REsp 1968050 - DECISAO
O STJ adotou sua jurisprudência no sentido de que contratos de seguro de vida em grupo têm caráter patrimonial distinto dos planos de saúde, não sendo cabível a analogia da Lei 9.656/1998; assim, o reajuste por faixa etária é legítimo e as cláusulas impugnadas não configuram abusividade, motivo pelo qual se deu...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 December 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Parcial Provimento Pelo STJ
- Outcome
- recurso especial parcialmente provido; improcedente a demanda originária
- Legal Topics
- Reajuste Por Faixa Etária, Seguro De Vida Em Grupo, Analogia Com a Lei Dos Planos De Saúde (lei 9.656/1998), Abusividade De Cláusulas Contratuais, Repetição De Indébito, Negativa De Prestação Jurisdicional
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Parcial Provimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 validade do reajuste por faixa etária em seguro de vida em grupo
- 2 aplicabilidade por analogia da Lei 9.656/1998 aos contratos de seguro de vida
- 3 alegação de negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 do CPC/15)
Ratio Decidendi
O STJ adotou sua jurisprudência no sentido de que contratos de seguro de vida em grupo têm caráter patrimonial distinto dos planos de saúde, não sendo cabível a analogia da Lei 9.656/1998; assim, o reajuste por faixa etária é legítimo e as cláusulas impugnadas não configuram abusividade, motivo pelo qual se deu parcial provimento ao recurso especial para julgar improcedente a demanda originária.
Court Disposition
recurso especial parcialmente provido; improcedente a demanda originária
Orders
- Dar parcial provimento ao recurso especial, a fim de julgar improcedente a demanda originária.
- Custas e honorários pela parte autora, estes arbitrados em 10% (dez por cento) do valor atualizado da causa.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de recurso especial, interposto por BRASILSEG COMPANHIA DE SEGUROS, fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: APELAÇÃO CÍVEL - SEGURO DE VIDA FACULTATIVO - AÇÃO DE REVISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO E PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA SEPTUAGENÁRIO - REAJUSTE POR FAIXA ETÁRIA EM AVENÇA FIRMADA HÁ MAIS DE 20 ANOS - PRECEDENTES DO STJ - ABUSIVIDADE DE CLÁUSULA CONTRATUAL CONFIGURADA - DEVOLUÇÃO DOS VALORES PAGOS A MAIOR, DE FORMA SIMPLES, A PARTIR DO ANO QUE ANTECEDEU O AFORAMENTO DA DEMANDA. PRELIMINAR REJEITADA. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. Opostos embargos declaratórios (fls. 530/536, e-STJ), restaram desacolhidos na origem (fls. 538/541, e-STJ). Nas razões de recurso especial (fls. 544/566, e-STJ), alegou a insurgente que o acórdão recorrido violou os seguintes dispositivos de lei federal: (i) arts 1º, caput e parágrafo único, e 15, caput e parágrafo único, da Lei n. 9656/98; 15, §3º, da Lei n. 10.714/03, e 2º, 8º, 32 e 35 do Decreto Lei 73/66, por impossibilidade de aplicação por analogia da Lei dos Planos de Saúde, ante a natureza distinta entre estes e os contratos de seguro de vida; (ii) arts. 1.442 do CC/16, 6º, inc. III, do CDC e 374, inc. III, do CPC/15, em razão da higidez dos reajustes por fator etário aplicados e cumprimento do dever de informação pela recorrente; (iii) 1022 do CPC/15, porquanto não sanados os vícios suscitados nos embargos de declaração. Subsidiariamente, apontou ofensa aos arts. 206, §1º, inc II, do CC, na medida em que se cuida de prazo prescricional ânuo "não apenas no tocante à devolução de valores, mas também em relação ao efetivo recálculo dos prêmios, mediante a extirpação do fator etário." (fls. 561, e-STJ) Colacionou, ademais, divergência jurisprudencial. Contrarrazões às fls. 609/623, e-STJ. É o relatório. Decide-se. A pretensão recursal deve prosperar em parte. 1. Afasta-se, de início, a alegação de negativa de prestação jurisdicional. Não se verifica ofensa ao artigo 1.022 do CPC/15 quando o Tribunal decide, de modo claro e fundamentado, as questões essenciais ao deslinde do feito. Ademais, não se deve confundir decisão contrária aos interesses da parte com negativa de prestação jurisdicional. 2. No mais, a jurisprudência deste STJ, considera legítimo o reajuste por faixa etária nos contratos de seguro de vida em grupo, afastando a aplicação analógica das disposições legais relativas aos planos de saúde. Confira-se: RECURSO ESPECIAL. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. ANALOGIA COM LEI DOS PLANOS DE SAÚDE. DESCABIMENTO. SEGURO DE VIDA. CARÁTER PATRIMONIAL. SEGURO E PLANO DE SAÚDE. CARÁTER ASSISTENCIAL. FUNÇÃO ECONÔMICA . SOCIALIZAÇÃO DOS RISCOS. REAJUSTE DO PRÊMIO POR FAIXA ETÁRIA E NÃO RENOVAÇÃO. CLÁUSULAS NÃO ABUSIVAS. UNIFORMIZAÇÃO DO ENTENDIMENTO ENTRE AS TURMAS DA SEGUNDA SEÇÃO. 