HC 983584 - DECISAO
Confrontada a literalidade do § 1º do art. 112 da Lei de Execução Penal, dada pela Lei n. 14.843/2024, com a jurisprudência desta Corte, concluiu-se que a alteração introduzida configura novatio legis in pejus e, em regra, não pode ser aplicada retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vigência; ademais, a ordenação de exame criminológico somente é legítima quando fundamentada por elementos concretos ocorridos durante a execução da pena. No caso concreto, o acórdão do Tribunal de origem determinou a realização do exame com base na nova redação legal sem indicar elementos concretos da execução a justificar tal medida, configurando flagrante ilegalidade. Assim, concedeu-se a ordem de...
- Parties
- Impetrante: Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina; Paciente: TIAGO MARIANO DE BARROS; Órgão Prolator Do Acórdão: Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina; Recorrente/impugnante No Agravo Em Execução Penal: Ministério Público estadual
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática (concessão De Ordem De Ofício)
- Outcome
- Ordem concedida de ofício
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus, Súmula 439/stj, Tempus Regit Actum
Case Brief
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Parties
Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina
Impetrante
TIAGO MARIANO DE BARROS
Paciente
Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina
Órgão Prolator Do Acórdão
Ministério Público estadual
Recorrente/impugnante No Agravo Em Execução Penal
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática (concessão De Ordem De Ofício)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade temporal da Lei n. 14.843/2024 à progressão de regime
- 2 Natureza da norma (material versus processual) e princípio da irretroatividade da lei penal mais gravosa
- 3 Necessidade de fundamentação concreta para determinar exame criminológico na execução penal
Ratio Decidendi
Confrontada a literalidade do § 1º do art. 112 da Lei de Execução Penal, dada pela Lei n. 14.843/2024, com a jurisprudência desta Corte, concluiu-se que a alteração introduzida configura novatio legis in pejus e, em regra, não pode ser aplicada retroativamente a fatos ocorridos antes de sua vigência; ademais, a ordenação de exame criminológico somente é legítima quando fundamentada por elementos concretos ocorridos durante a execução da pena. No caso concreto, o acórdão do Tribunal de origem determinou a realização do exame com base na nova redação legal sem indicar elementos concretos da execução a justificar tal medida, configurando flagrante ilegalidade. Assim, concedeu-se a ordem de...
Court Disposition
Ordem concedida de ofício
Orders
- Determinar que o Juízo das Execuções Criminais promova nova análise, com brevidade, do pedido de progressão de regime prisional do sentenciado com base em elementos concretos ocorridos durante a execução, sem a necessidade de realização de exame criminológico.
- Comunique-se a decisão ao Juízo a quo e ao Tribunal coator com urgência.
Full Case Text
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