REsp 1942105 - DECISAO
O acórdão recorrido estava em desacordo com a jurisprudência desta Corte quanto à aplicação dos efeitos da reafirmação da DER previstos no Tema 995; por isso, conheceu-se em parte do recurso especial e deu-se provimento para afastar a incidência dos juros de mora nos termos em que haviam sido determinados pelas...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
- Outcome
- Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento.
- Legal Topics
- Reafirmação Da DER, Juros De Mora, Honorários Advocatícios, Atividade Especial, Averbação De Tempo De Serviço, Tema 995/stj
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Julgamento De Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência de juros de mora na reafirmação da DER
- 2 efeitos retroativos da reafirmação da DER e pagamento de parcelas pretéritas
- 3 distribuição de honorários advocatícios em face da sucumbência do INSS
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido estava em desacordo com a jurisprudência desta Corte quanto à aplicação dos efeitos da reafirmação da DER previstos no Tema 995; por isso, conheceu-se em parte do recurso especial e deu-se provimento para afastar a incidência dos juros de mora nos termos em que haviam sido determinados pelas instâncias ordinárias, mantendo-se, todavia, a condenação do INSS quanto à averbação de tempo de serviço e a distribuição de sucumbência definida pelo tribunal de origem.
Court Disposition
Conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento.
Orders
- Afasta a incidência dos juros de mora nos termos em que determinado pelas instâncias ordinárias.
- Mantém-se a condenação do INSS quanto à averbação de tempo de serviço e a distribuição de sucumbência definida pelo tribunal de origem.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial manejado peloInstituto Nacional doSeguro Social- INSS, com amparo na alínea "a"do inciso III do art. 105 da CF/1988, contra acórdão doTRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃOassim ementado : PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. REMESSA OFICIAL. SENTENÇA DETERMINANDO APENAS AVERBAÇÃO DE TEMPO DESERVIÇO. NÃO CONHECIMENTO. ATIVIDADE ESPECIAL. AGENTESNOCIVOS CIMENTO, RUÍDO E HIDROCARBONETOS. VIGIA. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. REAFIRMAÇÃODA DER. POSSIBILIDADE. CONCESSÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS DE MORA. 1. Se a sentença sujeita a reexame necessário é a que condena aFazenda Pública em valor excedente a sessenta salários mínimos, impõe-se aferir o proveito econômico assegurado ou o montante da condenação na data em que proferida a decisão, pois é neste momento que é feita a avaliação quanto à obrigatoriedade da remessa. Valores sujeitos a vencimento futuro não podem ser considerados para este efeito.2. Como a sentença fixou tão somente a averbação de tempo de serviço, não se pode cogitar de condenação em parcelas vencidas até então,nem em resultado econômico da demanda, pelo que não se conhece da remessa oficial. 3. O reconhecimento da especialidade e o enquadramento da atividade exercida sob condições nocivas são disciplinados pela lei em vigor à época em que efetivamente exercidos, passando a integrar, como direito adquirido, o patrimônio jurídico do trabalhador.4. Até 28-04-1995 é admissível o reconhecimento da especialidade por categoria profissional ou por sujeição a agentes nocivos, admitindo-se qualquer meio de prova (exceto para ruído e calor); a partir de 29-04-1995 não mais é possível o enquadramento por categoria profissional, sendo necessária a comprovação da exposição do segurado a agentes nocivos por qualquer meio de prova até 05-03-1997 e, a partir de então, através de formulário embasado em laudo técnico, ou por meio de perícia técnica.(e-STJ Fl.521) 5. A exposição a cimento, hidrocarbonetos aromáticos e a ruído em níveis superiores aos limites de tolerância vigentes à época da prestação do labor enseja o reconhecimento do tempo de serviço como especial. 6. Comprovada a exposição do segurado a agente nocivo, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, possível reconhecer-se a especialidade do tempo de labor correspondente. 7. As atividades de vigia exercidas até 28-04-1995 devem ser reconhecidas como especiais em decorrência do enquadramento por categoria profissional previsto à época da realização do labor.8. É possível a reafirmação da DER, inclusive com o cômputo de tempo de contribuição posterior ao ajuizamento da ação, para fins de concessão de benefício previdenciário ou assistencial, ainda que ausente expresso pedido na petição inicial, conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Tema 995.9. Preenchidos os requisitos legais, tem o segurado direito à obtenção de aposentadoria por tempo de contribuição.10. O Supremo Tribunal Federal reconheceu no RE 870947, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do uso da TR, sem modulação de efeitos. 