EAREsp 1879859 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o réu é reincidente e possui maus antecedentes, circunstâncias judiciais desfavoráveis que justificam a manutenção do regime inicial fechado e impedem a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos dos arts. 33 §3º, 59 e 44 do...
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- Parties
- Agravante: RODRIGO EDUARDO COSTA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 October 2021
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sesta Turma)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo regimental
- Legal Topics
- Receptação, Regime Inicial De Cumprimento De Pena, Substituição Da Pena Por Restritivas De Direitos, Reincidência, Maus Antecedentes, Dosimetria Da Pena
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Parties
RODRIGO EDUARDO COSTA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sesta Turma)
Legal Issues
- 1 Se o regime inicial de cumprimento de pena deve ser semiaberto apesar do quantum da pena
- 2 Se é cabível a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos diante de reincidência e circunstâncias judiciais desfavoráveis
- 3 Se maus antecedentes justificam a fixação do regime fechado e a elevação da pena-base
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o réu é reincidente e possui maus antecedentes, circunstâncias judiciais desfavoráveis que justificam a manutenção do regime inicial fechado e impedem a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, nos termos dos arts. 33 §3º, 59 e 44 do Código Penal e da jurisprudência do STJ.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo regimental
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Olindo Menezes (Desembargador Convocado do TRF 1ª Região), Laurita Vaz e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ: RODRIGO EDUARDO COSTA interpõe agravo regimental, em face da decisão de fls. 472-474, por meio da qual conheci do agravo para negar provimento ao recurso especial. Em suas razões, a defesa reitera que "seja dado provimento ao recurso especial, haja visa o cabimento da substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito, bem como a aplicação do regime semiaberto" (fl. 479). Requer, dessa forma, a reconsideração do decisum agravado ou a submissão do feito ao órgão colegiado. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA E SUBSTITUIÇÃO DA REPRIMENDA POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. FUNDAMENTAÇÃO CONCRETA E IDÔNEA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A despeito do quantum de pena definitivamente imposta ao réu, a reincidência e os maus antecedentes justificam a fixação do modo fechado. 2. "Não configura ofensa ao princípio do non bis in idem a consideração dos maus antecedentes para elevar a reprimenda básica e fixar o regime mais gravoso para início de cumprimento da reprimenda por serem institutos diversos e decorrerem de expressa previsão legal constante dos arts. 59 e 68, bem como do art. 33, respectivamente, todos do Código Penal" (AgRg no HC n. 497.220/SC, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 22/10/2019). 3. É incabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direito diante da presença de circunstância judicial desfavorável e a reincidência do acusado. 4. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): Não obstante os esforços perpetrados pelo ora agravante, não constato fundamentos suficientes a infirmar a decisão agravada, cuja conclusão mantenho. Extrai-se dos autos que o agravante foi condenado à pena de 2 anos e 6 meses de reclusão, em regime fechado, mais multa, pela prática do delito de receptação. A pena-base foi fixada acima do mínimo legal, diante dos mais antecedentes do réu e o regime fechado justificado porquanto o réu, "mesmo estado em cumprimento de pena gozando das benesses da Justiça, praticou outro crime" (fl. 171). A Corte estadual manteve o regime mais gravoso fixado na sentença, "diante dos maus antecedentes do acusado" (fl. 340). Quanto à almejada modificação do regime inicial do paciente para o semiaberto, cumpre enfatizar que esta Corte tem decidido que o modo inicial de cumprimento da pena não está vinculado, de forma absoluta, ao quantum de reprimenda imposto. É dizer, para a escolha do regime prisional, devem ser observadas as diretrizes dos arts. 33 e 59, ambos do Código Penal, além dos dados fáticos da conduta delitiva que, se demonstrarem a gravidade concreta do crime, poderão ser invocados pelo julgador para a imposição de regime mais gravoso do que o permitido pelo quantum da pena (HC n. 279.272/SP, Rel. Ministro Moura Ribeiro, 5ª T., DJe 25/11/2013; HC n. 265.367/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, 5ª T., DJe 19/11/2013; HC n. 213.290/SP, Rel. Ministra Maria Thereza de Assis Moura, 6ª T., DJe 4/11/2013; HC n. 148.130/MS, Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, 6ª T., DJe 3/9/2012). O art. 33, § 3º, do Código Penal estabelece que "a determinação do regime inicial de cumprimento de pena far-se-á com observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código". Portanto, as mesmas circunstâncias judiciais aferidas pelo magistrado para fixação da pena-base na primeira fase da dosimetria deverão ser sopesadas na imposição do regime inicial de cumprimento de pena. No caso dos autos, o réu, além de ser reincidente, possui maus antecedentes avaliados como circunstância judicial desfavorável, o que afasta, inclusive, a aplicação da Súmula n. 269 deste Superior Tribunal, "É admissível a adoção do regime prisional semi-aberto aos reincidentes condenados a pena igual ou inferior a quatro anos se favoráveis as circunstâncias judiciais." Conforme dito na decisão agravada, quanto à pretendida substituição da reprimenda privativa de liberdade por restritiva de direitos, a presença de circunstância judicial desfavorável, igualmente, evidencia que o benefício não se mostra, no caso, medida socialmente recomendável, ex vi do disposto no art. 44, III, do Código Penal. Nesse contexto, reafirmo, que o aresto está em conformidade com o entendimento desta Corte, in verbis: .. 4. A fixação do regime semiaberto e a negativa da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos pode ser justificada pela existência de circunstâncias judiciais desfavoráveis, conforme ocorrido na hipótese dos autos. A pretensão é inadmissível pela orientação da Súmula n. 83 do STJ. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp n. 1.749.660/PR, Rel. Ministro Rogerio Schietti, 6ª T., DJe 30/8/2021) Logo, ausentes fatos novos ou teses jurídicas diversas que permitam a análise do caso sob outro enfoque, deve ser mantida a decisão agravada. À vista do exposto, nego provimento ao agravo regimental.