AREsp 2758477 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial para negar-lhe provimento, por entender que não houve omissão quanto ao art. 1.022 do CPC, que a apuração atuarial do percentual de reajuste deve ocorrer na fase de cumprimento de sentença (conforme REsp 1568244/RJ), e que o indeferimento da perícia na...
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- Parties
- Agravante: VISION MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Conhecimento Parcial Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e improvido.
- Legal Topics
- Reajuste Por Mudança De Faixa Etária, Perícia Atuarial, Cerceamento De Defesa, Omissão (art. 1.022 Cpc), Súmula 83/stj, Súmula 7/stj, Honorários Advocatícios (art.85, §11, Cpc)
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Parties
VISION MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Do Agravo E Conhecimento Parcial Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 alegação de omissão quanto ao art. 1.022 do CPC
- 2 alegação de cerceamento de defesa pelo indeferimento de perícia atuarial
- 3 abusividade de reajuste por mudança de faixa etária em contrato anterior à Lei 9.656/98 sem indicação dos percentuais
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e conheceu-se em parte do recurso especial para negar-lhe provimento, por entender que não houve omissão quanto ao art. 1.022 do CPC, que a apuração atuarial do percentual de reajuste deve ocorrer na fase de cumprimento de sentença (conforme REsp 1568244/RJ), e que o indeferimento da perícia na fase de conhecimento, devidamente fundamentado, não configura cerceamento de defesa, estando a decisão em harmonia com a jurisprudência do STJ e obstada pelos óbices das Súmulas 83 e 7/STJ; majoraram-se honorários para 18% sobre o valor atualizado da condenação (art.85, §11, CPC).
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial conhecido em parte e improvido.
Orders
- Conhecer do agravo
- Conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento
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1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo interposto por VISION MED ASSISTENCIA MEDICA LTDA. contra decisão que obstou a subida de recurso especial. Extrai-se dos autos que a agravante interpôs recurso especial, com fundamento no art. 105, III, "a" e "c" da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO cuja ementa guarda os seguintes termos (fls. 331-337): DIREITO DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO. CONTRATO INDIVIDUAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE FIRMADO EM DATA ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N. 9.656/98. REAJUSTE POR MUDANÇA DE FAIXA ETÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO DOS PERCENTUAIS DE REAJUSTE. ABUSIVIDADE. PERCENTUAL A SER USADO EM SUBSTITUIÇÃO A SER APURADO POR MEIO CÁLCULO ATUARIAL NA FASE DE CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. JUROS DE MORA. OBRIGAÇÃO ILÍQUIDA. TERMO INICIAL. CITAÇÃO. 1. O reajuste por mudança de faixa etária de plano de assistência médica e hospitalar individual firmado em período anterior à Lei nº 9.656/1998 será válido desde que o contrato preveja a possibilidade do reajuste, com as faixas etárias e os índices de reajuste de cada fase. Isso porque a inexistência dos percentuais de aumento no contrato permite que a operadora de serviço de saúde estabeleça, de maneira unilateral, a forma de majoração da mensalidade do plano, o que é vedado pelo art. 51, X, do CDC. 2. O contrato firmado entre as partes prevê o reajuste por deslocamento de faixa etária e as faixas etárias. Ocorre que não há, no contrato, qualquer percentual de reajuste, não havendo notícias da existência de qualquer tabela de vendas e de preços anexas ao instrumento. 3. Reconhecida a abusividade do aumento em razão da mudança de faixa etária, deve-se determinar a apuração do percentual adequado na fase de cumprimento de sentença por meio de cálculo atuarial, conforme restou consignado no R Esp 1568244/RJ, firmado sob o rito dos repetitivo. 4. Sobre a condenação a título de dano material, tratando-se de relação contratual e obrigação ilíquida, devem incidir juros de mora a partir da citação (art.405 do CC). 5. Apelação parcialmente provida. Opostos embargos de declaração, o Tribunal de origem os rejeitou (fls. 365-370). No recurso especial, a parte recorrente alega, preliminarmente, violação do art. 1.022 do CPC, pois, apesar da oposição de embargos de declaração, o Tribunal de origem não teria se manifestado sobre pontos essenciais ao deslinde da controvérsia. Aduz, no mérito, violação dos arts. 7º e 357, I e II, do CPC, sustentando ausência de abusividade no reajuste, e que seria necessária a produção de perícia atuarial para determinar a abusividade ou não do reajuste, de modo que, ao indeferir a produção da prova pericial, o Tribunal de origem cerceou o direito de defesa da recorrente. Foram oferecidas contrarrazões ao recurso especial (fls. 481-496). Sobreveio