REsp 1940094 - DECISAO
O Recurso Especial foi parcialmente provido para reconhecer que, nos casos de reafirmação da DER com data posterior à citação, os juros moratórios só incidem a partir do prazo razoável de até 45 dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício, e não a partir da citação ou da própria data reafirmada.
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão (parcial Provimento)
- Outcome
- Recurso Especial parcialmente provido
- Legal Topics
- Reafirmação Da DER, Juros Moratórios, Conversão De Tempo Especial, Aplicação De Jurisprudência Repetitiva (tema 995/stj), Honorários Advocatícios
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão (parcial Provimento)
Legal Issues
- 1 possibilidade de reafirmação da Data de Entrada do Requerimento (DER)
- 2 termo inicial de incidência dos juros de mora em casos de reafirmação da DER
- 3 requisitos para conversão de tempo comum em tempo especial para fins de aposentadoria
Ratio Decidendi
O Recurso Especial foi parcialmente provido para reconhecer que, nos casos de reafirmação da DER com data posterior à citação, os juros moratórios só incidem a partir do prazo razoável de até 45 dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício, e não a partir da citação ou da própria data reafirmada.
Court Disposition
Recurso Especial parcialmente provido
Orders
- Reconhecer que os juros moratórios incidem apenas a partir do prazo de 45 dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício requerido
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial, interposto por INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL, contra acórdão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO, assim ementado: "PREVIDENCIÁRIO. REAFIRMAÇÃO DA DER. POSSIBILIDADE.CONVERSÃO DO TEMPO COMUM EM ESPECIAL - PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS APÓS A VIGÊNCIA DA LEI Nº 9.032/95 - IMPOSSIBILIDADE. APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS.CONCESSÃO. OBRIGAÇÃO AFASTAMENTO DA ATIVIDADE - ART. 57, § 8º DA LEI Nº 8.213/91 - CONSTITUCIONALIDADE.CONSECTÁRIOS. IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO. . A possibilidade da reafirmação da DER foi objeto do REsp 1.727.063/SP, REsp 1.727.064/SP e REsp 1.727.069/SP, representativos da controvérsia repetitiva descrita no Tema 995 - STJ, com julgamento em 22/10/2019, cuja tese firmada foi no sentido de que é possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. . O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento no regime do art.543-C do CPC, estabeleceu que a lei vigente por ocasião da aposentadoria é a aplicável ao direito à conversão entre tempos de serviço especial e comum, independentemente do regime jurídico à época da prestação do serviço (STJ, Primeira Seção no regime do art. 543-C do CPC, EDcl no REsp 1310034/PR, rel. Herman Benjamin, j. 26/11/2014, DJe de 02/02/2015). O preceito é aplicável aos que preencheram as condições para aposentadoria especial após a edição da Lei 9.032/1995, e portanto não se beneficiam da conversão do tempo de serviço comum em especial para fins de aposentadoria. . Tem direito à aposentadoria especial o segurado que possui 25 anos de tempo de serviço especial e implementa os demais requisitos para a concessão do benefício. . É constitucional a vedação de continuidade da percepção de aposentadoria especial se o beneficiário permanece laborando em atividade especial ou a ela retorna, seja essa atividade especial aquela que ensejou a aposentação precoce ou não. ii) Nas hipóteses em que o segurado solicitar a aposentadoria e continuar a exercer o labor especial, a data de início do benefício será a data de entrada do requerimento, remontando a esse marco, inclusive, os efeitos financeiros. Efetivada, contudo, seja na via administrativa, seja na judicial a implantação do benefício, uma vez verificado o retorno ao labor nocivo ou sua continuidade, cessará o benefício previdenciário em questão. (Julgamento Virtual do Tribunal Pleno - STF, em 05 de Junho de 2020). . No presente caso, conforme o que foi decidido no IAC nº 5007975- 25.2013.4.04.7003, considerando o reconhecimento do direito ao benefício em momento posterior à citação, os juros moratórios são devidos a partir da DER reafirmada. . Determinada a imediata implantação do benefício" (fls. 472/473e). O acórdão em questão foi objeto de Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados (fls. 497/503e). Nas razões do Recurso Especial, interposto com base no art. 105, III, a da Constituição Federal, a parte ora recorrente aponta, além de negativa de prestação jurisdicional, violação aoart. 927, III do CPC/2015 e aos arts.389, 394, 395 e 396, todos do Código Civil de 2002,sustentandoque "considerando que o direito do segurado somente foi reconhecido diante fato superveniente ao ajuizamento da demanda, inexiste mora do INSS caso a obrigação seja cumprida no prazo fixado por este d. juízo" (fl. 515e), bem assim ao art. 85, do CPC/2015, ao argumento de que "tratando-se o pedido de "reafirmação da DER"da pretensão de utilização de fato superveniente para reconhecimento do direito do autor, afasta-se a relação de causa entre o indeferimento administrativo e o ajuizamento da demanda" (fl. 514e). Por fim, requer "seja o recurso conhecido e provido, a fim de que haja a reforma do acórdão regional, para:a) afastar a condenação em honorários advocatícios;b) afastar a aplicação de juros moratórios nos termos acima expostos ou, alternativamente, fixá-los a partir da data do reconhecimento do direito caso esta seja posterior a citação o INSS.Se assim não entender