HC 840235 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por se tratar de writ substitutivo de recurso próprio, nos termos da orientação jurisprudencial do STF/STJ e do art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ; subsidiariamente, manteve-se a conclusão de que a busca pessoal foi legítima diante das circunstâncias fáticas (tentativa de fuga e...
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- Parties
- Paciente: ALESSANDRO MARQUES CARVALHO; Órgão Prolator Do Acórdão: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Manifestante: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 March 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecido Pelo STJ (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- Não conheço do presente habeas corpus (decisão de não conhecimento).
- Legal Topics
- Receptação, Busca Pessoal, Provas Ilícitas, Fundada Suspeita, Habeas Corpus, Reincidência
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Parties
ALESSANDRO MARQUES CARVALHO
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Órgão Prolator Do Acórdão
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL - MPF
Manifestante
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Não Conhecido Pelo STJ (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 Ilicitude da busca pessoal realizada sem fundada suspeita
- 2 Admissibilidade do habeas corpus substitutivo de recurso próprio
- 3 Limites do habeas corpus quanto ao reexame do conjunto probatório
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por se tratar de writ substitutivo de recurso próprio, nos termos da orientação jurisprudencial do STF/STJ e do art. 34, XX, do Regimento Interno do STJ; subsidiariamente, manteve-se a conclusão de que a busca pessoal foi legítima diante das circunstâncias fáticas (tentativa de fuga e abandono de caixa contendo o objeto), e que o habeas corpus não é o meio adequado para reexaminar provas e fatos.
Court Disposition
Não conheço do presente habeas corpus (decisão de não conhecimento).
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em benefício de ALESSANDRO MARQUES CARVALHO contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL proferido no julgamento da Apelação Criminal n. 5001258-73.2021.8.21.0030. Consta dos autos que o paciente foi condenado a 1 ano, 4 meses e 20 dias de reclusão, no regime inicial semiaberto, pela prática do crime de receptação (art. 180, caput, do Código Penal - CP). O Tribunal a quo negou provimento à apelação defensiva em acórdão que restou assim ementado: "APELAÇÃO CRIME. CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO. RECEPTAÇÃO DOLOSA. DESCLASSIFICAÇÃO AFASTADA. CONDENAÇÃO MANTIDA. Dispondo o réu do bem subtraído, apreendido em seu poder, presume- se a autoria da infração, invertendo-se o ônus probatório, inclusive acerca da ciência da ilícita de sua procedência, mormente porque não foi apresentado documento comprobatório de regular aquisição, não havendo falar em absolvição, tampouco em desclassificação da infração para a forma culposa. Ostentando o acusado dez condenações anteriores e irrecorríveis, possível que algumas sejam utilizadas para valorar negativamente os antecedentes, e, as restantes, para agravar a pena, ausente bis in idem. Reconhecendo a repercussão geral da questão, afirmou o Supremo Tribunal Federal, em sede de controle de constitucionalidade (RE 453.00/RS) a constitucionalidade da reincidência, afastando, portanto, qualquer dúvida quanto à compatibilidade do disposto no artigo 61, inciso I, do Código Penal com a Constituição Federal de 1988. Condenação e apenamento mantidos. APELO DESPROVIDO" (fl. 16). A defesa sustenta, em síntese, que a condenação estaria embasada em provas ilícitas, haja vista que teriam decorrido de busca pessoal realizada sem a existência de fundada suspeita. Requer, assim, a concessão da ordem para "reconhecer a ilicitude da busca pessoal realizada, com a absolvição do paciente" (fl. 9). Indeferido o pedido de liminar (fls. 344/345) e prestadas as informações (fls. 352/424 e 470/478), o Ministério Público Federal - MPF manifestou-se pelo não conhecimento do writ (fls. 479/481). É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração sequer deveria ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal - STF e do próprio Superior Tribunal de Justiça - STJ. Contudo, considerando as alegações expostas na inicial, razoável verificar a existência de eventual constrangimento ilegal. O Tribunal de origem afastou a suposta ilicitude das provas mediante a seguinte fundamentação: " .. Com efeito, segundo se colhe da regra posta no §2º do artigo 240 do Código de Processo Penal 2 legítima a busca pessoal realizada por agentes policiais, desde que haja fundada suspeita de que o acusado oculte consigo arma proibida ou objetos que digam respeito à prática de delitos. Ora, no particular, ao contrário do que tenta fazer crer a defesa, consta no registro de ocorrência e na palavra do policial militar - será posteriormente analisada - que a busca pessoal levada a efeito decorreu das circunstâncias do evento, considerando que o acusado, enquanto transitava em via pública, durante a madrugada, e diante da proximidade dos policiais militares, tentou se evadir do local, abandonando uma caixa de papelão que continha o material ilícito avultando fundadas razões para a abordagem e consequente busca pessoa" (fl. 12). O art. 244 do Código de Processo Penal - CPP dispõe que "a busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar". Na hipótese, as instâncias ordinárias ressaltaram que policiais militares, durante patrulhamento de rotina, visualizaram o ora paciente transitando em via pública durante a madrugada, situação em que tentou se evadir do local, abandonando uma caixa de papelão (que acondicionava o objeto da receptação) ao ver os agentes estatais. Tais circunstâncias motivaram a abordagem. Nesse contexto, restou justificada a abordagem e busca pessoal. Acolher a tese defensiva de ausência de justa causa prévia para a abordagem demandaria o aprofundado reexame do conjunto probatório, providência vedada em sede de habeas corpus, procedimento de cognição sumária e rito célere. Sobre os temas: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL E VEICULAR. FUNDADA SUSPEITA E APREENSÃO DE ENTORPECENTES. FUGA. GRANDE QUANTIDADE DE DROGAS. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. É firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que a busca pessoal é legítima quando amparada em fundadas suspeitas, com base nas circunstâncias do caso concreto. 2 . No presente caso, as instâncias ordinárias concluíram que a fundada suspeita restou evidenciada em razão de denúncia anônima que levou os policiais ao local dos fatos, onde avistaram um carro com as características contidas na denúncia. O paciente ao perceber que estava sendo observado pela polícia empreendeu em fuga por estrada de terra à margem da rodovia, momento em que policias decidiram realizar a abordagem e apreenderam significativa quantidade de entorpecentes. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 860.543/GO, de minha Relatoria, Quinta Turma, DJe de 6/12/2023.) PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO POR TRÁFICO DE ENTORPECENTES. PRISÃO EM FLAGRANTE. GUARDAS MUNICIPAIS. ILEGALIDADE. DESVIO DE FUNÇÃO. PROVAS ILÍCITAS. INOCORRÊNCIA. CRIME PERMANENTE. PRISÃO EM FLAGRANTE AUTORIZADA. BUSCA PESSOAL. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. FUNDADAS RAZÕES. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. ENUNCIADO SUMULAR N. 182/STJ. AUSÊNCIA. DE NOVOS ARGUMENTOS APTOS A ALTERAR A DECISÃO AGRAVADAS. I - É assente nesta Corte Superior a orientação de que os integrantes da guarda municipal não desempenham a função de policiamento ostensivo. Contudo, também é firme o entendimento jurisprudencial deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, "nos termos do artigo 301 do Código de Processo Penal, qualquer pessoa pode prender quem esteja em flagrante delito, razão pela qual não há qualquer óbice à sua realização por guardas municipais. Precedentes" (HC n. 357.725/SP, Quinta Turma, Rel. Min. Jorge Mussi, DJe de 12/05/2017). II - Em situações de flagrante delito, como restou evidenciado v. aresto reprochado, bem como no auto de prisão em flagrante lavrado pela autoridade policial (fls. 10-22), a atuação dos agentes municipais está respaldada no comando legal do art. 301 do Código de Processo Penal. III - A respeito da busca pessoal realizada, sabe-se que o artigo 240, § 2º, do Código de Processo Penal preceitua que será realizada "busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior". Por sua vez, o artigo 244 do aludido diploma legal prescreve que "a busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar". Da leitura dos referidos dispositivos, depreende-se que a revista pessoal independe de mandado quando se está diante de fundada suspeita de que o indivíduo traz consigo objetos ilícitos. IV - In casu, ao contrário do que sustentado na presente insurgência, verifica-se que configuraram-se as fundadas razões exigidas pela lei processual, uma vez que o ora agravante, que trafegava por via pública já conhecida pelos agentes como ponto utilizado para a realização do comércio espúrio com uma sacola em suas mãos, ao notar a presença de equipe policial que realizava patrulhamento de rotina, apresentou acentuado nervosismo, o que causou estranheza nos milicianos, que decidiram, somente então, realizar a abordagem. Por conseguinte, havendo, de fato, fundada suspeita de que o paciente estava na posse de objetos ilícitos, não há que se falar em nulidade da busca pessoal realizada. V - De mais a mais, importante esclarecer a impossibilidade de se percorrer todo o acervo fático-probatório nesta via estreita do writ, como forma de desconstituir as conclusões das instâncias ordinárias, soberanas na análise dos fatos e provas, providência inviável de ser realizada dentro dos estreitos limites do habeas corpus, que não admite dilação probatória e o aprofundado exame do acervo processual. VII - No mais, a d. Defesa se limitou a reprisar os argumentos da impetração inicial, o que atrai o verbete do Enunciado Sumular n. 182 desta eg. Corte Superior de Justiça, segundo a qual é inviável o agravo regimental que não impugna especificamente os fundamentos da decisão agravada. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 684.062/SP, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Quinta Turma, DJe de 3/11/2021.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. BUSCA PESSOAL. FUNDADAS RAZÕES. INTELIGÊNCIA POLICIAL. ATITUDE SUSPEITA DO AGENTE. PRISÃO PREVENTIVA. REVOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. DESPROPORÇÃO ENTRE A CUSTÓDIA E O QUANTUM DA PENA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. NÃO OCORRÊNCIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Nos termos do art. 244 do CPP, a busca pessoal independerá de mandado quando houver prisão ou fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida, de objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou ainda quando a medida for determinada no curso de busca domiciliar. 2. A busca pessoal é legítima se amparada em fundadas razões, se devidamente justificada pelas circunstâncias do caso concreto. 3. A prisão preventiva é cabível mediante decisão fundamentada em dados concretos, quando evidenciada a existência de circunstâncias que demonstrem a necessidade da medida extrema, nos termos dos arts. 312, 313 e 315 do Código de Processo Penal. 4. São fundamentos idôneos para a decretação da segregação cautelar no caso de tráfico ilícito de entorpecentes a quantidade, a variedade ou a natureza das drogas apreendidas. 5. Não se pode dizer que a prisão preventiva é desproporcional em relação a eventual condenação que o agente poderá sofrer ao final do processo, pois não há como, em habeas corpus, concluir que ele fará jus à pena mínima do delito cometido, especialmente se consideradas as circunstâncias do caso. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 685.437/SC, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, DJe de 1/10/2021.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XX, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA