AREsp 2924852 - DECISAO
Negou-se provimento ao agravo porque a fundamentação do recurso especial era deficiente: o art. 927, III, do CPC/2015, isoladamente, não estabelece critérios para reajustes de planos de saúde; a matéria não foi objeto de debate na decisão recorrida (falta de prequestionamento), incidindo as Súmulas n. 282 e 356 do...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 October 2025
- Procedural Posture
- Agravo Nos Próprios Autos / Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
- Outcome
- Negou provimento ao agravo
- Legal Topics
- Reajuste De Planos De Saúde Coletivos, Prequestionamento E Súmulas Do Stf/stj, Honorários Advocatícios, Litigância De Má Fé, Interpretação De Cláusulas Contratuais
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Procedural Posture
Agravo Nos Próprios Autos / Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 inadmissibilidade do recurso especial por aplicação das Súmulas n. 5 e 7 do STJ
- 2 alcance e eficácia do art. 927, III, do CPC/2015 quanto a critérios de reajuste de planos de saúde
- 3 prequestionamento e óbice das Súmulas n. 282 e 356 do STF
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo porque a fundamentação do recurso especial era deficiente: o art. 927, III, do CPC/2015, isoladamente, não estabelece critérios para reajustes de planos de saúde; a matéria não foi objeto de debate na decisão recorrida (falta de prequestionamento), incidindo as Súmulas n. 282 e 356 do STF, e aplicou-se por analogia a Súmula n. 284 do STF à falta de fundamentação adequada; reconheceu-se também que não houve demonstração de litigância de má-fé. Foi majorado honorários advocatícios em 20% na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo
Orders
- Nego provimento ao agravo
- Rejeitado o pedido de condenação por litigância de má-fé
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo nos próprios autos (CPC/2015, art. 1.042) interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial, ante a aplicação das Súmulas n. 5 e 7 do STJ (fls. 944-951). O acórdão do TJBA traz a seguinte ementa (fls. 810-811): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO. AÇÃO REVISIONAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. AUTOGESTÃO. REVISÃO. REAJUSTES ANUAIS. INOBSERVÂNCIA AOS ÍNDICES DA ANS. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. No que diz respeito aos acréscimos nas mensalidades, ora impugnados, ao contrário do que ocorre com os planos individuais, a ANS não definiu teto de reajustes anuais para os planos coletivos, de modo que os índices são livremente ajustados. Contudo, em análise, o que se observa é a ausência de clareza e de critérios a serem utilizados pela operadora de plano de saúde, quando da composição do índice de reajuste, a fim de que sejam bem conhecidos pela parte contratante, quando da apuração dos índices em questão. De mais a mais, apesar de se tratar de contrato de autogestão a conduta da agravada mostra-se abusiva, à luz dos arts. 423 e 424 do Código Civil, devendo as cláusulas contratuais ambíguas serem interpretadas em favor do aderente. Não se pode olvidar que o contrato de plano de saúde é um contrato de trato sucessivo, cuja finalidade é proteger a vida humana, não podendo os lucros visados pelas seguradoras em seu ramo de atividades superar este bem jurídico. No recurso especial (fls. 837-859), fundamentado no art. 105, III, "a", da CF, a parte recorrente aduziu violação do art. 927, III, do CPC/2015, afirmando que, "embora o tribunal a quo, embora tenha invalidado o reajuste etário e anual aplicados ao contrato após o estatuto do idoso, não aplicou corretamente a tese firmada no Tema 1.016 do STJ, determina que, na hipótese de ser considerado abusivo o reajuste por mudança de faixa etária e anual, a apuração de novo índice de reajuste deverá ocorrer por meio de cálculos atuariais na fase de cumprimento de sentença" (fl. 845). Foram ofertadas contrarrazões, requerendo a condenação da recorrente ao pagamento de multa por litigância de má-fé, assim como o arbitramento de honorários recursais (fls. 911-943). No agravo (fls. 953-968), afirma a presença de todos os requisitos de admissibilidade do especial. Contraminuta apresentada (fls. 973-986). É o relatório. Decido. A fim de sustentar a apuração, no cumprimento de sentença, do novo do índice de reajuste do plano de saúde por faixa de etária, por meio de cálculos atuariais, após a Corte local considerar abusivo os critérios aplicados pelo plano de saúde, a parte recorrente apontou violação do art. 927, III, do C PC/2015. Ocorre que tal dispositivo legal, isoladamente, não possui o alcance normativo pretendido, porque nada dispõe dos critérios dos reajustes dos contratos de assistência à saúde. Dessa forma, a fundamentação recursal mostra-se deficiente e atrai, por analogia, a Súmula n. 284/STF. Nesse aspecto: AgInt no AgInt no AREsp n. 984.530/SP, Relator Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 21/9/2017, DJe 20/10/2017, e AgInt no REsp n. 1.505.441/SC, Relator Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/6/2017, DJe 2/8/2017. A Corte local não se manifestou quanto ao art. 927, III, do CPC/2015, sob o ponto de vista da parte recorrente. Dessa forma, sem ter sido objeto de debate na decisão recorrida e ante a falta de aclaratórios no ponto, a matéria contida em tal dispositivo carece de prequestionamento e sofre, por conseguinte, o empecilho das Súmulas n. 282 e 356 do STF. E ainda, não tendo a parte impugnado o conteúdo normativo dos arts. 423 e 424 do CC/2002, que justificou o reconhecimento do abuso aqui referido, aplicável a Súmula n. 283/STF. Por fim, rejeito o pedido de condenação da agravante à multa por litigância de má-fé, visto que não ficou demonstrada conduta maliciosa ou temerária a justificar tal sanção, pois a parte tão somente intentava a reforma da decisão que lhe foi desfavorável. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo. Na forma do art. 85, § 11, do CPC/2015, MAJORO os honorários advocatícios em 20% (vinte por cento) do valor arbitrado, observando-se os limites dos §§ 2º e 3º do referido dispositivo. Publique-se e intimem-se. EMENTA