HC 948993 - DECISAO
O Tribunal entendeu que a alteração trazida pela Lei 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, constitui novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente aos fatos anteriores à sua vigência; ademais, a determinação de exame não pode fundamentar-se apenas na gravidade abstrata do crime, devendo apoiar-se em fatos ocorridos no curso da execução. Assim, anulou-se o acórdão impugnado e determinou-se ao juízo de primeiro grau que reexamine o pedido de progressão com base em elementos concretos da execução, afastando a aplicação retroativa do §1º do art.112 da LEP.
- Parties
- Paciente: ELVIS APARECIDO BENTO; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; concedo a ordem de ofício para anular o acórdão e determinar ao Juízo de primeiro grau que reexamine o pedido de progressão de regime sem aplicar retroativamente o §1º do art.112 da Lei de Execução Penal (Lei 14.843/2024).
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Novatio Legis in Pejus, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Súmula Vinculante 26, Súmula 439/stj
Case Brief
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Parties
ELVIS APARECIDO BENTO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Autoridade Coatora
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão
Legal Issues
- 1 legalidade da exigência de exame criminológico para progressão de regime
- 2 possibilidade de aplicação retroativa da Lei 14.843/2024 (novatio legis in pejus)
- 3 necessidade de fundamentação idônea para determinação do exame
Ratio Decidendi
O Tribunal entendeu que a alteração trazida pela Lei 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, constitui novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente aos fatos anteriores à sua vigência; ademais, a determinação de exame não pode fundamentar-se apenas na gravidade abstrata do crime, devendo apoiar-se em fatos ocorridos no curso da execução. Assim, anulou-se o acórdão impugnado e determinou-se ao juízo de primeiro grau que reexamine o pedido de progressão com base em elementos concretos da execução, afastando a aplicação retroativa do §1º do art.112 da LEP.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; concedo a ordem de ofício para anular o acórdão e determinar ao Juízo de primeiro grau que reexamine o pedido de progressão de regime sem aplicar retroativamente o §1º do art.112 da Lei de Execução Penal (Lei 14.843/2024).
Orders
- Anular o acórdão vergastado.
- Determinar ao Juízo de primeiro grau que aprecie o pleito de progressão de regime (requisitos objetivo e subjetivo) com base em fatos ocorridos no curso da execução.
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