AREsp 2480626 - DECISAO
O agravo foi improvido por duas razões: (i) quanto à alínea c, não houve demonstração do dissídio jurisprudencial na forma exigida pelos arts. 1.029 §1 do CPC e 255 §1 do RISTJ; (ii) quanto à alínea a, a revisão do quantum indenizatório esbarra na Súmula 7/STJ, exigindo-se ocorrência excepcional de valor irrisório...
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- Parties
- Agravante: Maria Sueli Ferreira da Rocha; Agravado: Estado do Paraná
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Nego Provimento Ao Agravo
- Outcome
- Nego provimento ao agravo
- Legal Topics
- Quantum Indenizatório, Dano Moral, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj, Revisão De Matéria Fático Probatória
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Parties
Maria Sueli Ferreira da Rocha
Agravante
Estado do Paraná
Agravado
Procedural Posture
Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial / Decisão Nego Provimento Ao Agravo
Legal Issues
- 1 cabimento do recurso especial pela alínea c (dissídio jurisprudencial)
- 2 possibilidade de revisão do quantum indenizatório em recurso especial
- 3 aplicação da Súmula 7/STJ que impede reexame de prova
Ratio Decidendi
O agravo foi improvido por duas razões: (i) quanto à alínea c, não houve demonstração do dissídio jurisprudencial na forma exigida pelos arts. 1.029 §1 do CPC e 255 §1 do RISTJ; (ii) quanto à alínea a, a revisão do quantum indenizatório esbarra na Súmula 7/STJ, exigindo-se ocorrência excepcional de valor irrisório ou exorbitante, circunstância não verificada, sendo razoável o valor fixado de R$60.000,00 à luz dos parâmetros adotados pelo Tribunal de origem e da jurisprudência do Tribunal de Justiça do Paraná.
Court Disposition
Nego provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo manejado por Maria Sueli Ferreira da Rocha contra decisão que não admitiu recurso especial, este interposto com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF, desafiando acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, assim ementado (fl. 823): APELAÇÃO CÍVEL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ABORDAGEM POLICIAL. MORTE DO FILHO DA AUTORA DECORRENTE DE DISPARO DE ARMA DE FOGO POR POLICIAL MILITAR NO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES. AUSÊNCIA DE EXCLUDENTE DO NEXO CAUSAL. CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO INDICAM CULPA EXCLUSIVA OU CONCORRENTE. FORÇA MODERADA NÃO CARACTERIZADA. CARACTERIZAÇÃO DO EXCESSO NA ABORDAGEM POLICIAL. MANUTENÇÃO DA RESPONSABILIZAÇÃO DO ESTADO. REDUÇÃO DA VERBA FIXADA NA SENTENÇA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO DO ESTADO/RÉU PROVIDO EM PARTE - RECURSO DA AUTORA NÃO PROVIDO. Nas razões do recurso especial, a parte agravante aponta, além de dissídio jurisprudencial, violação aos arts. 186, 927 e 944 do Código Civil. Sustenta, em resumo, que o quantum indenizatório fixado é ínfimo, devendo ser majorado para valor não inferior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais). É O RELATÓRIO. SEGUE A FUNDAMENTAÇÃO. De início, verifica-se que a insurgência não merece prosperar. Com efeito, o recurso especial não pode ser conhecido no tocante à alínea c do permissivo constitucional, porque o dissídio jurisprudencial não foi demonstrado na forma exigida pelos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ. Isso porque a parte recorrente não procedeu ao necessário cotejo analítico entre os julgados, deixando de evidenciar o ponto em que os acórdãos confrontados, diante da mesma base fática, teriam adotado a alegada solução jurídica diversa. Por sua vez, quanto à alínea a, a questão trazida à discussão restou assim decidida no acórdão recorrido (fls. 831/833): Quantum indenizatório Como relatado, ambas as partes se insurgem quanto ao valor da indenização fixado a título de danos morais (R$80.000,00 - oitenta mil reais), sendo o pedido do Estado do Paraná pela minoração e o da parte autora pela sua majoração. Evidente que a morte do filho da autora configura dano extrapatrimonial. Assim, na espécie, resta caracterizado o dano in re ipsa prescindindo de prova quanto ao prejuízo concreto, o qual se presume, conforme as mais elementares regras da experiência comum. .. No que se refere ao quantum indenizatório, deve ser destacado que a fixação do valor para reparação do dano moral deve levar em conta o grau de culpa do ofensor, nível socioeconômico das partes, a repercussão do fato e demais peculiaridades que o caso concreto apresentar, não se olvidando a necessária observância dos critérios de razoabilidade e proporcionalidade. O montante também deve ser fixado em patamar que, ao mesmo tempo em que constitua uma punição ao ofensor pelo ilícito praticado, a fim de servir de inibidor para futuras transgressões, também não caracterize instrumento de enriquecimento sem causa do ofendido. Deve, noutras palavras, haver um equilíbrio entre a punição do agente ofensor e a indenização à vítima. .. Conforme já asseverado, o filho da autora veio