o juízo de admissibilidade negativo na instância de origem (fls. 498-504), o que ensejou a interposição de agravo em recurso especial. Foi apresentada contraminuta do agravo (fls. 565-582). É, no essencial, o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade do agravo, passo à análise do recurso especial. De início, inexiste a alegada violação do art. 1.022 do CPC, visto que o Tribunal de origem efetivamente enfrentou a questão levada ao seu conhecimento, qual seja, a abusividade no reajuste do plano de saúde e a ausência de cerceamento de defesa pelo indeferimento da prova pericial. E, a propósito do contexto recursal, destacou a origem (fls. 334-335): Na hipótese, o contrato firmado entre as partes prevê o reajuste por deslocamento de faixa etária e as faixas etárias (conforme ID 23593083 - pág. 18). Ocorre que não há, no contrato, qualquer percentual de reajuste, não havendo notícias da existência de qualquer tabela de vendas e de preços anexas ao instrumento. Esclareça-se, ainda, que, reconhecida a abusividade do aumento em razão da mudança de faixa etária, deve-se determinar a apuração do percentual adequado na fase de cumprimento de sentença por meio de cálculo atuarial, conforme restou consignado no R Esp 1568244/RJ, firmado sob o rito dos repetitivos. Confira-se: .. Assim, não merece prosperar a alegação de cerceamento de defesa em razão da não realização de perícia atuarial, na medida em que, nos termos do R Esp 1568244/RJ, o cálculo atuarial para apuração do percentual adequado deve ser realizado no cumprimento de sentença e não na fase de conhecimento. Pontue-se, ainda, que até a definição do percentual adequado, que, conforme visto, será definido na fase de cumprimento de sentença, não deve incidir o percentual de reajuste por mudança de faixa etária, devendo o plano de saúde réu emitir os futuros boletos de pagamento com exclusão do referido reajuste. Isso porque inexiste mora do beneficiário de plano de saúde até a apuração do percentual adequado. Somente a partir da sua definição na fase de cumprimento de sentença, por meio de cálculo atuarial, poderá incidir o reajuste apurado, que não terá efeito retroativo, à míngua de anterior definição. .. Observa-se, assim, que as questões recursais foram efetivamente enfrentadas pelo Tribunal de origem, sendo que não se pode ter como omissa ou carente de fundamentação uma decisão tão somente porque suas alegações não foram acolhidas. Cumpre reiterar que entendimento contrário não se confunde com omissão no julgado ou com ausência de prestação jurisdicional. A propósito, "não se pode confundir decisão contrária ao interesse da parte com ausência de fundamentação ou negativa de prestação jurisdicional" (AgInt no AREsp n. 1.907.401/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 29/8/2022). No mesmo sentido, cito: 2.2. Não há ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, quando o Tribunal de origem examina, de forma fundamentada, a questão submetida à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que em sentido contrário à pretensão da parte. (REsp n. 1.947.636/PE, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJe de 6/9/2024.) 1. Segundo orientação jurisprudencial vigente no Superior Tribunal de Justiça, não há falar em omissão, contradição, obscuridade ou erro material, nem em deficiência na fundamentação, quando a decisão recorrida está adequadamente motivada com base na aplicação do direito considerado cabível ao caso concreto, pois o mero inconformismo da parte com a solução da controvérsia não configura negativa de prestação jurisdicional. (AgInt no AREsp n. 2.595.147/SE, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 28/8/2024.) Por fim, também não merece conhecimento o apelo nobre quanto à suscitada violação dos arts. 7º e 357, I e II, do CPC, em especial quanto à alegação de cerceamento de defesa pelo indeferimento do pedido de produção de prova pericial. Ocorre que o Tribunal de origem atestou a desnecessidade de realização de perícia atuarial para reconhecimento da abusividade no percentual de ajuste, uma vez que tal medida seria cabível na fase de cumprimento de sentença para definição do percentual correto, senão vejamos (fl. 334): .. Assim, não merece prosperar a alegação de cerceamento de defesa em razão da não realização de perícia atuarial, na medida em que, nos termos do REsp 1568244/RJ, o cálculo atuarial para apuração do percentual adequado deve ser realizado no cumprimento de sentença e não na fase de conhecimento. .. Assim, incide o óbice da Súmula n. 83/STJ, uma vez que o Tribunal de origem decidiu em harmonia com a jurisprudência do STJ, segundo a qual "pertence ao julgador a decisão acerca da conveniência e oportunidade sobre a necessidade de produção de determinado meio de prova, inexistindo cerceamento de defesa quando, por meio de decisão fundamentada, indefere-se pedido de dilação da instrução probatória". (AgInt no AREsp n. 2.349.413/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 22/9/2023.) Ademais, é cediço que a revisão das conclusões acerca da desnecessidade da prova requerida pela recorrente esbarra na Súmula n. 7/STJ. A propósito, cito: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER CUMULADA COM COMPENSAÇÃO POR DANOS MORAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC/15. INOCORRÊNCIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA. PLANO DE SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO. MEDICAMENTO REGISTRADO NA ANVISA. TRATAMENTO DE CÂNCER. RECUSA DE COBERTURA INDEVIDA. 