REsp 2075670 - DECISAO
Conheceu-se em parte do recurso especial e negou-se provimento por entender que não houve omissão passível de acolhimento nos embargos de declaração; que a jurisprudência do STJ (REsp 1.568.244/RJ e temas repetitivos) admite reajustes por faixa etária observadas as regras contratuais e regulatórias (RN nº 63/2003),...
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- Parties
- Recorrente: SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decidido (conhecimento Parcial E Negação De Provimento)
- Outcome
- Recurso especial conhecido em parte e negado provimento
- Legal Topics
- Reajuste Por Faixa Etária, Abusividade Contratual, Recursos Repetitivos (tema 952, 1016), Súmula 7/stj, Honorários Sucumbenciais
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Parties
SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decidido (conhecimento Parcial E Negação De Provimento)
Legal Issues
- 1 legalidade do reajuste de mensalidade por mudança de faixa etária
- 2 aplicabilidade das Teses/Temas 952 e 1016 do STJ a planos coletivos
- 3 observância da RN nº 63/2003 para contratos a partir de 1/1/2004
Ratio Decidendi
Conheceu-se em parte do recurso especial e negou-se provimento por entender que não houve omissão passível de acolhimento nos embargos de declaração; que a jurisprudência do STJ (REsp 1.568.244/RJ e temas repetitivos) admite reajustes por faixa etária observadas as regras contratuais e regulatórias (RN nº 63/2003), e que, no caso concreto, o tribunal de origem corretamente concluiu pela abusividade do índice aplicado (violação dos parâmetros da RN nº 63/2003), sendo vedado o reexame das provas em recurso especial (Súmula 7), razão pela qual o acórdão foi mantido.
Court Disposition
Recurso especial conhecido em parte e negado provimento
Orders
- Conheço em parte do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Majoração dos honorários sucumbenciais de 15% para 17% em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do CPC.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto por SUL AMÉRICA COMPANHIA DE SEGURO SAÚDE, com fundamento no artigo 105, III, alíneas "a" e "c", da Constituição Federal, contra o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado: "APELAÇÃO. Plano de Saúde Coletivo. Reajuste por mudança de faixa etária. Aumento de 131,73% ao completar 59 anos de idade. Abusividade configurada. Entendimento do Tema 1016do C. STJ. Prescrição. Afastada. Prescrição trienal. Aplicação do tema 610 do C. STJ. Sentença mantida. Adoção do art. 252 do RITJ. RECURSODESPROVIDO." (fl. 573 e-STJ). Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 599/6021 e-STJ). Em suas razões, a recorrente sustenta violação dos arts. 489, 927, III, 932, II, 1.040 e 1.022 do Código de Processo Civil. Alega que o aresto estadual foi omisso quanto à aplicação do Tema 952 desta Corte e que "(..) o reajuste que incidiu aos 59 (cinquenta e nove) anos foi de 89,07%, comprovou-se que, além de lícito, uma vez que o STJ fixou a tese jurídica que atesta a licitude - imprescindível ao mutualismo e ao equilíbrio econômico-financeiro do contrato - do reajuste do prêmio em função da variação da idade do consumidor, inclusive aos 59 anos, TODOS os requisitos impostos foram cumpridos. " (fls. 615/616 e-STJ). Aponta, ainda, dissídio jurisprudencial. Após a apresentação das contrarrazões, o recurso foi admitido na origem, subindo os autos a esta Corte. É o relatório. DECIDO. A irresignação não merece prosperar. No que diz respeito à alegada negativa de prestação jurisdicional - violação do artigo 1.022 do CPC -, agiu corretamente o Tribunal de origem ao rejeitar os embargos declaratórios por inexistir omissão, contradição, obscuridade ou erro material no acórdão embargado, ficando patente, em verdade, o intuito infringente da irresignação, que objetivava a reforma