para viabilizar um nova reapreciação da lide individual. Não é possível dar guarida a essas pretensões. A propósito, com relação à Súmula 7/STJ, esta eg. Quarta Turma, nos autos do AGInt no ARESp n. 1.490.629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, DJe 25/08/2021, firmou o entendimento de que "a alegação genérica de que o tema discutido no recurso especial representa matéria de direito (incluídas aí as hipóteses de qualificação jurídica dos fatos e valoração jurídica das provas), e não fático-probatória, não é apta a impugnar, de modo específico, o fundamento da decisão atacada. Ao revés, deve a parte agravante refutar o citado óbice mediante a exposição da tese jurídica desenvolvida no recurso especial e a demonstração da adoção dos fatos tais quais postos nas instâncias ordinárias.". Eis a ementa do referido julgado: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. 1. À luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, compete à parte agravante, sob pena de não conhecimento do agravo em recurso especial, infirmar especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao reclamo. 2. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. 3. Esta Corte, ao interpretar o previsto no art. 932, parágrafo único, do CPC/2015 (o qual traz disposição similar ao § 3º do art. 1.029 do do mesmo Código de Ritos), firmou o entendimento de que este dispositivo só se aplica para os casos de regularização de vício estritamente formal, não se prestando para complementar a fundamentação de recurso já interposto. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1490629/SP, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 05/08/2021, DJe 25/08/2021) grifou-se 1.3. Tem-se, assim, que a recente jurisprudência desta Corte, à luz do princípio da dialeticidade, que norteia os recursos, é no sentido de que deve a parte recorrente impugnar especificamente o fundamento suficiente para manter o decisum recorrido, de maneira a demonstrar que o juízo de admissibilidade do Tribunal de origem merece ser modificado, ante a sua impropriedade, o que não se vislumbra no recurso em questão. Desta forma, irrefutável a incidência da Súmula 182 do STJ, porquanto inexistiu ataque específico a todos os fundamentos da decisão que obstou a ascensão do recurso especial ao Superior Tribunal de Justiça. 2. Ante o exposto, não conheço do reclamo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA