HC 982492 - DECISAO
A alteração trazida pela Lei n. 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, configura novatio legis in pejus e, portanto, não pode ser aplicada retroativamente a fatos praticados antes de sua vigência; ademais, a determinação do exame criminológico exige fundamentação concreta com elementos ocorridos durante a execução da pena, o que não ocorreu no acórdão impugnado, de modo que há flagrante ilegalidade, ensejando a concessão da ordem para que o juízo das execuções promova nova análise sem exigir o exame criminológico e mantendo o paciente no regime semiaberto harmonizado.
- Parties
- Paciente: NEY VIRGINO DE SOUZA; Recorrente/impugnante: Ministério Público; Órgão Coator: Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins; Juízo a Quo: Juízo da Execução Penal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 February 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Liminar Concedida
- Outcome
- Ordem concedida de ofício em parte: determina-se que o Juízo das Execuções Criminais proceda à nova análise do pedido de progressão de regime sem exigir exame criminológico, mantendo o paciente no regime semiaberto harmonizado enquanto aguarda a nova decisão.
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Habeas Corpus, Fundamentação Das Decisões
Case Brief
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Parties
NEY VIRGINO DE SOUZA
Paciente
Ministério Público
Recorrente/impugnante
Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
Órgão Coator
Juízo da Execução Penal
Juízo a Quo
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Liminar Concedida
Legal Issues
- 1 Necessidade de realização de exame criminológico para progressão de regime
- 2 Aplicação retroativa da Lei n. 14.843/2024 (novatio legis in pejus)
- 3 Possibilidade de habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
Ratio Decidendi
A alteração trazida pela Lei n. 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, configura novatio legis in pejus e, portanto, não pode ser aplicada retroativamente a fatos praticados antes de sua vigência; ademais, a determinação do exame criminológico exige fundamentação concreta com elementos ocorridos durante a execução da pena, o que não ocorreu no acórdão impugnado, de modo que há flagrante ilegalidade, ensejando a concessão da ordem para que o juízo das execuções promova nova análise sem exigir o exame criminológico e mantendo o paciente no regime semiaberto harmonizado.
Court Disposition
Ordem concedida de ofício em parte: determina-se que o Juízo das Execuções Criminais proceda à nova análise do pedido de progressão de regime sem exigir exame criminológico, mantendo o paciente no regime semiaberto harmonizado enquanto aguarda a nova decisão.
Orders
- Determinar que o Juízo das Execuções Criminais promova nova análise, com brevidade, do pedido de progressão de regime do sentenciado, com base em elementos concretos ocorridos durante a execução da pena, sem a necessidade de realização de exame criminológico
- Paciente deve aguardar a nova análise no regime semiaberto harmonizado, na forma estabelecida pelo Juízo de Execução
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