REsp 2037955 - DECISAO
Aplicando-se o entendimento do Tema 995/STJ sobre reafirmação da DER, decidiu-se que a reafirmação é cabível e que, quando o termo inicial do benefício for fixado para momento posterior ao ajuizamento, os juros moratórios só incidem a partir do 45º dia sem cumprimento da decisão judicial; quanto aos honorários...
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- Parties
- Recorrente: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS; Apelada: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 June 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Juízo De Retratação; Decisão De Mérito
- Outcome
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento. Prejudicado o agravo interno.
- Legal Topics
- Reafirmação Da DER, Aposentadoria Especial, Aposentadoria Por Tempo De Contribuição, Juros Moratórios, Honorários Sucumbenciais, Recursos Repetitivos (tema 995/stj)
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Parties
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrente
parte autora
Apelada
Procedural Posture
Recurso Especial / Juízo De Retratação; Decisão De Mérito
Legal Issues
- 1 Possibilidade de reafirmação da DER para momento posterior ao ajuizamento
- 2 Incidência de juros moratórios a partir do 45º dia sem cumprimento da determinação judicial
- 3 Fixação e base de cálculo dos honorários sucumbenciais quando há reconhecimento do pedido pela autarquia ou quando há reconhecimento de tempo negado pelo INSS
Ratio Decidendi
Aplicando-se o entendimento do Tema 995/STJ sobre reafirmação da DER, decidiu-se que a reafirmação é cabível e que, quando o termo inicial do benefício for fixado para momento posterior ao ajuizamento, os juros moratórios só incidem a partir do 45º dia sem cumprimento da decisão judicial; quanto aos honorários sucumbenciais, manteve‑se a distribuição tal como fixada em sentença, considerando-se a natureza das parcelas reconhecidas e o princípio da causalidade, e, em juízo de retratação, conheceu‑se parcialmente do recurso especial e negou‑se-lhe provimento.
Court Disposition
Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento. Prejudicado o agravo interno.
Orders
- Torno sem efeito a decisão anterior proferida nos autos
- Conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, com fundamento nas alínea "a" do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementado (fls. 744/745): PREVIDENCIÁRIO. TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. APOSENTADORIA ESPECIAL NA DER. NÃO CONCESSÃO. PEDIDO SUCESSIVO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO/CONTRIBUIÇÃO. REGRA 85/95. REAFIRMAÇÃO DA DER. POSSIBILIDADE. CONCESSÃO. CONSECTÁRIOS. IMPLANTAÇÃO DO BENEFÍCIO. 1. Comprovado que não houve a exposição do segurado a agente nocivo, nem atividade legalmente considerada nociva, na forma exigida pela legislação previdenciária aplicável à espécie, impossível reconhecer-se a especialidade da atividade laboral por ele exercida. 2. Não tem direito à aposentadoria especial na DER o segurado que não possui tempo de serviço suficiente à concessão do benefício. 3. A possibilidade da reafirmação da DER foi objeto do REsp 1.727.063/SP, REsp 1.727.064/SP e REsp 1.727.069/SP, representativos da controvérsia repetitiva descrita no Tema 995 - STJ, com julgamento em 22/10/2019, cuja tese firmada foi no sentido de que é possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 4. Considerado o pedido sucessivo, tem direito à aposentadoria por tempo de serviço/contribuição o segurado que, mediante a soma do tempo judicialmente reconhecido com o tempo computado na via administrativa, possuir tempo suficiente e implementar os demais requisitos para a concessão do benefício. 5. Correção monetária a contar do vencimento de cada prestação, calculada pelo INPC, para os benefícios previdenciários, a partir de 04/2006, conforme o art. 31 da Lei n.º 10.741/03, combinado com a Lei n.º 11.430/06, precedida da MP n.º 316, de 11/08/2006, que acrescentou o art. 41-A à Lei n.º 8.213/91. 6. No presente caso, conforme o que foi decidido no IAC nº 5007975-25.2013.4.04.7003, considerando o reconhecimento do direito ao benefício em momento posterior à citação, os juros moratórios são devidos a partir da DER reafirmada. 7. Determinada a imediata implantação do benefício. Os embargos declaratórios opostos foram rejeitados (fls. 798/799). Aponta o recorrente violação dos arts. 85, caput, 927, III, e 1.022, II, do CPC; 389, 394, 395 e 396 do CC. Sustenta, em síntese: (I) negativa de prestação jurisdicional; (II) ser indevida, na espécie, a incidência de juros legais, considerando a inexistência de mora do INSS e (III) que se afaste a condenação em honorários advocatícios. Aduz que, "No caso dos autos, a c. Turma julgadora, em que pese adotar a tese firmada pelo E. STJ para reconhecer a possibilidade de reafirmação da DER, não seguiu os parâmetros da Corte Superior no que se refere a fixação do termo inicial do benefício, dos juros de mora e da base de cálculo dos honorários advocatícios, uma vez que determinou o pagamento das parcelas vencidas desde a DER, reafirmada, acrescido de juros desde a DER reafirmada e honorários advocatícios sobre o valor da condenação" (fl. 814) Afirma que, "No caso dos autos, o INSS não se insurgiu quanto a possibilidade de reafirmação da DER, nem tampouco houve descumprimento da obrigação reconhecida pelo d. juízo, razão pela qual não são devidos honorários ao patrono do autor" (fl. 815). Em juízo de retratação, o Tribunal de origem acolheu os embargos de declaração para dar-lhes efeitos infringentes, determinando que os juros somente incidirão a partir do 45º (quadragésimo quinto) dia sem cumprimento da decisão judicial, conforme se observa na ementa proferida: PREVIDENCIÁRIO. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. TEMA 995 DO STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER. JUROS DE MORA. 1. No caso de benefício concedido por meio da reafirmação da DER com fixação de termo inicial do benefício em momento posterior ao ajuizamento, somente haverá mora, com a consequente incidência de juros moratórios, a partir do 45º dia sem cumprimento da determinação judicial (conforme esclarecido nos EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1727063). 2. Alteração do entendimento adotado pela Turma, em sede de juízo de retratação, para acolher os embargos de declaração opostos pelo INSS para, com atribuição de efeitos infringentes, determinar que os juros moratórios somente incidirão a partir do 45º dia sem cumprimento da determinação judicial. Em anterior assentada, determinou-se o envio dos autos à origem, a fim de se aguardar o julgamento do Tema 1.059 dos recursos repetitivos (fls. 960/963). Entretanto, o Tribunal de origem remeteu os autos a esta Corte, afirmando não se tratar daquele tema, mas de insurgência contra a condenação da autarquia previdenciária em honorários, em processo em que a reafirmação da DER ter-se-ia dado sem oposição de sua parte (fls. 977/978). Reconhecido o equívoco, proferi decisão conhecendo parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, dando-lhe provimento, apenas para afastar a condenação da autarquia previdenciária em honorários (fls. 989/993), contra a qual foi manejado agravo interno (fls. 997/1.007), pendente de apreciação. É O RELATÓRIO. PASSO À FUNDAMENTAÇÃO. Melhor compulsando os autos, exerço o juízo de retratação facultado pelos arts. 1.021, § 2º, 2ª parte, do CPC, e 259 do RISTJ, e reconsidero a decisão agravada, tornando-a sem efeito , pelo que passo à nova análise do recurso. De início, reconhece-se o equívoco quanto à indicação do Tema 1.059/STJ, por não haver, no recurso especial, insurgência quanto a honorários previstos no art. 85, § 11, do CPC. Identificado o erro, procede-se à reanálise do recurso. No caso em questão, inexistem omissão, contradição, obscuridade ou erro material, uma vez que, pela leitura do inteiro teor do acórdão embargado, depreende-se que este apreciou devidamente a matéria em debate e analisou de forma exaustiva, clara e objetiva as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. No mérito, a questão dos autos diz respeito ao juízo de adequação quanto ao entendimento firmado por este Superior Tribunal no julgamento do Recurso Especial 1.727.063/SP - Tema 995/STJ, processado pelo rito dos feitos repetitivos. Com efeito, o cerne da controvérsia instalada está na necessidade de observância aos parâmetros fixados por esta Corte, no caso de reafirmação da DER, relativamente aos consectários da condenação, os quais restaram elucidados no curso do julgamento dos referidos recursos repetitivos. Confira-se, a propósito, a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. O comando do artigo 493 do CPC/2015 autoriza a compreensão de que a autoridade judicial deve resolver a lide conforme o estado em que ela se encontra. Consiste em um dever do julgador considerar o fato superveniente que interfira na relação jurídica e que contenha um liame com a causa de pedir. 2. O fato superveniente a ser considerado pelo julgador deve guardar pertinência com a causa de pedir e pedido constantes na petição inicial, não servindo de fundamento para alterar os limites da demanda fixados após a estabilização da relação jurídico-processual. 