AREsp 2911021 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente e de forma suficiente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem (ausência de ofensa ao art. 1.022 do CPC e incidência da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de provas), incorrendo em...
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- Parties
- Agravante: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL; Agravado: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial Não Conhecimento
- Outcome
- agravo não conhecido
- Legal Topics
- Qualidade De Segurado, Tutela Antecipada, Inadmissão De Recurso Especial, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios, Princípio Da Dialeticidade
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Agravante
parte autora
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Sobre Agravo Em Recurso Especial Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Manutenção da qualidade de segurado após percepção de benefício decorrente de tutela antecipada posteriormente revogada
- 2 Inadmissibilidade do recurso especial por não impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de admissibilidade
- 3 Aplicação da Súmula 7 do STJ quanto ao reexame de provas
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou especificamente e de forma suficiente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade proferida pelo Tribunal de origem (ausência de ofensa ao art. 1.022 do CPC e incidência da Súmula 7/STJ quanto ao reexame de provas), incorrendo em violação do princípio da dialeticidade e nas previsões dos arts. 932, III, do CPC e 253, p. ú., I, do Regimento Interno do STJ, bem como da Súmula 182/STJ; além disso, determinou-se a majoração dos honorários advocatícios em 10% sobre o valor já arbitrado, com fundamento no art. 85, § 11, do CPC.
Court Disposition
agravo não conhecido
Orders
- Não conheço do agravo em recurso especial.
- Majoro os honorários advocatícios em desfavor da parte agravante em 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados os limites legais aplicáveis.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, contra inadmissão, na origem, de recurso especial fundamentado na alínea "a" do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal, manejado contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, assim ementado (fl. 559): PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AUXÍLIO-DOENÇA/APOSENTADORIA POR INVALIDEZ. QUALIDADE DE SEGURADO COMPROVADA. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. SUCUMBÊNCIA RECURSAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS MAJORADOS. 1. Nos termos de precedente recente da 7ª Turma desta C. Corte Regional, há manutenção da qualidade de segurado durante o gozo de benefício, ainda que seja posteriormente cassado por ordem judicial. 2. A parte mantinha a qualidade de segurado na ocasião do advento da incapacidade. 3. Assim sendo, é devido o benefício de aposentadoria por invalidez, nos termos do artigo 42, da Lei Federal nº. 8.213/91. 4. Conforme jurisprudência consolidada, o termo inicial do benefício deve ser fixado na data do seu pedido administrativo e, na sua ausência, na data da citação (Súmula nº 576, do Superior Tribunal de Justiça). É possível a ressalva quando fixada a incapacidade em momento posterior ao requerimento administrativo. Na hipótese de benefício cessado indevidamente, o termo inicial deve corresponder ao dia seguinte ao da cessação indevida. 5. A data de início do benefício deve ser a partir da citação do INSS. 6. Apliquem-se para o cálculo dos juros de mora e correção monetária, os critérios estabelecidos pelo Manual De Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal vigente à época da elaboração da conta de liquidação até a edição da EC113/2021, a partir de quando será aplicada exclusivamente à taxa Selic. 7. Apelação do INSS desprovida. Apelação da parte autora desprovida. Alteração de ofício dos critérios de cálculo de juros e correção monetária. Opostos embargos declaratórios, foram estes rejeitados, em aresto assim ementado (fl. 600): EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - ALEGAÇÃO DE VÍCIO: INEXISTÊNCIA - CARÁTER INFRINGENTE: IMPOSSIBILIDADE - REJEIÇÃO. PRÉ-QUESTIONAMENTO. 1. O Poder Judiciário, pela iniciativa das partes, está vinculado a decidir a lide, em regra, nos termos do pedido. Mas a decisão fica sujeita a qualquer fundamento jurídico. 2. Na solução da causa, a adoção de fundamento jurídico diverso do exposto pela parte não é omissão. É divergência de intelecção na solução da lide, circunstância desqualificadora da interposição de embargos de declaração. 3. Não há, portanto, qualquer vício no v. Acórdão. A fundamentação foi clara no sentido de que o recebimento do benefício na forma de tutela provisória, ainda que posteriormente revogada por decisão judicial, mantém a qualidade de segurada da parte autora. 4. A Constituição Federal não fez opção estilística, na imposição do requisito da fundamentação das decisões. Esta pode ser laudatória ou sucinta. Deve ser, tão-só, pertinente e suficiente. 5. Os requisitos previstos no artigo 535, do Código de Processo Civil de 1973, ou no artigo 1.022, do Código de Processo Civil de 2015, devem ser observados nos embargos de declaração destinados ao prequestionamento. 6. Embargos de Declaração do INSS rejeitados. Em seu recurso especial, às fls. 607-616, o recorrente sustenta violação ao art. 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil, uma vez que "os nobres julgadores, ao julgarem os embargos declaratórios, limitaram-se a apontar que o acórdão embargado abordou todas as questões suscitadas pelo embargante, não apreciando a questão jurídica levantada pela autarquia previdenciária acerca da impossibilidade de manutenção da qualidade de segurado em virtude da percepção de benefício previdenciário decorrente de tutela antecipada judicial posteriormente revogada" (fl. 610). Alega, ainda, que "a acórdão recorrido viola a legislação federal em epígrafe (art. 15 da Lei nº 8.213/91, arts. 296, 297, parágrafo único, 300, §3º, 302 e 520, I e II do CPC e arts. 876, 884 e 885 do CC), na medida em que, ao considerar mantida a qualidade de segurado da parte autora, para conceder o benefício pleiteado, desconsiderou o caráter essencialmente reversível da tutela antecipada e a eficácia ex tunc de sua revogação" (fl. 610). Afirma que "a tutela revogada que cancelou um benefício judicial de caráter provisório não tem o condão de manter a qualidade de segurado, uma vez que a reforma da r. decisão tem efeito ex tunc. Nesse contexto, os efeitos da tutela antecipada, consoante a dicção do art. 296 do CPC, somente subsistem ao longo do trâmite processual e enquanto a decisão concessiva não for revogada ou modificada" (fl. 610). Ademais, argumenta que (fl. 611): No caso, realizada perícia judicial, o expert fixou a data de início da incapacidade (DII) em 11/04/2022, quando a parte autora não mais ostentava a qualidade de segurada, como se percebe dos documentos anexados aos autos. Assim, diante do término do último vínculo empregatício ou último recolhimento anteriormente à DII ou recebimento da última parcela de benefício em 28/12/2018, a parte autora manteve a qualidade de segurada até 2020 (fim do período de graça), nos termos do art. 15 da Lei nº 8.213/91. Logo, não obstante a conclusão apresentada acerca da presença de incapacidade, não há direito ao benefício pretendido, ante o não preenchimento do requisito qualidade de segurado por ocasião da DII. Conclui, afirmando que (fl. 615): Assim, fato é que a parte demandante não preenche os requisitos do art. 15 da Lei nº 8.213/91: ao obter o provimento precário que lhe antecipou os efeitos práticos da tutela pretendida, sabia estar sujeita ao risco da revogação da decisão e o retorno ao status quo ante. E, nesse estado de coisas, descabe aduzir que tal benefício deferido provisoriamente cumpra as condições para assegurar a qualidade de segurado, uma vez que, a qualquer momento e por diversos motivos, pode ser revogada a decisão, a qual é lastreada em elementos de aparência do direito. (..) Considerar o contrário levaria, em última instância, a um enriquecimento sem causa da parte autora, visto que estaria a parte autora diante do recebimento de algo que não lhe era devido e, consequentemente, do evidente enriquecimento sem causa, o qual também é vedado pelo ordenamento jurídico, conforme dispõem os arts . 876, 884 e 885 do CC. O Tribunal de origem, no entanto, inadmitiu o recurso especial, conforme trecho in verbis (fls. 631-632): Inicialmente, não cabe o recurso por eventual violação ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil, porquanto o acórdão recorrido enfrentou o cerne da controvérsia submetida ao Judiciário, consistindo em resposta jurisdicional plena e suficiente à solução do conflito e à pretensão das partes. O acórdão que julgou os embargos de declaração, por sua vez, reconheceu que as teses e fundamentos necessários à solução jurídica foram apreciados pelo acordão. Desta forma, trata-se de mera tentativa de rediscussão de matéria exaustivamente apreciada. Não se confunde omissão ou contradição com simples julgamento desfavorável à parte, hipótese em que não existe a alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil. (..) A pretensão da parte recorrente implica revolver questão afeta à qualidade de segurada, não sendo adequada a via estreita do recurso excepcional para modificação do entendimento firmado no acórdão, à luz do exame das provas amealhadas ao processo. Também não cabe o especial para assegurar reanálise da preexistência ou não de patologia ao tempo da filiação do segurado ao regime previdenciário, assim como para nova discussão acerca das provas da progressão ou agravamento da doença havida como incapacitante. Nesse passo, a questão versada nas razões recursais não pode ser reapreciada pelas instâncias superiores, por constituir-se em matéria de fato e não de direito, o que não se coaduna com a via estreita da súplica excepcional, porque nela não há campo para revisar entendimento de segundo grau de jurisdição assentado em prova. A função do recurso especial é, apenas, a de unificar a aplicação do direito federal. Portanto, não merece prosperar a pretensão recursal por restar evidente o anseio da recorrente pelo reexame dos fatos e provas dos autos, o que não se compadece com a natureza do recurso especial, consoante o enunciado da Súmula nº 7, do colendo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Em seu agravo, às fls. 634-643, o agravante sustenta que "o Tribunal de origem, apesar de tecer considerações, rejeitou os embargos de declaração, não emitindo juízo quanto aos fatos e dispositivos tidos por violados" (fl. 636). No mais, argumenta que (fl. 642): (..) as questões de fato estão devidamente delimitadas no voto condutor do acórdão recorrido, não sendo necessário, assim, o reexame de fatos e provas para análise da questão de direito ventilada no recurso especial. Assim, não se vislumbra a aplicação da Súmula n.º 7 do STJ na espécie, por não se tratar de reexame de provas, mas sim, de valoração do conjunto probatório dos autos. É o relatório. Decido. O recurso não comporta conhecimento. De início, verifica-se que não foi impugnada a integralidade da fundamentação da decisão agravada, porquanto o agravante não infirmou especificamente nenhum dos fundamentos utilizados para a inadmissão do seu recurso especial. Em verdade, a decisão monocrática que negou a subida do apelo raro, ora agravada, assentou-se em dois fundamentos distintos: (i) - inexistência da alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida e (ii) - incidência do enunciado 7 da Súmula do STJ, tendo em vista a impossibilidade de revisão do acervo probatório. Entretanto, em sede de agravo em recurso especial o recorrente deixou de infirmar especificamente e a contento, todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, os quais, à míngua de fundamentação pormenorizada, detalhada e específica, permanecem hígidos, produzindo todos os efeitos no mundo jurídico. Assim, ao deixar de infirmar os fundamentos do juízo de admissibilidade realizado pelo Tribunal de origem, o agravante fere o princípio da dialeticidade e atrai a incidência da previsão contida nos artigos 932, inciso III, do Código de Processo Civil, e 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do STJ, no sentido de que não se conhece de agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". Também incide à espécie, a exegese do enunciado 182 da Súmula do STJ, que reza: "é inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Nesse sentido: TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. (..) 4. A falta de efetivo combate de quaisquer dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial impede o conhecimento do respectivo agravo, consoante preceituam os arts. 253, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça e 932, III, do Código de Processo Civil e a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.419.582/SP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 14/3/2024) Ante o exposto, com fundamento no artigo 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Caso exista nos autos prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, determino sua majoração em desfavor da parte agravante, no importe de 10% sobre o valor já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Deverão ser observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do dispositivo legal acima referido, bem como eventuais legislações extravagantes que tratem do arbitramento de honorários e as hipóteses de concessão de gratuidade de justiça. Publique-se. Intimem-se. EMENTA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO COMBATEU OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. DESCUMPRIMENTO DO PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 932, III, DO CPC, 253, P. Ú, I, DO RISTJ, E SÚMULA 182/STJ. AGRAVO NÃO CONHECIDO.