HC 1085435 - DECISAO
O STJ concluiu que a Corte Estadual condicionou a progressão de regime à realização de exame criminológico com fundamentação insuficiente, baseada apenas na gravidade abstrata do delito e na longa pena a cumprir, fundamentos que, segundo a jurisprudência do STJ, não são idôneos para impor o exame. Ademais, a previsão legal da Lei n. 14.843/2024 que tornou obrigatório o exame constitui novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente às condenações anteriores à sua vigência. Diante da flagrante ilegalidade e da insuficiência da fundamentação, concedeu-se a ordem para reestabelecer a decisão de primeiro grau que deferiu a progressão ao regime semiaberto.
- Parties
- Paciente: ISRAEL MARTINS DA ROSA RODRIGUES; Agravante: MINISTÉRIO PÚBLICO; Órgão Julgador: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 April 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão (concessão Da Ordem Pelo Stj)
- Outcome
- Ordem concedida para reestabelecer a decisão do Juízo de primeiro grau que deferiu a progressão do paciente ao regime semiaberto.
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Retroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus, Fundamentação Da Execução Penal
Case Brief
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Parties
ISRAEL MARTINS DA ROSA RODRIGUES
Paciente
MINISTÉRIO PÚBLICO
Agravante
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Órgão Julgador
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão (concessão Da Ordem Pelo Stj)
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa da Lei n. 14.843/2024 (exame criminológico obrigatório) a execuções em curso
- 2 Possibilidade de determinar exame criminológico com base na gravidade abstrata do delito ou na longa pena a cumprir
- 3 Necessidade de fundamentação concreta para exigir exame criminológico na execução penal
Ratio Decidendi
O STJ concluiu que a Corte Estadual condicionou a progressão de regime à realização de exame criminológico com fundamentação insuficiente, baseada apenas na gravidade abstrata do delito e na longa pena a cumprir, fundamentos que, segundo a jurisprudência do STJ, não são idôneos para impor o exame. Ademais, a previsão legal da Lei n. 14.843/2024 que tornou obrigatório o exame constitui novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente às condenações anteriores à sua vigência. Diante da flagrante ilegalidade e da insuficiência da fundamentação, concedeu-se a ordem para reestabelecer a decisão de primeiro grau que deferiu a progressão ao regime semiaberto.
Court Disposition
Ordem concedida para reestabelecer a decisão do Juízo de primeiro grau que deferiu a progressão do paciente ao regime semiaberto.
Orders
- Não conheço do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; contudo, concedo a ordem de habeas corpus, de ofício, para reestabelecer a decisão do Juízo de primeiro grau que deferiu a progressão do paciente ao regime semiaberto.
- Publique-se.
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