REsp 1981034 - DECISAO
Não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento sobre ponto decisivo suscitada pela recorrente (incidência, por analogia, da Súmula 282/STF) e pela existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido não impugnados pelo recorrente (incidência, por analogia, da Súmula 283/STF), além...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: SUL AMERICA SERVICOS DE SAUDE S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido
- Outcome
- Não conheço do recurso especial.
- Legal Topics
- Reajuste Por Faixa Etária, Sinistralidade, Falsa Coletivização, Prequestionamento, Súmulas 5 E 7 Do STJ, Honorários Sucumbenciais
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
SUL AMERICA SERVICOS DE SAUDE S.A.
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido
Legal Issues
- 1 admissibilidade do recurso especial por ausência de prequestionamento
- 2 incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 283 do STF
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas pelas Súmulas 5 e 7 do STJ
Ratio Decidendi
Não conhecer do recurso especial em razão da ausência de prequestionamento sobre ponto decisivo suscitada pela recorrente (incidência, por analogia, da Súmula 282/STF) e pela existência de fundamentos suficientes no acórdão recorrido não impugnados pelo recorrente (incidência, por analogia, da Súmula 283/STF), além da impossibilidade de reexame do conjunto fático-probatório e de interpretação contratual neste recurso, conforme Súmulas 5 e 7 do STJ; consequentemente, negado provimento ao recurso e mantida a decisão de origem sobre a abusividade dos reajustes.
Court Disposition
Não conheço do recurso especial.
Orders
- Não conheço do recurso especial.
- Majorar os honorários sucumbenciais para R$ 1.500,00, atualizados desde o arbitramento na origem, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por SUL AMERICA SERVICOS DE SAUDE S.A., com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "AÇÃO DE REVISÃO DE CLÁUSULA CONTRATUAL E RESTITUIÇÃO DE VALORES PAGOS A MAIOR. Plano de saúde. Reajustes por faixa etária e sinistralidade. Pleito de downgrade para uma das beneficiárias. Contrato empresarial que abarca 06 (seis) vidas da mesma família. Sentença de procedência parcial que gerou recursos de ambas as partes. Aumento que, embora seja permitido, não pode extrapolar os limites do que se entende por razoável. Contrato que não é claro quanto ao aumento, contrariando completamente o Código de Defesa do Consumidor. Downgrade permitido. Reajustes por faixa etária que foram erroneamente aplicados e a destempo. Sentença parcialmente modificada, assim como também a sucumbência que deve ficar inteiramente a cargo da ré. Recurso dos autores provido, negando-se provimento ao da ré" (e-STJ fl. 729). Nas presentes razões, o recorrente alega, além de divergência jurisprudencial, a violação dos artigos 16 da Lei º 9656/1998. Sustenta que a aplicação do percentual da ANS de contratos individuais a contratos coletivos gera desequilíbrio contratual, devendo ser respeitado o reajuste previsto no contrato. Além disso, defende a legalidade do reajuste por faixa etária de acordo com o Tema nº 952/STJ. Alega que não mais comercializa planos individuais, o que leva à impossibilidade de inclusão da autora no plano almejado. Contrarrazões às e-STJ fls. 854/874. É o relatório. DECIDO. A insurgência não merece prosperar. No que se refere à tese de que o plano de saúde não mais comercializa planos individuais, verifica-se que a mesma não foi objeto de debate pelas instâncias ordinárias, sequer de modo implícito, e não foram opostos embargos declaratórios com a finalidade de sanar omissão porventura existente. Por esse motivo, ausente o requisito do prequestionamento, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada". A propósito: "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDO COMO AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 26 E 29 DA LEI 10.931 E 789 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ATRAÇÃO DO ENUNCIADO 282/STF. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONHECIDOS COMO AGRAVO INTERNO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO." (EDcl no REsp 1.789.134/RS, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, Terceira Turma, julgado em 30/11/2020, DJe de 3/12/2020 - grifou-se) No caso dos autos, o Tribunal de origem entendeu que o plano de saúde realizou reajustes abusivos, com base n os seguintes fundamentos: "(..) Na hipótese vertente, a ré, com sua defesa, não trouxe documento algum a revelar a defasagem da carteira; não comprovou que a sinistralidade se avolumou; sequer exibiu planilhas especificando os valores recebidos e os gastos efetivados ao longo do período de apuração. Nem mesmo (e principalmente) quando comunicou os reajustes, a ré se preocupou em demonstrar a pertinência dos aumentos para fins de manutenção do equilíbrio contratual. Ou seja, procedeu de modo abusivo, de forma unilateral e arbitrária, em comportamento identificado pela falta de transparência e pela violação do dever de informação. Dentro desse contexto, o reajuste promovido em função do aumento de sinistralidade, imposto unilateralmente pela ré, é ilegal. (..) Não