HC 994406 - DECISAO
Indeferiu-se liminarmente o habeas corpus por não conhecer do writ em razão da condenação haver transitado em julgado (21/10/2024), sendo inadequado o uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal, e por ausência de prova pré-constituída nos autos (consta apenas o acórdão), de modo que não se comprovou...
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- Parties
- Paciente: JANOIR ROCHA DOS SANTOS JUNIOR; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Apelação n. 0001112-21.2018.8.24.0069)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 April 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida / Não Conhecido Por Substitutivo De Revisão Criminal
- Outcome
- liminar indeferida; writ não conhecido
- Legal Topics
- Prova Ilícita Proveniente De Aparelho De Telefone Celular, Tráfico De Drogas (lei N. 11.343/2006), Tráfico Privilegiado (art. 33, §4º), Desclassificação Para Usuário (art. 28), Dosimetria, Trânsito Em Julgado, Prova Pré Constituída
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Parties
JANOIR ROCHA DOS SANTOS JUNIOR
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Apelação n. 0001112-21.2018.8.24.0069)
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida / Não Conhecido Por Substitutivo De Revisão Criminal
Legal Issues
- 1 Nulidade das provas extraídas de telefone celular por ausência de autorização do acusado ou decisão judicial
- 2 Afastamento ou aplicação da minorante do §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006
- 3 Desclassificação do crime de tráfico para utilização/posse (art. 28 da Lei n. 11.343/2006)
Ratio Decidendi
Indeferiu-se liminarmente o habeas corpus por não conhecer do writ em razão da condenação haver transitado em julgado (21/10/2024), sendo inadequado o uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal, e por ausência de prova pré-constituída nos autos (consta apenas o acórdão), de modo que não se comprovou ilegalidade flagrante a ser sanada nesta via.
Court Disposition
liminar indeferida; writ não conhecido
Orders
- Indefiro liminarmente a impetração.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em benefício de JANOIR ROCHA DOS SANTOS JUNIOR no qual se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (Apelação n. 0001112-21.2018.8.24.0069). Depreende-se dos autos que o ora paciente foi condenado à pena de 9 anos e 6 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e ao pagamento de 1.416 dias-multa, pela prática dos crimes dos arts. arts. 33, caput e 35, c/c o art. 40, inciso VI, todos da Lei n. 11.343/2006, em razão da apreensão de 1,32g (um grama e trinta e dois centigramas) de crack - e-STJ fl. 19. O Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso da defesa, "para absolver Janoir Rocha dos Santos Junior do crime previsto no art. 35, caput, c/c art. 40, inc. VI, ambos da Lei n. 11.343/06, restando sua pena privativa de liberdade quantificada, em virtude disso, em 6 (seis) anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, e 600 (seiscentos) dias-multa, mantidas as demais cominações da sentença. De ofíc io, reconhece-se a atenuante da menoridade relativa ao apelante, sem efeitos, no entanto, no quantum da pena" (e-STJ fl. 53). Daí o presente writ, no qual sustenta a defesa a violação ao art. 157, caput e § 1º, do Código de Pr ocesso Penal, ao argumento de que são nulas as provas oriundas do acesso aos dados constantes no aparelho de telefone celular do ora paciente, por ocasião de sua prisão em flagrante, uma vez que inexistiram autorização do acusado ou decisão judicial. Assere que os dados extraídos do telefone celular do acusado foram utilizados para a condenação e para afastar a minorante do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, de forma que não procede o fundamento segundo o qual havia outras provas independentes para lastrear o édito condenatório. Postula a desclassificação para a infração do art. 28 da Lei n. 11.343/2006, pois a apreensão de 1,32g (um grama e trinta e dois centigramas) de crack demonstra apenas que o acusado era usuário de entorpecentes. Defende a ilegalidade na dosimetria quanto ao indeferimento da minorante do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas. Argumenta que não foi concretamente demonstrado que o acusado não se enquadrava em uma das situações elencadas nesse dispositivo. Diante dessas considerações, pede a concessão da liminar para que seja suspenso eventual mandado de prisão e determinado que o paciente aguarde o julgamento deste writ em regime semiaberto. No mérito, requer a absolvição do réu, a desclassificação do delito ou a aplicação da minorante do tráfico privilegiado. É o relatório. Decido. O writ não merece conhecimento. O Superior Tribunal de Justiça, de longa data, vem buscando fixar balizas para a racionalização do uso do habeas corpus, visando a garantia não apenas do curso natural das ações ou revisões criminais mas também da efetiva priorização do objeto ínsito ao remédio heroico, qual seja, o de prevenir ou remediar lesão ou ameaça de lesão ao direito de locomoção. Nessa linha, esta Corte, em diversas ocasiões, já assentou a