11. O Superior Tribunal de Justiça, no REsp 1495146, em precedente também vinculante, e tendo presente a inconstitucionalidade da TR como fator de atualização monetária, distinguiu os créditos de natureza previdenciária, em relação aos quais, com base na legislação anterior, determinou a aplicação do INPC, daqueles de caráter administrativo, para os quais deverá ser utilizado o IPCA-E.12. Os juros de mora, a contar do eventual descumprimento pelo INSS da determinação de implantação do benefício, nos termos do decidido pelo STJ no Tema n.º 995, devem incidir à taxa de 1% ao mês, até 29/06/2009. A partir de então, incidem uma única vez, até o efetivo pagamento do débito, segundo o percentual aplicado à caderneta de poupança. Os embargos de declaração opostosforam desacolhidos. A parte recorrente alega ofensaaosarts. 49, I, b,e II, e 54 da n. Lei 8.213/91, 85, caput, e 927, III,do CPC/2015; e 389, 394, 395 e 396do Código Civil. Afirma, em síntese, que não foram observados os parâmetros do Tema 995 do STJ e que, portanto, devem ser afastados os juros de morae os honorários advocatícios. Apresentadas contrarrazões, foi especialinadmitido na parte em que trata do Tema 995/STJ e o admitidotão somente quanto aos juros moratórios (389, 394, 395 e 396 do Código Civil)(e-STJ, fls. 604/607). É o necessário relatar. Passo a decidir. A admissão do nobre apelo está circunscrita àincidência dos juros moratórios em desfavor da autarquia recorrente nas hipótesesde reafirmação da DER. Referido tema, julgado pelasistemática dos recursos especiais repetitivos, correlaciona-se com o tema 995, no qual este Superior Tribunal firmou entendimento no sentido de ser "possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. Quanto aos consectários legais, em sede deEmbargos de Declaração no Recurso Especial Repetitivo n. 1.727.063/SP, a Primeira Seção estabeleceu que,"no caso da reafirmação da DER, conforme delimitado no acórdão embargado, o direito é reconhecido no curso do processo, não havendo que se falar em parcelas vencidas anteriormente ao ajuizamento da ação.Por outro lado, no caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirá, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, a serem embutidos no requisitório." A propósito, a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. Embargos de declaração opostos pelo INSS, em que aponta obscuridade e contradição quanto ao termo inicial do benefício reconhecido após reafirmada a data de entrada do requerimento. 2. É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 3. Conforme delimitado no acórdão embargado, quanto aos valores retroativos, não se pode considerar razoável o pagamento de parcelas pretéritas, pois o direito é reconhecido no curso do processo, após o ajuizamento da ação, devendo ser fixado o termo inicial do benefício pela decisão que reconhecer o direito, na data em que preenchidos os requisitos para concessão do benefício, em diante, sem pagamento de valores pretéritos. 4. O prévio requerimento administrativo já foi tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, julgamento do RE 641.240/MG. Assim, mister o prévio requerimento administrativo, para posterior ajuizamento da ação, nas hipóteses ali delimitadas, o que não corresponde à tese sustentada de que a reafirmação da DER implica na burla do novel requerimento. 5. Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirão, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, embutidos no requisitório de pequeno valor. 6. Quanto à obscuridade apontada, referente ao momento processual oportuno para se reafirmar a DER, afirma-se que o julgamento do recurso de apelação pode ser convertido em diligência para o fim de produção da prova. 7. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo. (EDcl no REsp 1.727.063/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 19/5/2020, DJe 21/5/2020). Nesse contexto, merece prosperar a irresignação do ente público, já que o acórdão impugnado está em desacordo com a jurisprudência desta Corte. Por fim, no que concerne aos honorários advocatícios, não assiste razão à parte recorrente, vistoque o INSS foi condenado nos pedidos de averbação de tempo de serviço, ficando sucumbente quanto ao assunto. Desse modo, reexaminar a decisão do Tribunal de origem acerca dadistribuição da sucumbênciapara cada parte implicaria violação da Súmula 7/STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja Recurso Especial." Ante o exposto, com fulcro no art. 932, III e V, do CPC/2015, c/c o art. 255, § 4º, I e III, do RISTJ, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe provimento, a fim deafastar aincidência dos juros de mora nos termos em que determinado pelas instâncias ordinárias. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. REAFIRMAÇÃO DA DER. JUROS E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.ESPECIAL CONHECIDO. PARCIALMENTE PROVIDO.