a óbito em decorrência de disparo de arma de fogo, efetuado por um agente estatal no exercício de suas funções, que agiu, no entanto, em evidente excesso frente à situação. Em situações assemelhadas à presente, a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Paraná vem arbitrando - em matéria de responsabilidade civil por abordagem policial abusiva, em que houve a ocorrência de óbito - indenização entre R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e R$ 60.000,00(sessenta mil reais), balizadas as peculiaridades do caso concreto. .. Assim, tendo em vista os parâmetros adotados por esta 1ª Câmara Cível, as peculiaridades do caso concreto, a condição econômica da autora, beneficiária da justiça gratuita, mostra-se razoável a redução do quantum indenizatório para R$60.000,00 (sessenta mil reais). Nesse ponto, cumpre destacar que, em regra, não é cabível na via especial a revisão do montante indenizatório estipulado pelas instâncias ordinárias, ante a impossibilidade de reanálise de fatos e provas, nos termos do disposto na Súmula 7/STJ. Ressalte-se que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite, somente em caráter excepcional, que o quantum arbitrado seja alterado, caso se mostre irrisório ou exorbitante, em clara afronta aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, o que não se verifica, contudo, na espécie. A propósito, confiram-se os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. PRISÃO INDEVIDA. DANO MORAL. QUANTUM INDENIZATÓRIO. REVISÃO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. NESTA CORTE NÃO SE CONHECEU DO RECURSO. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem trata-se de ação de indenização por danos morais contra o Estado de Minas Gerais objetivando acolhimento jurisdicional da pretensão de compensação pecuniária em razão de sua prisão em flagrante delito, no dia 7 de fevereiro de 2013, durante a cerimônia de inumação de seu genitor, sob a acusação de participação em crime de roubo com o emprego de arma de fogo, tendo permanecido em cárcere, sob a custódia do Estado, pelo período de 15 (quinze) dias. II - Na sentença, o pedido foi julgado improcedente. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada, fixando a indenização por dano moral no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). III - Na espécie, o recorrente aponta como violados os arts. 186, 927 e 944 do Código Civil, argumentando que o valor arbitrado pelo Tribunal de origem, a título de indenização por danos morais, revela-se irrisório. IV - Consoante se verifica dos excertos reproduzidos do acórdão recorrido, a Corte Estadual, com fundamento nos elementos fáticos dos autos, foi taxativa ao concluir não haver prova nos autos da extensão efetiva do dano moral suportado pelo recorrente, bem assim que, por se tratar de pessoa de condição socioeconômica modesta, a fixação da indenização em valor superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) poderia implicar em seu enriquecimento sem causa. V - Nesse passo, para se deduzir de modo diverso do decisum vergastado, entendendo p ela irrisoriedade do valor indenizatório arbitrado em juízo, diante da extensão do dano moral sofrido pelo recorrente, na forma pretendida no apelo nobre, demandaria o revolvimento do mesmo acervo fático-probatório já analisado, providência impossível pela via estreita do recurso especial, ante o óbice do enunciado da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: EDcl no AgInt no AREsp n. 1.827.903/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de 15/12/2021 e AgInt no AREsp n. 1.724.047/PR, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 30/11/2020, DJe de 2/12/2020. VI - Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.252.319/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 22/6/2023) PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VALOR DA INDENIZAÇÃO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO CONHECIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - O tribunal de origem, após minucioso exame dos elementos fáticos contidos nos autos, consignou (i) a proporcionalidade e razoabilidade da indenização fixada para danos morais e (ii) a ausência de comprovação efetiva de danos materiais. Assim, rever o entendimento do Tribunal de origem, no sentido de modificar as conclusões sobre o valor da indenização, demandaria necessário revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz do óbice contido na Súmula n. 7/STJ. III - O recurso especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, porquanto, diante da incidência do óbice constante da Súmula 7 desta Corte, verifica-se a falta de similitude fática entre os julgados confrontados. IV - A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. V - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VI - Agravo Interno improvido. (AgInt no AREsp n. 2.268.350/SP, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 29/5/2023, DJe de 31/5/2023) ANTE O EXPOSTO, nego provimento ao agravo. Publique-se. EMENTA