AREsp 2293424 - DECISAO
Conheceu-se do agravo. Não conheceu-se do ponto relativo ao art.155 do CPP por falta de prequestionamento, e no mérito o reexame das provas para absolvição implicaria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ. O Tribunal a quo tinha motivação suficiente ao concluir que os aparelhos eram...
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- Parties
- Agravante: CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES DE SOUZA ou CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo; conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Receptação, Favorecimento Real Penitenciário, Bis in Idem, Prequestionamento, Reexame De Matéria Fático Probatória, Inadmissão De Recurso Especial, Prova Produzida Em Inquérito
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Parties
CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES DE SOUZA ou CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interposto Contra Decisão Que Inadmitiu Recurso Especial / Decidido Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 prequestionamento como requisito de admissibilidade do recurso especial
- 2 possibilidade de reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
- 3 configuração do crime de receptação a partir da origem ilícita do bem
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo. Não conheceu-se do ponto relativo ao art.155 do CPP por falta de prequestionamento, e no mérito o reexame das provas para absolvição implicaria revolvimento de matéria fático-probatória vedado pela Súmula 7/STJ. O Tribunal a quo tinha motivação suficiente ao concluir que os aparelhos eram produtos de delito (art.349-A do CP) e que a posse configurou receptação (art.254 do CPM); bem como corretamente afastou o bis in idem por tratar-se de esferas independentes. Assim, conheceu-se parcialmente do recurso especial e negou-lhe provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo; conheço parcialmente do recurso especial e nego-lhe provimento
Orders
- Conheço do agravo
- Conheço parcialmente do recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES DE SOUZA ou CRISTIANE CARDOSO GONÇALVES, em adversidade à decisão que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, cuja ementa, na parte que interessa, é a seguinte (e-STJ fls. 1169/1170): DIREITO PENAL MILITAR. CRIME DE RECEPTAÇÃO . Preliminar de prescrição suscitada pela defesa técnica de Luciana, ora quarta apelante. Inocorrência . Nenhuma nulidade se vislumbra, também, na oitiva das APELANTES em sede policial. Aplicação da Súmula Vinculante nº 5 do Supremo Tribunal Federal . Prefacial que merece rejeição. Pleitos defensivos comuns a todos os apelantes para absolvição por fragilidade probatória ou atipicidade da conduta delitiva . Concretamente, tal como demonstrado nos autos, foram encontrados diversos aparelhos de telefonia móvel no interior da unidade prisional da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente na cela B62 (Vagner) e no alojamento feminino (demais acusadas) . O ingresso dos aparelhos celulares em unidade prisional caracteriza crime de favorecimento real penitenciário (art. 349 -A do CP ) e sua posse ou guarda se configura em crime de receptação, conforme previsto no art. 254 do CPM . Não há, pois, que se falar em atipicidade do fato delitivo. Tampouco inexiste como se contrapor às provas que demonstram terem os acusados concorrido para a infração penal . A autoria dos crimes imputados a cada um dos acusados mostra -se inequívoca . Quanto à transação penal e suspensão condicional do processo, verifica -se que o artigo 90 - A da Lei 9.099/95 prevê: "As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar. Por fim, considerando que os apelantes estão acautelados por terem praticado conduta ilícita anteriormente, impossível que a pena privativa de liberdade seja convertida em restritivas de direitos, não satisfazendo, por conseguinte, os requisitos do art. 44, incisos II e III, do Código Penal. Logo, incabível também o pedido de suspensão condicional da pena, eis que as circunstâncias do crime não atendem aos requisitos do artigo 77, II, III do Código Penal . APELOS DESPROVIDOS . Interpostos embargos de declaração, esses foram rejeitados (e-STJ fls. 1234/1239). Nas razões do recurso especial (e-STJ fls. 1277/1283), fundado na alínea "a" do permissivo constitucional, alega a parte