RMS 72937 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno porque não houve demonstração de ilegalidade ou direito líquido e certo; a promoção por ato de bravura está sujeita à discricionariedade administrativa e à valoração da autoridade após Sindicância, não havendo elementos aptos a alterar o entendimento da decisão recorrida.
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- Parties
- Agravante: ALEX LOPES; Agravada: Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 October 2024
- Procedural Posture
- Agrav O Interno No Recurso Em Mandado De Segurança / Julgamento (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Promoção Por Ato De Bravura, Discricionariedade Da Administração, Mandado De Segurança, Policial Militar, Isonomia/impessoalidade
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Parties
ALEX LOPES
Agravante
Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás
Agravada
Procedural Posture
Agrav O Interno No Recurso Em Mandado De Segurança / Julgamento (acórdão)
Legal Issues
- 1 discricionariedade na concessão de promoção por ato de bravura
- 2 alegada violação do princípio da impessoalidade/isonomia
- 3 ausência de direito líquido e certo do impetrante
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno porque não houve demonstração de ilegalidade ou direito líquido e certo; a promoção por ato de bravura está sujeita à discricionariedade administrativa e à valoração da autoridade após Sindicância, não havendo elementos aptos a alterar o entendimento da decisão recorrida.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão recorrida
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 01/10/2024 a 07/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. POLICIAL MILITAR. PROMOÇÃO POR ATO DE BRAVURA. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A concessão da promoção por ato de bravura está adstrita à discricionariedade do administrador, estando o ato administrativo submetido exclusivamente à conveniência e à oportunidade da autoridade pública, haja vista que a valoração dos atos de bravura não ocorre por meio de elementos meramente objetivos. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por ALEX LOPES contra decisão que negou provimento ao recurso ordinário. Argumenta a parte agravante o seguinte: No recurso interposto sequer se discutiu se o ato praticado configurou ato de bravura ou não, pois é cediço tal análise é exclusivamente da administração pública, se atendo o recorrente a discutir a violação da impessoalidade praticada pela agravada. Conforme restou consignado circunstância discriminatória aplicada ao agravante, pois em casos idênticos ao dele (Sindicâncias n. 2018.02.20635-BP ROTAM), a Comissão de Promoção de Oficiais, chefiada pelo Cel. André Henrique Avelar entendeu pela ocorrência do ato de bravura, e concedeu a promoção em questão (fl. 1.695). Pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pela submissão da questão ao Colegiado. Impugnação apresentada às fls. 1.703-1.708. É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA. POLICIAL MILITAR. PROMOÇÃO POR ATO DE BRAVURA. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A concessão da promoção por ato de bravura está adstrita à discricionariedade do administrador, estando o ato administrativo submetido exclusivamente à conveniência e à oportunidade da autoridade pública, haja vista que a valoração dos atos de bravura não ocorre por meio de elementos meramente objetivos. Precedentes. 2. Agravo interno desprovido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Na origem, o ora recorrente pleiteou a promoção ao posto de Segundo Tenente pelo reconhecimento de ato de bravura, uma vez que participou do atendimento à ocorrência RAI 16.531.051, de 26/9/2020, que culminou na morte de 4 indivíduos de alta periculosidade, após troca de tiros com a viatura em que estavam presentes o impetrante, então 2º Sargento QPPM, e mais dois policiais militares. Nesta via, insiste o recorrente na ocorrência de circunstância discriminatória, pois a promoção por ato de bravura foi concedida em casos idênticos ao dele. O Tribunal de origem denegou a ordem nos seguintes termos: No que se refere à alegação de falta de isonomia da administração pública, temos que todo e qualquer reconhecimento de ato de bravura se dá após Sindicância, na qual são apurados os fatos e os documentos relativos às ações individuais de cada militar. Assim, cabe à autoridade a decisão e valoração sobre a importância de cada uma delas no contexto analisado e, no caso sob e xame, os policiais promovidos somente o foram por suas ações terem se revestido - efetivamente - de audácia e coragem. Assim, inexiste, in casu, violação a direito líquido e certo, porquanto a concessão da promoção por ato de bravura está adstrita à discricionariedade do administrador, estando o ato administrativo submetido exclusivamente à conveniência e à oportunidade da autoridade pública, tendo em vista que a valoração dos atos de bravura não ocorre por meio de elementos meramente objetivos. Desse modo, o ato impugnado foi praticado nos estritos termos da legislação de regência e nenhuma prova contrária com aptidão para elidir a legalidade de tal ato foi constituída (fl. 1.600-1.601). O entendimento adotado pela Corte de origem não destoa da jurisprudência do STJ, segundo a qual, a concessão da promoção por ato de bravura está adstrita à discricionariedade do administrador, estando o ato administrativo submetido exclusivamente à conveniência e à oportunidade da autoridade pública, haja vista que a valoração dos atos de bravura não ocorre por meio de elementos meramente objetivos. Confira-se: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. POLICIAL MILITAR. PROMOÇÃO POR ATO DE BRAVURA. DISCRICIONARIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. .. VI - Quanto à promoção por ato de bravura, a referida promoção se dá, exclusivamente, após análise de conveniência e oportunidade da Administração Pública, haja vista que a valoração dos atos de bravura não ocorre por meio de elementos meramente objetivos. VII - Destarte, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a promoção por bravura é ato discricionário do administrador. Nesse sentido: AgInt no RMS n. 69.054/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022 e AgInt no RMS n. 69.309/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022. VIII - O vício apontado pelo Impetrante seria a ausência de fundamentação do ato indeferitório de sua promoção. Consoante mencionado no acórdão ora recorrido, a promoção por ato de bravura foi negada ao argumento de que, para a Administração Pública, não houve a prática de ação altamente meritória, de modo a ultrapassar os limites normais do cumprimento do dever. IX - Agravo interno improvido (AgInt no RMS n. 70.115/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 21/8/2023, DJe de 23/8/2023). PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. PROMOÇÃO POR BRAVURA. ATO DISCRICIONÁRIO. AGRAVO INTERNO QUE SE LIMITA A REPRODUZIR OS FUNDAMENTOS DO RECURSO ORDINÁRIO. SÚMULA 182/STJ. 1. Na origem, cuida-se de Mandado de Segurança impetrado contra ato atribuído ao Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado de Goiás, que negou a promoção ao posto de 2º Tenente por ato de bravura. 2. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que a promoção por bravura é ato discricionário do administrador. 3. No Agravo Interno, o agravante limitou-se a reproduzir os fundamentos do Recurso Ordinário, sem impugnar especificamente os fundamentos da decisão agravada. A ausência de impugnação especificada faz incidir na espécie a Súmula 182/STJ, que está em consonância com a redação atual do CPC em seu art. 1.021, § 1º: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada." 4. Agravo Interno não conhecido (AgInt no RMS n. 69.054/GO, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 28/11/2022, DJe de 13/12/2022). Isso posto, nego provimento ao agravo interno.