REsp 1952008 - DECISAO
O Tribunal manteve o entendimento do STJ no Tema 995 de que a reafirmação da DER é possível nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015 e que, se a DER for reafirmada para data posterior ao ajuizamento, os juros moratórios somente incidem caso o INSS não implante o benefício no prazo de 45 dias, de modo que não houve...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 August 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Da Cf) / Julgamento Do Recurso Especial Decisão De Mérito (nega Provimento)
- Outcome
- Nego provimento ao Recurso Especial.
- Legal Topics
- Reafirmação Da DER, Juros De Mora, Tema 995/stj, Embargos De Declaração, Execução Contra O INSS, Implantação Do Benefício (prazo De 45 Dias)
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Procedural Posture
Recurso Especial (art. 105, Iii, "a", Da Cf) / Julgamento Do Recurso Especial Decisão De Mérito (nega Provimento)
Legal Issues
- 1 Possibilidade de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento da ação
- 2 Momento de incidência dos juros moratórios na hipótese de reafirmação da DER
- 3 Alegação de omissão nos termos do art. 1.022 do CPC/2015
Ratio Decidendi
O Tribunal manteve o entendimento do STJ no Tema 995 de que a reafirmação da DER é possível nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015 e que, se a DER for reafirmada para data posterior ao ajuizamento, os juros moratórios somente incidem caso o INSS não implante o benefício no prazo de 45 dias, de modo que não houve omissão a ensejar acolhimento do recurso e, assim, negou-se provimento ao Recurso Especial.
Court Disposition
Nego provimento ao Recurso Especial.
Orders
- Nego provimento ao Recurso Especial.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Recurso Especial (art. 105, III, "a", da CF) interposto contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região cuja ementa é a seguinte (fl. 911, e-STJ): PREVIDENCIÁRIO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TEMA 995/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER. Nos termos do Tema nº 995 do Superior Tribunal de Justiça, "é possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir." Os Embargos de Declaração foram rejeitados (fl. 947, e-STJ). O recorrente, nas razões do Recurso Especial, alega que ocorreu violação dos arts. 240, 927, III, e 1.022 do CPC e dos arts. 394 e 398 do CC. Afirma que houve negativa de prestação jurisdicional. Defende, em suma, que os juros devem ser fixados na data da DER reafirmada, e não apenas se o INSS deixar de implantar o benefício no prazo de 45 dias. Contrarrazões apresentadas às fls. 978-986, e-STJ. Decisão de admissibilidade do recurso às fls. 989-990, e-STJ. É o relatório. Decido. Os autos foram recebidos neste Gabinete em 6/8/2021. Inicialmente, constato que não se configura a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a lide e solucionou, de maneira amplamente fundamentada, a controvérsia, em conformidade com o que lhe foi apresentado. Claramente se observa que não se trata de omissão, contradição ou obscuridade, tampouco de correção de erro material, mas sim de inconformismo direto com o resultado do acórdão, que foi contrário aos interesses da parte recorrente. A mera insatisfação com o conteúdo da decisão não enseja Embargos de Declaração, recurso que se presta a sanar os vícios previstos no art. 1.022 do CPC/2015, pertinentes à análise dos temas trazidos à tutela jurisdicional no momento processual oportuno. No mérito, melhor sorte não assiste ao recorrente. O Tribunal de origem, ao dirimir a controvérsia, assim se manifestou (fl. 947, e-STJ): Quanto à reafirmação da DER, em 21.05.2020 foi publicado o julgamento dos embargos de declaração opostos nos recursos especiais afetados ao Tema 995, cujo voto do Relator, Min. Mauro Campbell Marques, esclareceu que não há necessidade de novo requerimento administrativo para a reafirmação da DER; que a reafirmação pode ser deferida no curso do processo ainda que não haja pedido expresso na inicial; que pode ser reconhecido o direito a benefício diverso do requerido; que o benefício é devido a partir do momento em que reconhecido o direito; que pode ser juntada prova na fase de apelação; que se a reafirmação da DER for feita para data posterior ao ajuizamento da ação (o que era o objeto do Tema) os juros moratórios somente incidirão se o INSS não implantar o benefício no prazo de 45 dias, sendo então contados a partir desse momento, verbis: (..) Assim, quanto aos juros de mora, tratando-se de reafirmação da DER para data posterior ao ajuizamento da ação, os juros de mora incidem apenas sobre o montante das parcelas vencidas e não pagas a partir do prazo de 45 dias para a implantação do benefício. Como se nota, ao contrário do que alega o embargante, é cabível a incidência de juros de mora, todavia de acordo com tais parâmetros. Essa determinação já está contida no voto-condutor do julgado (ev. 97, RELVOTO2): Juros moratórios Se o segurado optar pela aposentadoria com a DER reafirmada, que é posterior ao ajuizamento da ação, os juros moratórios incidirão somente se o INSS não implantar o benefício no prazo de 45 dias (conforme decidido no Tema 995), contados de sua intimação após a manifestação de opção do autor. O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento, ao apreciar o Tema 995, sob o rito dos recursos repetitivos, de que "é possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir". Por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração no REsp. 1.727.063/SP, a Primeira Seção estabeleceu: Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso da reafirmação da DER, conforme delimitado no acórdão embargado, o direito é reconhecido no curso do processo, não havendo que se falar em parcelas vencidas anteriormente ao ajuizamento da ação. Por outro lado, no caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirá, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, a serem embutidos no requisitório. A propósito, confira-se a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. Embargos de declaração opostos pelo INSS, em que aponta obscuridade e contradição quanto ao termo inicial do benefício reconhecido após reafirmada a data de entrada do requerimento. 2. É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 3. Conforme delimitado no acórdão embargado, quanto aos valores retroativos, não se pode considerar razoável o pagamento de parcelas pretéritas, pois o direito é reconhecido no curso do processo, após o ajuizamento da ação, devendo ser fixado o termo inicial do benefício pela decisão que reconhecer o direito, na data em que preenchidos os requisitos para concessão do benefício, em diante, sem pagamento de valores pretéritos. 4. O prévio requerimento administrativo já foi tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, julgamento do RE 641.240/MG. Assim, mister o prévio requerimento administrativo, para posterior ajuizamento da ação, nas hipóteses ali delimitadas, o que não corresponde à tese sustentada de que a reafirmação da DER implica na burla do novel requerimento. 5. Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirão, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, embutidos no requisitório de pequeno valor. 6. Quanto à obscuridade apontada, referente ao momento processual oportuno para se reafirmar a DER, afirma-se que o julgamento do recurso de apelação pode ser convertido em diligência para o fim de produção da prova. 7. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo. (EDcl no REsp 1.727.063/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 21/05/2020) Dessume-se que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual posicionamento do STJ, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial. Publique-se. Intimem-se.