se olvide que a falta de informação precisa a respeito desta significativa e confusa majoração compromete a boa-fé objetiva que se exige dos contratantes, tanto durante a formação quanto durante a execução da avença. (..) No que se refere à questão do reajuste por idade, o sentenciante deu adequada solução à lide ao assim observar: "(..) No entanto, não é o que se verifica da planilha de cálculo apresentada pela própria ré, na qual ela mesmo observa que os reajustes por faixa etária ocorreram em setembro de 2014, agosto de 2015 e setembro de 2019 (fls. 481/484), ou seja, sempre 1 mês antes do aniversários dos beneficiários, o que infringe a própria cláusula contratual." (fls. 573/574). (..)" (e-STJ fls. 735/738). Tais fundamentos, entretanto, não foram objeto de impugnação pela parte recorrente, atraindo a incidência, por analogia, da Súmula nº 283/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Confiram-se: "CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. RESCISÃO DO CONTRATO DE PLANO DE SAÚDE. ENVIO DA NOTIFICAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. FUNDAMENTOS NÃO IMPUGNADOS. SÚMULA Nº 283 DO STF, POR ANALOGIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. (..) 2. A ausência de combate aos fundamentos do acórdão recorrido, suficientes por si só, para a manutenção do decidido acarreta a incidência da Súmula n.º 283 do STF. 3. (..) 4. Agravo interno não provido." (AgInt no AREsp 2.157.654/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023 - grifou-se). Ademais, diante das premissas fáticas estabelecidas no acórdão, a alteração das conclusões demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e a incursão no conjunto fático-probatório dos autos, providências vedadas em recurso especial, a teor das Súmulas nºs 5 e 7/STJ. Nesse sentido: "CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CONTRATOS. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COM 8 (OITO) BENEFICIÁRIOS. FALSA COLETIVIZAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A PLANO FAMILIAR. REEXAME DE CONTEÚDO FÁTICO-PROBATÓRIO. INADMISSIBILIDADE. SÚMULAS N. 5 E 7 DO STJ. LIMITAÇÃO DOS REAJUSTES AOS ÍNDICES AUTORIZADOS PELA ANS. PRECEDENTES. 1. A Corte de origem entendeu que o plano de saúde, embora contratado na modalidade coletivo por adesão, deveria ser equiparado a um plano familiar, pois era composto de apenas oito beneficiários, todos da mesma família, configurando hipótese de falsa coletivização. 2. Para alterar o entendimento do Tribunal de origem quanto à falsa coletivização, seria necessário o reexame dos fatos e das provas, além da revisão de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial, a teor das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. Fixada a premissa da falsa coletivização, a jurisprudência desta Corte admite equiparação do plano coletivo ao familiar, ficando sujeito apenas ao reajuste por faixa etária e aos reajustes anuais segundo os índices da ANS. Precedentes. 4. Agravo interno a que se nega provimento." (AgInt no AREsp n. 2.366.300/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 3/11/2023) "AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE COLETIVO. DESCARACTERIZAÇÃO. CONTRATO ATÍPICO. NÚMERO ÍNFIMO DE PARTICIPANTES. ABUSIVIDADE DE REAJUSTES RECONHECIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS E REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULAS 5 E 7/STJ. RESOLUÇÃO DA ANS. NORMATIVO QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE LEI FEDERAL A ENSEJAR A INTERPOSIÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Não é possível a interposição do recurso especial sob a alegação de violação a resolução da ANS, porquanto resoluções, portarias, circulares e demais atos normativos de hierarquia inferior a decreto não se enquadram no conceito de lei federal. 2. Tendo o acórdão recorrido decidido em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, incide na hipótese a Súmula n. 83/STJ, que abrange os recursos especiais interpostos com amparo nas alíneas a e/ou c do permissivo constitucional. Precedentes. 3. A revisão das conclusões do acórdão estadual - acerca da abusividade dos reajustes realizados no plano de saúde do recorrido, bem como que o contrato sob análise configura falso coletivo - demandaria a interpretação de cláusulas contratuais e o reexame do acervo fático-probatório dos autos, providências inviáveis no âmbito do recurso especial, ante os óbices dispostos nas Súmulas 5 e 7/STJ. 4. Razões recursais insuficientes para a revisão do julgado. 5. Agravo interno desprovido." (AgInt no REsp n. 2.060.050/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 21/6/2023) Por fim, a incidência dos óbices das Súmulas nºs 5 e 7/STJ inviabiliza o recurso especial também pela alínea "c" do permissivo constitucional, restando prejudicado o exame da divergência jurisprudencial. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, os honorários sucumbenciais fixados pelas instâncias ordinárias, devidos pelo ora recorrente, devem ser majorados para R$ 1.500,00 (mil quinhentos reais), atualizados desde o arbitramento na origem, observado o benefício da gratuidade da justiça, se for o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA