REsp 2127142 - DECISAO
O Recurso Especial foi provido porque o acórdão recorrido, em sede de remessa necessária, agravou a situação da Autarquia ao afastar a prescrição quinquenal e determinar o pagamento de diferenças desde a data de concessão sem que houvesse recurso da parte autora, em dissonância com a vedação à reformatio in pejus...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Recorrida: parte autora
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 May 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Admitido E Provido
- Outcome
- Recurso Especial provido
- Legal Topics
- Recálculo Da Renda Mensal Inicial, Inclusão De Verbas De Sentença Trabalhista Nos Salários De Contribuição, Prescrição Quinquenal, Remessa Necessária, Proibição Da Reformatio in Pejus, Correção Monetária E Juros De Mora, Aplicação Da Emenda Constitucional N. 113/2021
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
parte autora
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Admitido E Provido
Legal Issues
- 1 se é admissível, em sede de reexame/remessa necessária, agravar a condenação da Fazenda Pública afastando a prescrição quinquenal e fixando termo inicial de pagamento mais gravoso para a autarquia
- 2 se o acórdão que determinou o recálculo do benefício com efeitos desde a data da concessão incorre em reformatio in pejus na ausência de recurso da parte autora
- 3 regime de correção monetária e juros moratórios aplicável até e a partir da promulgação da EC 113/2021
Ratio Decidendi
O Recurso Especial foi provido porque o acórdão recorrido, em sede de remessa necessária, agravou a situação da Autarquia ao afastar a prescrição quinquenal e determinar o pagamento de diferenças desde a data de concessão sem que houvesse recurso da parte autora, em dissonância com a vedação à reformatio in pejus (Súmula 45/STJ) e precedentes desta Corte; assim, aplicando-se a jurisprudência dominante e as normas processuais invocadas, o recurso foi provido monocraticamente nos termos da fundamentação.
Court Disposition
Recurso Especial provido
Orders
- Dar provimento ao Recurso Especial
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região de apelação, assim ementado (fls. 1.422/1.423e): PREVIDENCIÁRIO. RECÁLCULO DA RENDA MENSAL INICIAL. PRESCRIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. SENTENÇA TRABALHISTA. INCLUSÃO DE VERBAS SALARIAIS NOS SALÁRIOS DE CONTRIBUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. I- A parte autora pleiteia o recálculo da renda mensal inicial de seu benefício previdenciário, com a inclusão de parcelas reconhecidas em sentença trabalhista aos salários de contribuição utilizados no período básico de cálculo. II- Reconhecida a atividade laborativa desenvolvida pela parte autora, com a consequente majoração dos salários de contribuição correspondentes, deve a autarquia proceder ao recálculo da renda mensal inicial do seu benefício previdenciário, utilizando-se os novos valores dos salários de contribuição compreendidos no período básico de cálculo. III- Os efeitos financeiros do recálculo da renda mensal inicial devem retroagir à data da concessão do benefício, conforme o entendimento do C. Superior Tribunal de Justiça (STJ, 2ª Turma; REsp. n. 1.489.348/RS; Rel. Min. Herman Benjamin; DJ 19/12/14). IV- Cumpre notar que o benefício da parte autora foi concedido em 3/5/12, tendo sido ajuizada a Reclamatória Trabalhista em 16/10/13, cuja sentença transitou em julgado em 1º/6/16. A presente ação foi ajuizada em 11/4/18, não havendo que se falar, portanto, em ocorrência da prescrição. V- Consoante entendimento pacífico do C. Superior Tribunal de Justiça, as questões referentes à correção monetária e juros moratórios são matérias de ordem pública, devendo ser adotado o seguinte entendimento: 1) Até o mês anterior à promulgação da Emenda Constitucional n. 113, de 8/12/2021: (i) a correção monetária deve ser aplicada nos termos da Lei n. 6.899/1981 e da legislação superveniente, bem como do Manual deOrientação de Procedimentos para os cálculos na Justiça Federal; (ii) os juros moratórios devem ser contados da citação, à razão de 0,5% (meio porcento) ao mês, até a vigência do CC/2002 (11/1/2003), quando esse percentual foi elevado a 1% (um por cento) ao mês, utilizando-se, a partir de julho de 2009, a taxa de juros aplicável à remuneração da caderneta de poupança (Repercussão Geral no RE n. 870.947/SE; Tema 810; DJE 216,de 22/9/2017), observada, quanto ao termo final de sua incidência, a tese firmada em Repercussão Geral no RE n. 579.431. 2) A partir do mês de promulgação da Emenda Constitucional n. 113, de 8/12/2021, a apuração do débito dar-se-á unicamente pela Taxa SELIC, mensalmente e de forma simples, nos termos do disposto em seu artigo 3º, ficando vedada a incidência dessa Taxa com qualquer outro critério de juros e correção monetária. VI- Matéria preliminar rejeitada. No mérito, apelação parcialmente provida. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 1.457/1.462e). Com amparo no art. 105, III, a , da Constituição da República, aponta-se ofensa aos arts. 103, parágrafo único, da Lei n. 8.213/1991, 2º, 141, 492, 507, 927, 1.008 e 1.013 do CPC, alegando-se, em síntese, que não havendo recurso voluntário do segurado, não caberia ao acórdão recorrido majorar a condenação da Autarquia no tocante ao afastamento da prescrição quinquenal. Pondera, ainda, que a decisão extrapola os limites do pedido na inicial, porquanto o autor requer expressamente o pagamento dos valores em atraso a contar da data de requerimento administrativo. Sem contrarrazões, o recurso foi admitido (fls. 1.486/1.488e). Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte, na sessão realizada em 9.3.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, V, do Código de Processo Civil, combinado com os arts. 34, XVIII, c, e 255, III, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. Com efeito, esta corte possui entendimento pacificado segundo o qual não incorre em julgamento extra ou ultra petita a decisão que considera de forma ampla o pedido constante da petição inicial, para efeito de concessão de benefício. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes, assim ementados: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO REQUERENDO CONCESSÃO DO BENEFÍCIO DE APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. ACÓRDÃO QUE CONCEDE APOSENTADORIA POR IDADE. GARANTIA DE MELHOR BENEFÍCIO AO SEGURADO. INOCORRÊNCIA DE JULGAMENTO EXTRA PETITA. AGRAVO REGIMENTAL DO INSS DESPROVIDO. 1. O Direito Previdenciário não deverá ser interpretado como uma relação de Direito Civil ou Direito Administrativo no rigor dos termos, mas sim como fórmula ou tutela ao hipossuficiente, ao carecido, ao excluído. Este deve, também, ser um dos nortes da jurisisdição previdenciária. 2. É firme a orientação desta Corte de que não constitui julgamento extra ou ultra petita a decisão que, verificando a inobservância dos pressupostos para concessão do benefício pleiteado na inicial, concede benefício diverso por entender preenchidos seus requisitos, tendo em vista a relevância da questão social que envolve a matéria. Precedentes: 3. Agravo Regimental do INSS desprovido. (AgRg no REsp 1.320.249/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 7.11.2013, DJe 2.12.2013 - destaques meus). Contudo, não se trata da hipótese dos autos, em que a sentença condenou o INSS para determinar o recalculo do benefício, computando-se as verbas reconhecidas na sentença trabalhista na renda mensal do benefício a partir de sua concessão, sem explicitar a incidência da prescrição quinquenal e termo inicial do pagamento das diferenças; e mesmo sem apelo da autora o acórdão concluiu pelo afastamento da prescrição quinquenal, garantindo o pagamento das diferenças desde a data da concessão originária em 2012, sem dúvida condenação mais gravosa a autarquia previdenciária. Portanto, o acórdão recorrido adotou entendimento contrário nesta Corte, de que, em sede de remessa necessária, não havendo a interposição de recurso da parte, o tribunal de origem não pode tornar mais grave a condenação imposta à Fazenda Pública, em atenção ao princípio da non reformatio in pejus. Esse entendimento foi ratificado com a publicação da Súmula n. 45/STJ, in verbis: "no reexame necessário, é defeso, ao Tribunal, agravar a condenação imposta a Fazenda Pública". Nesse sentido, os seguintes precedentes, assim ementados: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. TERRENOS DE MARINHA. COBRANÇA DA TAXA DE OCUPAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECRETO-LEI 20.910/32 E LEI Nº 9.636/98. DECADÊNCIA. LEI 9.821/99. PRAZO QUINQUENAL. LEI 10.852/2004. PRAZO DECENAL MARCO INTERRUPTIVO DA PRESCRIÇÃO. ART. 8º, § 2º, DA LEI 6.830/80. REFORMATIO IN PEJUS. NÃO CONFIGURADA. VIOLAÇÃO DO ART. 535, II, CPC. INOCORRÊNCIA. (..) 7. As anuidades relativas ao período de 1999 a 2002 sujeitam-se a prazos decadencial e prescricional de cinco anos, razão pela qual os créditos referentes a esses quatro exercícios foram constituídos dentro do prazo legal de cinco anos (05.11.2002) e cobrados também no prazo de cinco anos a contar da constituição (13.01.2004), não se podendo falar em decadência ou prescrição do crédito em cobrança. 8. Contudo, em sede de Recurso Especial exclusivo da Fazenda Nacional, impõe-se o não reconhecimento da prescrição dos créditos anteriores a 20/10/1998, sob pena de incorrer-se em reformatio in pejus (..) 10. É defeso ao julgador, em sede de remessa necessária, agravar a situação da Autarquia Federal, à luz da Sumula 45/STJ, mutatis mutandis, com mais razão erige-se o impedimento de fazê-lo, em sede de apelação interposta pela Fazenda Pública, por força do princípio da vedação da reformatio in pejus. Precedentes desta Corte em hipóteses análogas: RESP 644700/PR, DJ de 15.03.2006; REsp 704698/PR, DJ de 16.10.2006 e REsp 806828/SC, DJ de 16.10.2006. (..) (REsp 1.133.696/PE, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13.12.2010, DJe 17.12.2010 - destaques meus). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AFRONTA AO ART. 475 DO CPC. PRINCÍPIO DA NON REFORMATIO IN PEJUS EM REMESSA OBRIGATÓRIA. VERBA HONORÁRIA. AÇÃO RESCISÓRIA. CABIMENTO. PRECEDENTE DA CORTE ESPECIAL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA ACOLHIDOS. 1. A interpretação restrita do art. 485, V, do CPC não importa em sua interpretação literal, sob pena de não ser possível alcançar seu verdadeiro sentido e intento e, por conseguinte, assegurar uma efetiva prestação jurisdicional. 2. A proibição da reformatio in pejus, cujo status principiológico é inegável, porquanto exprime uma noção primordial do sistema recursal, encontra-se implicitamente contida na regra do art. 475 do CPC, que trata da remessa necessária. 3. "É cabível ação rescisória contra acórdão transitado em julgado que, em remessa necessária, houver afrontado o princípio da non reformatio in pejus" (EREsp 935.874/SP, de minha relatoria, Corte Especial, DJe de 14/9/09) 4. Embargos de divergência acolhidos. (EREsp 1.117.811/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28.8.2013, DJe 2.10.2013 - destaques meus). Ademais, a Primeira seção desta Corte já teve oportunidade de se manifestar em hipótese semelhante, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL ADMITIDO COMO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. CONCESSÃO DE BENEFÍCIO MAIS VANTAJOSO AO SEGURADO EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO. CONFIGURAÇÃO DA REFORMATIO IN PEJUS, A DESPEITO DE TRATAR-SE DE AÇÃO DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. RECURSO ESPECIAL DO INSS CONHECIDO E PROVIDO. 1. As demandas previdenciárias reclamam instrumentos processuais por vezes distintos daqueles oferecidos pela Lei Processual Civil, em razão da fundamentabilidade do bem jurídico envolvido e da presumível hiposuficiência econômica e informacional da pessoa que busca a prestação previdenciária, levando-se em conta os cânones constitucionais atinentes à Seguridade Social, que tem como base o contexto social adverso em que se inserem os que buscam judicialmente os benefícios previdenciários. 2. Não se pode descuidar da proteção social que se busca alcançar nestas demandas, devendo-se procurar encontrar na hermenêutica previdenciária a solução que mais se aproxime do caráter social da Carta Magna, a fim de que as normas processuais não venham a obstar a concretude do direito fundamental à prestação previdenciária a que faz jus o segurado, quando preenchidos os requisitos próprios. 3. Contudo não se admite a concessão, ex oficcio, de um benefício mais vantajoso que aquele fixado na sentença, em sede de reexame necessário, uma vez que nessas hipóteses não houve nenhum tipo de contraditório acerca da concessão e, evidentemente, nenhum tipo de instrução, não sendo possível apurar a legitimidade da pretensão ao benefício mais vantajoso. 4. Recurso Especial do INSS provido para restaurar a sentença. (REsp 1544804/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Rel. p/ Acórdão Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 9.8.2017, DJe 19.9.2017, destaque meu). Posto isso, com fundamento nos arts. 932, V, do Código de Processo Civil de 2015 e 34, XVIII, c, e 255, III, ambos do RISTJ, DOU PROVIMENTO ao Recurso Especial nos termos da fundamentação. Publique-se e intimem-se. EMENTA