3. A reafirmação da DER (data de entrada do requerimento administrativo), objeto do presente recurso, é um fenômeno típico do direito previdenciário e também do direito processual civil previdenciário. Ocorre quando se reconhece o benefício por fato superveniente ao requerimento, fixando-se a data de início do benefício para o momento do adimplemento dos requisitos legais do benefício previdenciário. 4. Tese representativa da controvérsia fixada nos seguintes termos: É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 5. No tocante aos honorários de advogado sucumbenciais, descabe sua fixação, quando o INSS reconhecer a procedência do pedido à luz do fato novo. (grifei). 6. Recurso especial conhecido e provido, para anular o acórdão proferido em embargos de declaração, determinando ao Tribunal a quo um novo julgamento do recurso, admitindo-se a reafirmação da DER. Julgamento submetido ao rito dos recursos especiais repetitivos (REsp 1.727.063/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 02/12/2019) Cumpre ressaltar também os esclarecimentos consignados no julgamento do recurso integrativo, do qual se colhe a respectiva ementa: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 3/STJ. REAFIRMAÇÃO DA DER (DATA DE ENTRADA DO REQUERIMENTO). CABIMENTO. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS, SEM EFEITO MODIFICATIVO. 1. Embargos de declaração opostos pelo INSS, em que aponta obscuridade e contradição quanto ao termo inicial do benefício reconhecido após reafirmada a data de entrada do requerimento. 2. É possível a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para o momento em que implementados os requisitos para a concessão do benefício, mesmo que isso se dê no interstício entre o ajuizamento da ação e a entrega da prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, nos termos dos arts. 493 e 933 do CPC/2015, observada a causa de pedir. 3. Conforme delimitado no acórdão embargado, quanto aos valores retroativos, não se pode considerar razoável o pagamento de parcelas pretéritas, pois o direito é reconhecido no curso do processo, após o ajuizamento da ação, devendo ser fixado o termo inicial do benefício pela decisão que reconhecer o direito, na data em que preenchidos os requisitos para concessão do benefício, em diante, sem pagamento de valores pretéritos. 4. O prévio requerimento administrativo já foi tema decidido pelo Supremo Tribunal Federal, julgamento do RE 641.240/MG. Assim, mister o prévio requerimento administrativo, para posterior ajuizamento da ação, nas hipóteses ali delimitadas, o que não corresponde à tese sustentada de que a reafirmação da DER implica na burla do novel requerimento. 5. Quanto à mora, é sabido que a execução contra o INSS possui dois tipos de obrigações: a primeira consiste na implantação do benefício, a segunda, no pagamento de parcelas vencidas a serem liquidadas e quitadas pela via do precatório ou do RPV. No caso de o INSS não efetivar a implantação do benefício, primeira obrigação oriunda de sua condenação, no prazo razoável de até quarenta e cinco dias, surgirão, a partir daí, parcelas vencidas oriundas de sua mora. Nessa hipótese deve haver a fixação dos juros, embutidos no requisitório de pequeno valor. (grifei). 6. Quanto à obscuridade apontada, referente ao momento processual oportuno para se reafirmar a DER, afirma-se que o julgamento do recurso de apelação pode ser convertido em diligência para o fim de produção da prova. 7. Embargos de declaração acolhidos, sem efeito modificativo. (EDcl no REsp 1.727.063/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 19/05/2020, DJe 21/05/2020) No que diz respeito aos juros, nos casos da reafirmação da DER para momento posterior ao ajuizamento da ação, evidente a ausência de interesse recursal, tendo em vista que a pretensão já foi acolhida pelo Tribunal de origem, consoante se vê do seguinte excerto do voto condutor do aresto hostilizado (fl. 853): Contudo, no caso de benefício concedido por meio da reafirmação da DER com fixação de termo inicial do benefício em momento posterior ao ajuizamento, como na hipótese dos autos, somente haverá mora, com a consequente incidência de juros moratórios, a partir do 45º dia sem cumprimento da determinação judicial (conforme esclarecido nos E Dcl no RECURSO ESPECIAL Nº1727063). Sendo assim, uma vez que o julgado desta Turma (evento 22,RELVOTO1) é contrário à tese firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, impõe-se o acolhimento parcial dos embargos de declaração do INSS para, com atribuição de efeitos infringentes, determinar que os juros de mora somente incidam a partir a partir do 45º dia sem cumprimento da determinação judicial. Quanto aos honorários de sucumbência, o Tribunal de origem os fixou nos seguinte termos (fls. 741/742): Verbas Sucumbenciais A parte autora pleiteia que o INSS arque com a totalidade das verbas sucumbenciais. A