impossibilidade de impetração de habeas corpus em substituição à revisão criminal, quando já transitada em julgado a condenação do réu, posicionando-se no sentido de que " n ão deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão condenatório já transitado em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte" (HC n. 730.555/SC, relator Ministro Olindo Menezes, Desembargador Convocado do TRF 1ª Região, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 15/8/2022). Nesse mesmo sentido, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ROUBO DUPLAMENTE MAJORADO TENTADO. INSURGÊNCIA CONTRA ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. MANEJO DO WRIT COMO REVISÃO CRIMINAL. DESCABIMENTO. ILEGALIDADE FLAGRANTE NÃO DEMONSTRADA. REPRIMENDA INFERIOR A QUATRO ANOS. PENA-BASE FIXADA NO MÍNIMO LEGAL. REGIME MAIS GRAVOSO. POSSIBILIDADE. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA EVIDENCIADA. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITO DEVOLUTIVO AMPLO DO RECURSO DE APELAÇÃO. BIS IN IDEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PETIÇÃO INICIAL LIMINARMENTE INDEFERIDA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra acórdão já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte. Precedentes da Quinta e Sexta Turmas do Superior Tribunal de Justiça. .. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 751.156/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 9/8/2022, DJe de 18/8/2022, grifei.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS INDEFERIDO LIMINARMENTE. TRÁFICO DE DROGAS. ACÓRDÃO TRANSITADO EM JULGADO. DOSIMETRIA. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. NÃO INAUGURADA A COMPETÊNCIA DO STJ. INADMISSIBILIDADE. AUMENTO DA PENA-BASE. ELEVADA QUANTIDADE DE DROGAS. PROPORCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. Agravo regimental não conhecido. (AgRg no HC n. 751.137/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe de 4/8/2022, grifei.) No caso, a condenação do paciente transitou em julgado em 21/10/2024, de maneira que não se deve conhecer do writ que pretende a desconstituição do acórdão proferido pela Corte local, olvidando-se a parte de ajuizar a necessária revisão criminal antes de inaugurar a competência deste Tribunal Superior acerca da controvérsia. De toda forma, não se vislumbra ilegalidade flagrante apta a ser sanada na presente via, ainda que mediante a eventual concessão de habeas corpus de ofício, até porque, não obstante as razões declinadas, o impetrante não instruiu devidamente os autos, pois nele consta somente o acórdão ora impugnado, o que, a toda evidência, impede o exame das teses suscitadas. Ressalte-se que o rito do habeas corpus pressupõe prova pré-constituída do direito alegado, devendo a parte demonstrar, de maneira inequívoca, por meio de documentos, a existência de constrangimento ilegal imposto à parte interessada. Confira-se a jurisprudência desta Corte: AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. PRISÃO PREVENTIVA MANTIDA EM PRONÚNCIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. PRETENSÃO DE SIMPLES REFORMA. DECISÃO MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. Mantidos os fundamentos da decisão agravada, porquanto não infirmados por razões eficientes, é de ser negada simples pretensão de reforma (Súmula n.º 182 desta Corte). 2. Cabe ao impetrante o escorreito aparelhamento do habeas corpus, bem como do recurso ordinário dele originado, indicando, por meio de prova pré-constituída, o constrangimento ilegal alegado. 3. É inviável divisar, de forma meridiana, a alegação de constrangimento, diante da instrução deficiente dos autos, no qual se deixou de coligir cópia da decisão que decretou a prisão preventiva do acusado, documento imprescindível à plena compreensão dos fatos aduzidos no presente recurso. 4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 48.939/MG, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 23/4/2015.) PROCESSUAL PENAL. PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO RECEBIDO COMO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. AUSÊNCIA DE PEÇA ESSENCIAL À COMPREENSÃO DA CONTROVÉRSIA. DEFICIÊNCIA NA INSTRUÇÃO QUE IMPOSSIBILITA A ANÁLISE DO PEDIDO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. É possível receber o pedido de reconsideração como agravo regimental, dada a identidade do prazo recursal e a inexistência de erro grosseiro. 2. Ação constitucional de natureza mandamental, o habeas corpus tem como escopo precípuo afastar eventual ameaça ao direito de ir e vir, cuja natureza urgente exige prova pré-constituída das alegações e não comporta dilação probatória. 3. Ausente cópia da decisão que decretou a prisão preventiva do acusado, a cujos fundamentos o juiz sentenciante remete para negar ao réu o direito de recorrer em liberdade, mostra-se inviável o exame do alegado constrangimento ilegal. 4. Pedido de reconsideração recebido como agravo regimental, não provido. (RCD no RHC n. 54.626/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 2/3/2015.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a impetração. Publique-se. Intimem-se. EMENTA