1. Ação de obrigação de fazer, visando o fornecimento de medicamento para tratamento de câncer. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. Ademais, devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC/15. 3. Sendo o juiz o destinatário final da prova, cabe a ele, em sintonia com o sistema de persuasão racional adotado pelo CPC, dirigir a instrução probatória e determinar a produção das provas que considerar necessárias à formação do seu convencimento. 4. Segundo a jurisprudência do STJ, "é abusiva a recusa da operadora do plano de saúde de custear a cobertura do medicamento registrado na ANVISA e prescrito pelo médico do paciente, ainda que se trate de fármaco off-label, ou utilizado em caráter experimental" (AgInt no AREsp 1.653.706/SP, Terceira Turma, julgado em 19/10/2020, DJe 26/10/2020; AgInt no AREsp 1.677.613/SP, Terceira Turma, julgado em 28/09/2020, DJe 07/10/2020; AgInt no REsp 1.680.415/CE, Quarta Turma, julgado em 31/08/2020, DJe 11/09/2020; AgInt no AREsp 1.536.948/SP, Quarta Turma, julgado em 25/05/2020, DJe 28/05/2020), especialmente na hipótese em que se mostra imprescindível à conservação da vida e saúde do beneficiário 5. Considera-se abusiva a negativa de cobertura de medicamentos para o tratamento de câncer. Precedentes de ambas as Turmas que compõe a 2ª Seção do STJ. 6. A negativa administrativa ilegítima de cobertura para tratamento médico por parte da operadora de saúde enseja danos morais na hipótese de agravamento da condição de dor, abalo psicológico e demais prejuízos à saúde já fragilizada do paciente. Precedentes. 7. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. (AgInt no AREsp n. 2.345.199/RO, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - EMBARGOS À EXECUÇÃO - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. 1. Segundo a jurisprudência desta Corte Superior, "O fato de as testemunhas do documento particular não estarem presentes ao ato de sua formação não retira a sua executoriedade, uma vez que as assinaturas podem ser feitas em momento posterior ao ato de criação do título executivo extrajudicial, sendo as testemunhas meramente instrumentárias" (AgInt no AREsp 1183668/SP, Relator Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 01/03/2018, DJ 09/03/2018). 1.1. Ademais, de acordo a jurisprudência deste Tribunal Superior, em casos excepcionais, mitiga-se a exigência da assinatura das duas testemunhas no contrato celebrado, de modo a lhe ser conferida executividade, quando os termos do pactuado possam ser aferidos por outro meio idôneo. Incidência da Súmula 83 do STJ. 1.2. Rever o entendimento do Tribunal de origem, no sentido de aferir a ausência dos requisitos necessários para a validade do título executivo (certeza, liquidez e exigibilidade), forçosamente, ensejaria em rediscussão de matéria fática, com o revolvimento das provas juntadas ao processo, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ. 2. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que o indeferimento do pedido de produção de provas e o julgamento do mérito da demanda não configuram cerceamento de defesa quando constatada a existência de provas suficientes para o convencimento do magistrado, como ocorreu na hipótese. A alteração do acórdão impugnado com relação à suficiência das provas acostadas aos autos demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, o que é inviável no âmbito do recurso especial, a teor da Súmula 7/STJ. 3. A falta de indicação pela parte recorrente do dispositivo legal que teria sido violado ou objeto de interpretação jurisprudencial divergente implica em deficiência da fundamentação do recurso especial, incidindo o teor da Súmula 284 do STF, aplicável por analogia. Precedentes. 4. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 1.929.197/GO, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 4/9/2023, DJe de 8/9/2023.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados em desfavor da parte recorrente para 18% sobre o valor atualizado da condenação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC NÃO CONFIGURADA. PLANO DE SAÚDE. REAJUSTE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA PELO INDEFERIMENTO DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ACÓRDÃO RECORRIDO EM HARMONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 83/STJ. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ AGRAVO CONHECIDO. RE CURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E IMPROVIDO.