HC 1079025 - DECISAO
A Lei n. 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, configurou novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente para prejudicar executados cujos fatos ocorreram antes de sua vigência (art. 5º, XL, CF); ademais, a jurisprudência do STJ exige fundamentação concreta baseada em fatos da execução para determinar exame criminológico (Súmula 439/STJ). No caso, o paciente cumpria pena por fatos anteriores à alteração legislativa e ostentava bom comportamento carcerário sem faltas disciplinares, razão pela qual a exigência do exame não poderia ser imposta e a decisão de 1º grau que concedeu a progressão sem o exame deve ser restabelecida.
- Parties
- Paciente: FABIO DE ANDRADE SILVA; Órgão Coator (tribunal De Origem): Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Agravante (parquet): Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Monocrática Do Relator (liminar Concedida), Não Conhecimento Do Habeas Corpus Como Substitutivo De Recurso Próprio E Concessão De Ordem De Ofício Para Restabelecer Decisão De 1º Grau
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; contudo, concessão de ofício da ordem de habeas corpus para restabelecer a decisão do Juízo das Execuções Criminais que promoveu o sentenciado ao regime semiaberto sem submissão a exame criminológico.
- Legal Topics
- Progressão De Regime, Exame Criminológico, Irretroatividade Da Lei Penal Mais Gravosa, Novatio Legis in Pejus, Individualização Da Pena, Súmula 439/stj
Case Brief
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
FABIO DE ANDRADE SILVA
Paciente
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo
Órgão Coator (tribunal De Origem)
Ministério Público
Agravante (parquet)
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Monocrática Do Relator (liminar Concedida), Não Conhecimento Do Habeas Corpus Como Substitutivo De Recurso Próprio E Concessão De Ordem De Ofício Para Restabelecer Decisão De 1º Grau
Legal Issues
- 1 Incidência retroativa da Lei n. 14.843/2024 que tornou obrigatório o exame criminológico
- 2 Possibilidade de determinar exame criminológico sem fundamentação concreta sobre fatos ocorridos na execução
- 3 Admissibilidade do habeas corpus quando há recurso próprio
Ratio Decidendi
A Lei n. 14.843/2024, ao tornar obrigatório o exame criminológico para progressão de regime, configurou novatio legis in pejus e não pode ser aplicada retroativamente para prejudicar executados cujos fatos ocorreram antes de sua vigência (art. 5º, XL, CF); ademais, a jurisprudência do STJ exige fundamentação concreta baseada em fatos da execução para determinar exame criminológico (Súmula 439/STJ). No caso, o paciente cumpria pena por fatos anteriores à alteração legislativa e ostentava bom comportamento carcerário sem faltas disciplinares, razão pela qual a exigência do exame não poderia ser imposta e a decisão de 1º grau que concedeu a progressão sem o exame deve ser restabelecida.
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus como substitutivo de recurso próprio; contudo, concessão de ofício da ordem de habeas corpus para restabelecer a decisão do Juízo das Execuções Criminais que promoveu o sentenciado ao regime semiaberto sem submissão a exame criminológico.
Orders
- Restabeleça-se a decisão do Juízo das Execuções Criminais que concedeu a progressão ao regime semiaberto sem a realização do exame criminológico
- Comunique-se, com urgência, ao Juízo das Execuções e ao Tribunal coator
Full Case Text
Judgment text and source record
Sign in to read
Sign in to read the full judgment text
Sign in to read the full judgment text. Downloads and additional research tools may depend on your plan.
Sign in to read the full judgment