HC 964207 - DECISAO
A alteração introduzida pela Lei n.14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para toda progressão de regime, configura novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente a fatos anteriores à sua vigência (ofendendo art.5º, XL, CF e art.2º do CP). Ademais, a determinação do exame pelo Tribunal de origem não apresentou fundamentação concreta e específica sobre comportamentos ocorridos na execução (limitou-se a gravidade abstrata e à reincidência), sendo tais fundamentos insuficientes. Verificada a flagrante ilegalidade, o Relator concedeu a ordem de ofício para cassar o acórdão e determinar que o Juízo das Execuções reavalie o pedido de progressão ao regime aberto...
- Parties
- Paciente: TIAGO GUEDES CAVALCANTE GIGLIO; Tribunal a Quo: Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Juízo De Execução: Juiz das Execuções Criminais
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 December 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática (não Conhecimento E Ordem Concedida De Ofício)
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus; contudo, ordem concedida de ofício para cassar o acórdão coator.
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Retroatividade De Norma Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus, Fundamentação Da Decisão
Case Brief
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Parties
TIAGO GUEDES CAVALCANTE GIGLIO
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Tribunal a Quo
Juiz das Execuções Criminais
Juízo De Execução
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática (não Conhecimento E Ordem Concedida De Ofício)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Lei n. 14.843/2024 a fatos anteriores à sua vigência
- 2 Obrigatoriedade e fundamentação para determinação de exame criminológico na execução penal
- 3 Valoração de reincidência e gravidade abstrata do delito na fase de execução
Ratio Decidendi
A alteração introduzida pela Lei n.14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para toda progressão de regime, configura novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente a fatos anteriores à sua vigência (ofendendo art.5º, XL, CF e art.2º do CP). Ademais, a determinação do exame pelo Tribunal de origem não apresentou fundamentação concreta e específica sobre comportamentos ocorridos na execução (limitou-se a gravidade abstrata e à reincidência), sendo tais fundamentos insuficientes. Verificada a flagrante ilegalidade, o Relator concedeu a ordem de ofício para cassar o acórdão e determinar que o Juízo das Execuções reavalie o pedido de progressão ao regime aberto...
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus; contudo, ordem concedida de ofício para cassar o acórdão coator.
Orders
- Não conheço do presente habeas corpus.
- Concedo a ordem de ofício para cassar o acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.
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