1. Os contratos de seguros e planos de saúde são pactos cativos por força de lei, por isso renovados automaticamente (art. 13, caput, da Lei n. 9.656/1998), não cabendo, assim, a analogia para a análise da validade das cláusulas dos seguros de vida em grupo. 2. A função econômica do seguro de vida é socializar riscos entre os segurados e, nessa linha, o prêmio exigido pela seguradora por cada segurado é calculado de acordo com a probabilidade de ocorrência do evento danoso. Em contrapartida, na hipótese de ocorrência do sinistro, será pago ao segurado, ou a terceiros beneficiários, certa prestação pecuniária. 3. Em se tratando de seguros de pessoas, nos contratos individuais, vitalícios ou plurianuais, haverá formação de reserva matemática vinculada a cada participante. Na modalidade coletiva, o regime financeiro é o de repartição simples, não se relacionando ao regime de capitalização. 4. É legal a cláusula de não renovação dos seguros de vida em grupo, contratos não vitalícios por natureza, uma vez que a cobertura do sinistro se dá em contraprestação ao pagamento do prêmio pelo segurado, no período determinado de vigência da apólice, não ocorrente, na espécie, a constituição de poupança ou plano de previdência privada. 5. A permissão para não renovação dos seguros de vida em grupo ou a renovação condicionada a reajuste que considere a faixa etária do segurado, quando evidenciado o aumento do risco do sinistro, é compatível com o regime de repartição simples, ao qual aqueles pactos são submetidos e contribui para a viabilidade de sua existência, prevenindo, a médio e longo prazos, indesejável onerosidade ao conjunto de segurados. 6. A cláusula de não renovação do seguro de vida, quando constituiu faculdade conferida a ambas as partes do contrato, assim como a de reajuste do prêmio com base na faixa etária do segurado, mediante prévia notificação, não configuram abusividade e não exigem comprovação do desequilíbrio atuarial-financeiro. Precedentes. 7. Recurso especial não provido.(REsp 1769111/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 10/12/2019, DJe 20/02/2020) RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. CPC/2015. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. PRESCRIÇÃO ÂNUA DA PRETENSÃO DE RESTABELECIMENTO DE APÓLICE EXTINTA. FALTA DE INTERESSE RECURSAL. REAJUSTE PARA A FAIXA ETÁRIA A PARTIR DE 59 ANOS DE IDADE. ANALOGIA COM LEI DOS PLANOS DE SAÚDE. DESCABIMENTO. CARÁTER MERAMENTE PATRIMONIAL DO SEGURO DE VIDA. DISTINÇÃO COM O CONTRATO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. REAJUSTE DO PRÊMIO POR FAIXA ETÁRIA. CABIMENTO. REVISÃO DO ENTENDIMENTO DESTA TURMA. 1. Controvérsia acerca da validade de cláusula de reajuste do prêmio por faixa etária em contrato de seguro de vida em grupo. 2. Ausência de interesse recursal no que tange à alegação de prescrição ânua da pretensão de restabelecimento da apólice extinta, tendo sido essa pretensão rejeitada expressamente pelo Tribunal de origem. 3. Sinistralidade acentuadamente elevada de segurados idosos, em virtude dos efeitos naturais do envelhecimento da população. Doutrina sobre o tema. 4. Existência de norma legal (art. 15 da Lei 9.656/1998) impondo às operadoras de plano/seguro saúde o dever de compensar esse "desvio de risco" dos segurados idosos mediante a pulverização dos custos entre os assistidos mais jovens de modo a manter o valor do prêmio do seguro saúde dos segurados idosos em montante aquém do que seria devido na proporção da respectiva sinistralidade. Doutrina sobre o tema. 5. Necessidade de proteção da dignidade da pessoa idosa no âmbito da assistência privada à saúde. 6. Justificativa eminentemente patrimonial do seguro de vida em contraste com o fundamento humanitário (dignidade da pessoa humana) subjacente aos contratos de plano/seguro de saúde. 7. Distinção impeditiva da aplicação, por analogia, da regra do art. 15 da Lei 9.656/1998 aos contratos de seguro de vida. 8. Ressalva dos contratos de seguro de vida que estabeleçam alguma forma de compensação do "desvio de risco", como a formação de reserva técnica para essa finalidade. 9. Julgado recente da QUARTA TURMA nesse sentido. 10. Revisão da jurisprudência da TERCEIRA TURMA. 11. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.(REsp 1816750/SP, Rel. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 26/11/2019, DJe 03/12/2019) Assim, deve ser afastada a alegada abusividade das cláusulas, resultando na improcedência da demanda originária. Prejudicada a análise das demais questões. 3. Do exposto, com amparo no artigo 932 do CPC/15 c/c a Súmula 568/STJ, dá-se parcial provimento ao recurso especial, a fim de julgar improcedente a demanda originária. Custas e honorários pela parte autora, estes arbitrados em 10% (dez por cento) do valor atualizado da causa. Publique-se. Intimem-se.