HC 643980 - DECISAO
O habeas corpus não era meio substitutivo do recurso próprio, motivo pelo qual não foi conhecido; contudo, reconhecendo-se lacuna na nova redação do art. 112 da Lei de Execução Penal (promovida pela Lei n. 13.964/2019) quanto à hipótese de apenado reincidente por crime comum e posteriormente condenado por crime hediondo, impõe-se a integração da norma por analogia in bonam partem. Como o paciente não é reincidente específico na prática de crime hediondo ou equiparado, não se pode aplicar a fração de 60%; deve-se, portanto, determinar a retificação do cálculo das penas considerando-se o patamar de 40% para fins de progressão de regime.
- Parties
- Paciente: JAMERSON ALVES NOGUEIRA; Órgão Julgador De Origem: Tribunal de Justiça do Estado do Acre; Interveniente (parecer): Ministério Público Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 March 2021
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão (não Conhecimento Do Writ E Concessão De Ofício Da Ordem)
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Reincidência, Interpretação Da Lei Penal, Habeas Corpus, Analogia in Bonam Partem
Case Brief
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Parties
JAMERSON ALVES NOGUEIRA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado do Acre
Órgão Julgador De Origem
Ministério Público Federal
Interveniente (parecer)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão (não Conhecimento Do Writ E Concessão De Ofício Da Ordem)
Legal Issues
- 1 Qual percentual aplicar para fins de progressão de regime a apenado reincidente simples condenado por crime hediondo (distinção entre reincidência específica e genérica)
- 2 Admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
- 3 Possibilidade de integração da norma por analogia in bonam partem em lacuna legislativa
Ratio Decidendi
O habeas corpus não era meio substitutivo do recurso próprio, motivo pelo qual não foi conhecido; contudo, reconhecendo-se lacuna na nova redação do art. 112 da Lei de Execução Penal (promovida pela Lei n. 13.964/2019) quanto à hipótese de apenado reincidente por crime comum e posteriormente condenado por crime hediondo, impõe-se a integração da norma por analogia in bonam partem. Como o paciente não é reincidente específico na prática de crime hediondo ou equiparado, não se pode aplicar a fração de 60%; deve-se, portanto, determinar a retificação do cálculo das penas considerando-se o patamar de 40% para fins de progressão de regime.
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