esta C. Turma de E. STJ, o INSS requer a anulação da decisão que rejeitou os embargos de declaração, por afronta ao artigo 1.022, II do CPC, para que o Tribunal Regional a quo profira outra, suprindo a omissão/contradição sobre a matéria federal que embasa a tese do recorrente" (fl. 516e). O Recurso Especial teve seu seguimento negado no que tange à aplicação do Tema 995/STJ e foi admitido somente no que tange aos juros moratórios (fls. 524/526e). A irresignação merece prosperar em parte. Inicialmente, em relação ao art. 1.022 do CPC/2015, deve-se ressaltar que o acórdão recorrido não incorreu em omissão, uma vez que o voto condutor do julgado apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes, contudo, solução jurídica diversa da pretendida pela parte recorrente. Vale destacar, ainda, que não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional. Nesse sentido: STJ, REsp 1.129.367/PR, Rel. Ministra DIVA MALERBI (Desembargadora Federal convocada/TRF 3ª Região), SEGUNDA TURMA, DJe de 17/06/2016; REsp 1.078.082/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 02/06/2016; AgRg no REsp 1.579.573/RN, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 09/05/2016; REsp 1.583.522/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 22/04/2016. Quanto ao mais, melhor sorte socorre a parte recorrente. Isto porque, em ralação fixação de juros moratórios no presente feito, o Tribunal a quo assim se manifestou: "Juros de mora A partir de 30/06/2009, os juros incidem, de uma só vez, a contar da citação, de acordo com os juros aplicáveis à caderneta de poupança, conforme o art. 5º da Lei 11.960/2009, que deu nova redação ao art. 1º-F da Lei n.º 9.494/1997. Contudo, no caso de benefício concedido por meio da reafirmação da DER com data posterior à citação, os juros de mora não deverão incidir a contar da citação, mas, sim, a partir da reafirmação da DER, conforme definido pela 3ª Seção deste Tribunal, em Incidente de Assunção de Competência (TRF4 50079755.2013.4.04.7003, 5ª Turma, Relator Desembargador Paulo Afonso Brum Vaz, juntado aos autos em 18/4/2017)" (fl. 469e). Porém, ao assim decidir, o Tribunal de origem dissentiu da jurisprudência assente nessa Corte de Justiça vez que referido temafoi objeto de análise, pela Primeira Seção do STJ, sob o rito dos julgamentos repetitivos,no julgamento dosEmbargos de Declaraçãono Recurso Especial 1.727.063/SP, de Relatoria doMinistro MAURO CAMPBELL MARQUES, que fixou entendimento no sentido de queos juros de mora, nos casos de reafirmação da Data de Requerimento (DER) para data posterior ao ajuizamento da ação, somente devem incidira partir do prazo de 45 (quarenta e cinco) dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício. A propósito, confira-se a ementa do referido julgado: "PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. Embargos de declaração opostos pelo INSS, em que aponta obscuridade e contradição quanto ao termo inicial do benefício reconhecido após reafirmada a data de entrada do requerimento. 2. É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 3. Conforme delimitado no acórdão embargado, quanto aos valores retroativos, não se pode considerar razoável o pagamento de parcelas pretéritas, pois o direito é reconhecido no curso do processo, após o ajuizamento da ação, devendo ser fixado o termo inicial do benefício pela decisão que reconhecer o direito, na data em que preenchidos os requisitos para concessão do benefício, em diante, sem pagamento de valores pretéritos. 4. O prévio requerimento administrativo já foi tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, julgamento do RE 641.240/MG. Assim, mister o prévio requerimento administrativo, para posterior ajuizamento da ação, nas hipóteses ali delimitadas, o que não corresponde à tese sustentada de que a reafirmação da DER implica na burla do novel requerimento. 5. Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirão, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, embutidos no requisitório de pequeno valor. 6. Quanto à obscuridade apontada, referente ao momento processual oportuno para se reafirmar a DER, afirma-se que o julgamento do recurso de apelação pode ser convertido em diligência para o fim de produção da prova. 7. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo"(STJ, EDcl no REsp 1.727.063/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 21/05/2020). Sendo assim, somente no caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício no prazo razoável de até 45 dias, incidirão juros moratórios sobre as parcelas vencidas. Nessa mesma linha, confira-se, ainda, os seguintes julgados: REsp 1.938.586/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe de 01/06/2021; REsp 1.936.349/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, DJe de 14/06/2021; REsp 1.927.856/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, DJe de 03/05/2021; Resp 1.927.876/RS, Rel. Ministro MANOEL ERHARDT (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF-5ª REGIÃO), Dje de 24/06/2021; Resp 1.944.049/PR, Rel. Ministra Regina Helena Costa, Dje de 03/08/2021. Assim, por não guardar harmonia com o entendimento assente nesta Corte, o acórdão ora recorridomerece reparos, no ponto, aplicando-se ao caso entendimento consolidado na Súmula 568/STJ, in verbis: "O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, III, do RISTJ, dou parcial provimento ao Recurso Especial, a fim de reconhecer a possibilidade de incidência de juros moratóriosapenas a partir do prazo de 45 (quarenta e cinco) dias fixado pelo juízo para a implantação do benefício requerido. I.