do julgado por via inadequada. A propósito, transcreve-se excerto do aresto recorrido: "(..) No caso, trata-se de contratual de plano de saúde coletivo que prevê reajuste por faixa etária, o que enseja aplicação da tese firmada no tema 1016 do C. STJ, que segue: "(a) Aplicabilidade das teses firmadas no Tema 952/STJ aos planos coletivos, ressalvando-se, quanto às entidades de autogestão, a inaplicabilidade do CDC; (b) A melhor interpretação do enunciado normativo do art. 3º,II, da Resolução n. 63/2003, da ANS, é aquela que observa o sentido matemático da expressão "variação acumulada", aumento real de preço verificado em cada intervalo, devendo-se aplicar, para sua apuração, a respectiva fórmula matemática, estando incorreta a simples soma aritmética de percentuais de reajuste ou o cálculo de média dos percentuais aplicados em todas as faixas etárias." (..) Extrai-se do tema 952 do C. STJ que não há ilegalidade intrínseca na previsão de reajustes motivados pelo ingresso em diferentes faixas etárias em contratos de plano de saúde individual/familiar, uma vez que os referidos acréscimos refletem o aumento do risco a que determinado beneficiário está submetido, bem como ao aumento da necessidade do uso dos serviços médicos. No mais, nos presentes autos consta contrato firmado a partir de 1º/1/2004. Assim ,incidem as regras da RNnº63/2003 da ANS, que prescreve a observância: (i) de10 (dez) faixas etárias, a última aos 59anos;(ii) do valor fixado para a última faixa etária não poder ser superior a 6(seis) vezes o previsto para a primeira; e (iii) da variação acumulada entre a sétima e décima faixas não poder ser superior à variação cumulada entre a primeira e sétima faixas. Vislumbra-se, portanto, sob essa perspectiva, abuso no reajuste aplicado por faixa etária, uma vez que viola os limites estabelecidos pela RN nº 63/2003 da ANS, que prescreve a observância (i) de 10 (dez) faixas etárias, a última aos59anos:(ii) do valor fixado para última faixa etária não pode ser superior a 6(seis) vezes o previsto para a primeira; e (iii) da variação cumulada entre a sétima e a décima faixas não pode ser superior à variação cumulada entre a primeira e a sétima faixas. No tocante à cláusula 14 das condições gerais da apólice sub judice (fl.36), observa-se a existência de reajuste de 131,73% para a faixa etária iniciada aos 59 anos, ou seja, porcentagem altíssima, que caracteriza a abusividade, no presente caso, uma vez que o percentual de reajuste não atende aos parâmetros fixados pelo artigo 3º,II, da Resolução Normativa n. 63/2003 da Agência Nacional de Saúde Suplementar(ANS). Desse modo, a cláusula 14 das condições gerais da apólice sub judice, na parte que prevê reajuste de 131,73% para a faixa etária iniciada aos 59 anos, é, pois, nula, devendo incidir o índice de 59,69%. Por fim, visando evitar repetição jurisdicional desnecessária, outros fundamentos demonstram-se dispensáveis diante da repetição integral dos que foram deduzidos na sentença. Diante da acertada decisão de primeiro grau, conclui-se que a sentença não merece qualquer reparo." (fls. 579/582 e-STJ). Registra-se que, mesmo à luz do art. 489 do CPC, o órgão julgador não estaria obrigado a se pronunciar acerca de todo e qualquer ponto suscitado pelas partes, mas apenas a respeito daqueles capazes de, em tese, de algum modo, infirmar a conclusão adotada pelo órgão julgador (inciso IV). A motivação contrária ao interesse da parte, ou mesmo omissa em relação a pontos considerados irrelevantes pelo julgador, não autoriza o acolhimento dos embargos declaratórios. Ademais, verifica-se que, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, consolidada no julgamento do REsp 1.568.244/RJ, julgado pela Segunda Seção em 14/12/2016, segundo o rito dos recursos repetitivos, foram fixados parâmetros para o aumento de mensalidades de plano de saúde por faixa etária. Referido aresto ficou assim ementado: "RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. CIVIL. PLANO DE SAÚDE. MODALIDADE INDIVIDUAL OU FAMILIAR. CLÁUSULA DE REAJUSTE DE MENSALIDADE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. LEGALIDADE. ÚLTIMO GRUPO DE RISCO. PERCENTUAL DE REAJUSTE. DEFINIÇÃO DE PARÂMETROS. ABUSIVIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. EQUILÍBRIO FINANCEIRO-ATUARIAL DO CONTRATO. 