recorrente violação do artigo 50, inciso VII, da LEP, do artigo 155 do CPP, do artigo 439, "b", do CPPM. Sustenta: (i) que a condenação da acusada restou baseada somente em elementos colhidos do inquérito; (ii) que a consumação do crime previsto no artigo 349-A do CP não gera resultado naturalístico correspondente a produto de crime passível de tornar-se objeto material do delito de receptação; (iii) a ocorrência do bis in idem, tendo em vista que já tendo sido punida por falta grave, não pode ser condenada pelo delito do art. 254 do CPM. Apresentadas contrarrazões (e-STJ fls. 1335/1344), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 1382/1392), tendo sido interposto o presente agravo. O Ministério Público Federal, instado a se manifestar, opinou pelo não conhecimento e, caso conhecido, pelo não provimento do agravo (e-STJ fls. 1518/1528). É o relatório. Decido. Preenchidos os requisitos formais e impugnado o fundamento da decisão agravada, conheço do agravo. O recurso não merece acolhida. Primeiramente, a violação do artigo 155 do CPP não foi objeto de debate pela instância ordinária, mesmo com a apresentação de embargos de declaração, o que inviabiliza o conhecimento do recurso especial por ausência de prequestionamento. Incidem ao caso as Súmulas n. 211/STJ e 282/STF. Prosseguindo, o Tribunal a quo, em decisão devidamente motivada, entendeu que, do caderno instrutório, emergiram elementos suficientemente idôneos de prova, colhidos nas fases inquisitorial e judicial, aptos a manter a condenação da acusada pelo crime do artigo 254 do CPM, conforme fundamentação abaixo (e-STJ fls. 1172/1173): Concretamente, tal como demonstram os termos de apreensão de material (index # 14, 26 29 e 210), bem como o laudo pericial (index 306/315 e 362/374), foram encontrados diversos aparelhos de telefonia móvel no interior da unidade prisional da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente na cela B62 (Vagner) e no alojamento feminino (demais acusadas) . Vale destacar que para a tipificação do mencionado crime de receptação basta a configuração de que os bens seriam provenientes do cometimento de delito anterior . O ingresso dos aparelhos celulares em unidade prisional caracteriza crime de favorecimento real penitenciário (art. 349 -A do CP ) e sua posse ou guarda configura o crime de receptação previsto no art. 254 do CPM. A materialidade dos crimes é, pois, evidente e restou corroborada pela prova oral produzida nos autos e já transcritas na sentença e no parecer da douta Procuradoria de Justiça, o que torna despicienda sua repetição no presente voto. Ao contrário do sustentado pelas Defesas dos Apelantes, mostra - se firme o conjunto probatório produzido, sendo ele mais do que suficiente para sustentar o decreto condenatório. Não há que se falar em atipicidade do fato delitivo. Tampouco inexiste como se contrapor às provas que demonstram terem os acusados concorrido para a infração penal . A autoria dos crimes imputados a cada um dos acusados mostra -se inequívoca . O primeiro apelante admitiu em juízo que o celular encontrado na cela B62 lhe pertencia. No entanto, em sede administrativa, as demais rés também assumiram a propriedade dos aparelhos, conforme consta em seus termos de declaração: Andreia (docs. 402 e 403), Cristiane (docs. 407 e 408) e Luciana (docs. 412 e 413). Ora, pela leitura do trecho acima, verifica-se que a Corte a quo concluiu que os celulares apreendidos seriam produtos do crime previsto no art. 349-A do CP, caracterizando a origem ilícita necessária à configuração do delito previsto no art. 254 do CPM. Assim, rever os fundamentos utilizados, para concluir pela absolvição, por ausência de prova concreta para a condenação, como requer a defesa, importa revolvimento de matéria fático-probatória, vedado em recurso especial, segundo óbice da Súmula n. 7/STJ. Por fim, mostra-se equivocada a alegação da ocorrência do bis in idem, uma vez que a agravada incorreu tanto em falta grave, quanto em crime, sendo as esferas independentes, não podendo a punição por falta disciplinar afastar a prática do delito correspondente. Ante o exposto, com fundamento no art. 932, inciso VIII, do Código de Processo Civil, c/c o art. 253, parágrafo único, inciso II, alínea "b", do RISTJ e na Súmula n. 568/STJ, conheço do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento. Intimem-se. EMENTA