sentença assim dispôs a respeito: Tendo em conta os critérios dos incisos I a IV do § 2º do artigo 85 do CPC, inexistindo por ora motivo a ensejar diferenciado tratamento e majoração do percentual, fixo os honorários advocatícios no percentual mínimo de cada uma das faixas de valor no § 3º daquele preceito, aplicando-se a evolução tratada no § 5º, conforme o valor da condenação a ser apurado quando da futura liquidação da sentença (inciso II do § 4º do art. 85 c/c o art. 509), esclarecendo que a base de cálculo da verba honorária compreenderá apenas a soma das prestações vencidas até a data de publicação desta sentença (Súmulas n. 76 do TRF-4 e 111 do STJ). Verificada sucumbência de ambas as partes (proibida a compensação da verba honorária entre elas - art. 85, § 14), tendo em vista a rejeição do pedido de concessão do benefício de aposentadoria especial na DER pretendida, bem como o de reconhecimento de especialidade de cinco dos seis períodos postulados; a teor do art. 86 do CPC os honorários deverão ser rateados no percentual de 80% a favor da parte autora e de 20% a favor do INSS, suspensa a exigibilidade da condenação em relação à parte autora, em razão da concessão da gratuidade de justiça. Deverá cada uma das partes, ainda, arcar o pagamento das custas processuais na mesma proporção, dispensado o seu pagamento pelo INSS, consoante o art. 4º da Lei n. 9.289/96, e suspensa a exigibilidade em face da parte autora, em razão da gratuidade. Condeno a autarquia a ressarcir os honorários periciais já adiantados à Seção Judiciária do Rio Grande do Sul. (Grifei) Ocorre que esta Turma posiciona-se, em casos como o presente, em que a concessão de benefício dá-se somente por reafirmação em período substancialmente posterior ao requerimento original, pela fixação de honorários a serem suportados por ambas as partes, à razão de 50% para cada, observada a AJG, quando já deferida, como no presente feito. Assim sendo, mantenho a distribuição dos ônus sucumbenciais na forma fixada em sentença ante a vedação de reformatio in pejus. Majoração dos honorários de sucumbência Não é o caso de majoração dos honorários, nos termos do art. 85, § 11, NCPC, pois tal majoração, como qualquer fixação de honorários de sucumbência, deve atender ao princípio da causalidade. Na hipótese, não tendo o INSS recorrido da sentença, não deu causa ao trabalho adicional em grau de recurso, que é o que justifica a fixação dos honorários nessa etapa processual. Não tendo dado causa a esse trabalho adicional, não pode ser imputado ao INSS o ônus em questão. E, nos embargos de declaração, acrescentou (fl. 853): Por outro lado, quanto aos honorários advocatícios, entendo que não é caso de retratação. Com efeito, caso a parte autora opte pelo benefício concedido mediante reafirmação da DER, para o momento posterior ao ajuizamento da ação, há que se considerar que, no julgamento do Tema 995 e respectivos embargos de declaração, o STJ decidiu serem indevidos honorários advocatícios quando inexistente oposição da autarquia quanto à reafirmação da DER. Porém, filio-me ao entendimento de que tal orientação - que, a propósito, não consta da tese abstrata do mencionado tema - não pode desconsiderar os casos que envolvem reconhecimento de tempo negado pelo INSS, quer urbano rural ou especial, o qual, em muitos casos, consiste no cerne da controvérsia, independente de reafirmação ou não da DER de curto período. Dessa forma, nesses casos, a verba honorária é reduzida pela própria redução da base de cálculo da condenação. Valho-me, no ponto, das valiosas considerações do Des. Federal Celso Kipper nos autos n.º 5043719- 75.2017.4.04.9999/SC, posição que, inclusive, prevaleceu sob o quórum do art. 942 do CPC: (..) No presente caso, o recurso especial não impugnou fundamento basilar que ampara o acórdão recorrido na fixação dos honorários, qual seja, "não se pode desconsiderar os casos que envolvem reconhecimento de tempo negado pelo INSS, quer urbano rural ou especial, o qual, em muitos casos, consiste no cerne da controvérsia, independente de reafirmação ou não da DER de curto período", esbarrando, pois, no obstáculo da Súmula 283/STF, que assim dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". A respeito do tema: AgInt no REsp 1.711.262/SE, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 17/2/2021; AgInt no AREsp 1.679.006/SP, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe 23/2/2021. ANTE O EXPOSTO, em juízo de retratação, torno sem efeito a decisão anterior (fls. 881/885), e, em novo exame, conheço parcialmente do recurso especial, para, nessa extensão, negar-lhe provimento. Prejudicado, com essa decisão de mérito, o agravo interno de fls. 887/918. Publique-se. EMENTA