1. A variação das contraprestações pecuniárias dos planos privados de assistência à saúde em razão da idade do usuário deverá estar prevista no contrato, de forma clara, bem como todos os grupos etários e os percentuais de reajuste correspondentes, sob pena de não ser aplicada (arts. 15, caput, e 16, IV, da Lei nº 9.656/1998). 2. A cláusula de aumento de mensalidade de plano de saúde conforme a mudança de faixa etária do beneficiário encontra fundamento no mutualismo (regime de repartição simples) e na solidariedade intergeracional, além de ser regra atuarial e asseguradora de riscos. 3. Os gastos de tratamento médico-hospitalar de pessoas idosas são geralmente mais altos do que os de pessoas mais jovens, isto é, o risco assistencial varia consideravelmente em função da idade. Com vistas a obter maior equilíbrio financeiro ao plano de saúde, foram estabelecidos preços fracionados em grupos etários a fim de que tanto os jovens quanto os de idade mais avançada paguem um valor compatível com os seus perfis de utilização dos serviços de atenção à saúde. 4. Para que as contraprestações financeiras dos idosos não ficassem extremamente dispendiosas, o ordenamento jurídico pátrio acolheu o princípio da solidariedade intergeracional, a forçar que os de mais tenra idade suportassem parte dos custos gerados pelos mais velhos, originando, assim, subsídios cruzados (mecanismo do community rating modificado). 5. As mensalidades dos mais jovens, apesar de proporcionalmente mais caras, não podem ser majoradas demasiadamente, sob pena de o negócio perder a atratividade para eles, o que colocaria em colapso todo o sistema de saúde suplementar em virtude do fenômeno da seleção adversa (ou antisseleção). 6. A norma do art. 15, § 3º, da Lei nº 10.741/2003, que veda "a discriminação do idoso nos planos de saúde pela cobrança de valores diferenciados em razão da idade", apenas inibe o reajuste que consubstanciar discriminação desproporcional ao idoso, ou seja, aquele sem pertinência alguma com o incremento do risco assistencial acobertado pelo contrato. 7. Para evitar abusividades (Súmula nº 469/STJ) nos reajustes das contraprestações pecuniárias dos planos de saúde, alguns parâmetros devem ser observados, tais como (i) a expressa previsão contratual; (ii) não serem aplicados índices de reajuste desarrazoados ou aleatórios, que onerem em demasia o consumidor, em manifesto confronto com a equidade e as cláusulas gerais da boa-fé objetiva e da especial proteção ao idoso, dado que aumentos excessivamente elevados, sobretudo para esta última categoria, poderão, de forma discriminatória, impossibilitar a sua permanência no plano; e (iii) respeito às normas expedidas pelos órgãos governamentais: a) No tocante aos contratos antigos e não adaptados, isto é, aos seguros e planos de saúde firmados antes da entrada em vigor da Lei nº 9.656/1998, deve-se seguir o que consta no contrato, respeitadas, quanto à abusividade dos percentuais de aumento, as normas da legislação consumerista e, quanto à validade formal da cláusula, as diretrizes da Súmula Normativa nº 3/2001 da ANS. b) Em se tratando de contrato (novo) firmado ou adaptado entre 2/1/1999 e 31/12/2003, deverão ser cumpridas as regras constantes na Resolução CONSU nº 6/1998, a qual determina a observância de 7 (sete) faixas etárias e do limite de variação entre a primeira e a última (o reajuste dos maiores de 70 anos não poderá ser superior a 6 (seis) vezes o previsto para os usuários entre 0 e 17 anos), não podendo também a variação de valor na contraprestação atingir o usuário idoso vinculado ao plano ou seguro saúde há mais de 10 (dez) anos. c) Para os contratos (novos) firmados a partir de 1º/1/2004, incidem as regras da RN nº 63/2003 da ANS, que prescreve a observância (i) de 10 (dez) faixas etárias, a última aos 59 anos; (ii) do valor fixado para a última faixa etária não poder ser superior a 6 (seis) vezes o previsto para a primeira; e (iii) da variação acumulada entre a sétima e décima faixas não poder ser superior à variação cumulada entre a primeira e sétima faixas. 8. A abusividade dos aumentos das mensalidades de plano de saúde por inserção do usuário em nova faixa de risco, sobretudo de participantes idosos, deverá ser aferida em cada caso concreto. Tal reajuste será adequado e razoável sempre que o percentual de majoração for justificado atuarialmente, a permitir a continuidade contratual tanto de jovens quanto de idosos, bem como a sobrevivência do próprio fundo mútuo e da operadora, que visa comumente o lucro, o qual não pode ser predatório, haja vista a natureza da atividade econômica explorada: serviço público impróprio ou atividade privada regulamentada, complementar, no caso, ao Serviço Único de Saúde (SUS), de responsabilidade do Estado. 9. Se for reconhecida a abusividade do aumento praticado pela operadora de plano de saúde em virtude da alteração de faixa etária do usuário, para não haver desequilíbrio contratual, faz-se necessária, nos termos do art. 51, § 2º, do CDC, a apuração de percentual adequado e razoável de majoração da mensalidade em virtude da inserção do consumidor na nova faixa de risco, o que deverá ser feito por meio de cálculos atuariais na fase de cumprimento de sentença. 10. TESE para os fins do art. 1.040 do CPC/2015: O reajuste de mensalidade de plano de saúde individual ou familiar fundado na mudança de faixa etária do beneficiário é válido desde que (i) haja previsão contratual, (ii) sejam observadas as normas expedidas pelos órgãos governamentais reguladores e (iii) não sejam aplicados percentuais desarrazoados ou aleatórios que, concretamente e sem base atuarial idônea, onerem excessivamente o consumidor ou discriminem o idoso. 11. CASO CONCRETO: Não restou configurada nenhuma política de preços desmedidos ou tentativa de formação, pela operadora, de "cláusula de barreira" com o intuito de afastar a usuária quase idosa da relação contratual ou do plano de saúde por impossibilidade financeira. Longe disso, não ficou patente a onerosidade excessiva ou discriminatória, sendo, portanto, idôneos o percentual de reajuste e o aumento da mensalidade fundados na mudança de faixa etária da autora. 12. Recurso especial não provido." (REsp n. 1.568.244/RJ, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, julgado em 14/12/2016, DJe de 19/12/2016) Assim, o reconhecimento de abusividade no aumento por faixa etária não importa na anulação da respectiva cláusula do contrato, devendo haver, nesse caso, a readequação do reajuste a parâmetros mais justos. No caso dos autos, conforme se verifica do trecho do acórdão estadual acima transcrito, concluiu-se pela abusividade no índice em função da implementação da idade. Nesse contexto, a modificação do acórdão recorrido demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial pela Súmula nº 7/STJ. Ante o exposto, conheço em parte do recurso especial e, nessa extensão, nego-lhe provimento. Na origem, os honorários sucumbenciais foram fixados em 15% (quinze por cento) sobre o valor da causa, os quais devem ser majorados para o patamar de 17% (dezessete por cento) em favor do advogado da parte recorrida, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil. Publique-se. Intimem-se. EMENTA