HC 1055617 - DECISAO

HC 1055617 - DECISAO

Não se conhece do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; entretanto, verificando-se ilegalidade flagrante, o Tribunal concedeu a ordem de ofício: a Lei n. 14.843/2024, que impõe o exame criminológico como condição para progressão, não pode retroagir para prejudicar apenado cuja infração é anterior à sua vigência, e a exigência do exame não se justifica quando fundada apenas na gravidade abstrata do delito ou na longa pena, devendo qualquer determinação de exame basear-se em elementos concretos da execução penal; assim, o Juízo da execução deve apreciar o pedido de progressão sem considerar tais fundamentos nem a exigência prevista na nova legislação.

Parties
Paciente: ROLAND BENJAMIN; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO; Órgão Ministerial Que Opinou Nos Autos: Ministério Público Federal
Court
Superior Tribunal de Justiça
Jurisdiction
Brazil
Judgment Date
23 December 2025
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (não Conhecimento Do Writ E Concessão De Ordem De Ofício)
Outcome
Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício
Legal Topics
Progressão De Regime, Exame Criminológico, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Fundamentação Judicial

Case Brief

Summary, issues, holding and outcome

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Parties

ROLAND BENJAMIN

Paciente

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

Autoridade Coatora

Ministério Público Federal

Órgão Ministerial Que Opinou Nos Autos

Procedural Posture

Habeas Corpus / Decisão No Superior Tribunal De Justiça (não Conhecimento Do Writ E Concessão De Ordem De Ofício)

  1. 1 Admissibilidade do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio
  2. 2 Aplicabilidade retroativa da Lei n. 14.843/2024 a crimes praticados antes de sua vigência
  3. 3 Fundamentação necessária para impor exame criminológico na execução penal

Ratio Decidendi

Não se conhece do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; entretanto, verificando-se ilegalidade flagrante, o Tribunal concedeu a ordem de ofício: a Lei n. 14.843/2024, que impõe o exame criminológico como condição para progressão, não pode retroagir para prejudicar apenado cuja infração é anterior à sua vigência, e a exigência do exame não se justifica quando fundada apenas na gravidade abstrata do delito ou na longa pena, devendo qualquer determinação de exame basear-se em elementos concretos da execução penal; assim, o Juízo da execução deve apreciar o pedido de progressão sem considerar tais fundamentos nem a exigência prevista na nova legislação.

Court Disposition

Habeas corpus não conhecido; ordem concedida de ofício

Orders

  • Determinar que o Juízo da execução aprecie o pedido de progressão de regime sem considerar a exigência prevista na nova legislação, a gravidade abstrata do delito ou eventual duração da pena como fundamentos para determinar a realização do exame criminológico
  • Comunicar, com urgência, ao Tribunal de origem e ao Juízo da execução penal