HC 1005582 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração se configura como substituição inadequada do recurso cabível ou da revisão criminal e não há ilegalidade flagrante no acórdão impugnado (art. 647-A do CPP), além de que, no caso concreto, a produção de prova pericial foi considerada prescindível e o paciente não se...
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- Parties
- Paciente: WESLEY RUIZ PEREIRA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÃO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 June 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Da Impetração
- Outcome
- Não conheço do habeas corpus
- Legal Topics
- Receptação, Adulteração De Sinal Identificador De Veículo, Habeas Corpus, Revisão Criminal, Prova Pericial, Insuficiência De Provas
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Parties
WESLEY RUIZ PEREIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÃO DE SÃO PAULO
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento Da Impetração
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus como sucedâneo de recurso ou de revisão criminal
- 2 suficiência de provas para condenação por receptação (art. 180) e adulteração de sinal (art. 311)
- 3 necessidade de produção de prova pericial
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração se configura como substituição inadequada do recurso cabível ou da revisão criminal e não há ilegalidade flagrante no acórdão impugnado (art. 647-A do CPP), além de que, no caso concreto, a produção de prova pericial foi considerada prescindível e o paciente não se desincumbiu das obrigações processuais indicadas (art. 156 do CPP).
Court Disposition
Não conheço do habeas corpus
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de WESLEY RUIZ PEREIRA, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO. Consta dos autos que o paciente foi condenado às penas de 4 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado e de pagamento de 15 dias-multa, como incurso nas sanções dos arts . 180, caput, do Código Penal e 311, § 2º, inciso III, do Código Penal. Alega que não há provas suficientes para a condenação do paciente, sustentando que ele desconhecia a origem ilícita da motocicleta adquirida, o que justificaria a desclassificação do delito para receptação culposa, nos termos do art. 180, § 3º, do Código Penal. Afirma, ainda, que a motocicleta não foi periciada, conforme requerido pelo Ministério Público, o que prejudicaria a condenação pelo crime previsto no art. 311, § 2º, inciso III, do Código Penal, devendo o paciente ser absolvido por insuficiência de provas. No mérito, requer a absolvição do paciente dos crimes previstos nos arts. 180 e 311 do Código Penal, ou, alternativamente, a desclassificação do crime de receptação para sua modalidade culposa e a absolvição do crime de adulteração de sinal identificador de veículo. É o relatório. O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Sobre a questão, confiram-se os seguintes julgados desta Corte Superior: PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. ABSOLVIÇÃO IMPETRAÇÃO DE HABEAS CORPUS NA FLUÊNCIA DO PRAZO PARA A INTERPOSIÇÃO DE RECURSOS NA ORIGEM. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O writ foi manejado antes do dies ad quem para a interposição da via de impugnação própria na causa principal, o recurso especial. Dessa forma, a impetração consubstancia inadequada substituição do recurso cabível ao Superior Tribunal de Justiça, não se podendo excluir a possibilidade de a matéria ser julgada por esta Corte na via de impugnação própria, a ser eventualmente interposta na causa principal" (AgRg no HC n. 895.954/DF, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo - Desembargador Convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 12/8/2024, DJe de 20/8/2024.) 2. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 939.599/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024 - grifo próprio.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO HABEAS CORPUS COMO SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. AGRAVO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo regimental interposto por Pablo da Silva contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus, com base no entendimento de que o habeas corpus foi utilizado em substituição a revisão criminal. O agravante foi condenado a 1 ano de reclusão, com substituição da pena por restritiva de direitos, pela prática de furto (art. 155, caput, CP). A defesa pleiteou a conversão da pena restritiva de direitos em multa, alegando discriminação com base na condição financeira do paciente. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) definir se é cabível o conhecimento do habeas corpus utilizado em substituição à revisão criminal; e (ii) estabelecer se a escolha da pena restritiva de direitos, em vez de multa, configura discriminação por condição financeira. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O habeas corpus não é admitido como substituto de revisão criminal, conforme a jurisprudência consolidada do STJ e do STF, ressalvados casos de flagrante ilegalidade. 4. Não houve demonstração de ilegalidade evidente na escolha da pena restritiva de direitos, sendo esta compatível com a natureza do crime e as condições pessoais do condenado. IV. DISPOSITIVO E TESE 5. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: 1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substituto de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade. 2. A escolha de pena restritiva de direitos, em substituição à privativa de liberdade, não configura discriminação por condição financeira, desde que adequadamente fundamentada. Dispositivos relevantes citados: Código Penal, art. 155; STJ, AgRg no HC 861.867/SC; STF, HC 921.445/MS. (AgRg no HC n. 943.522/SC, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 4/11/2024 - grifo próprio.) Portanto, não se pode conhecer da impetração. A propósito do disposto no art. 647-A do CPP, verifico que o acórdão impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício. Analisados os fundamentos adotados no ato judicial impugnado, observa-se que o paciente não logrou demonstrar a forma tentada do crime de receptação, não se desincumbindo da obrigação constante no art. 156 do CPP (fl. 20). Ademais, verifica-se que a produção de prova pericial é prescindível em casos como o presente. Nesse sentido é a jurisprudência desta Corte Superior: AgRg no AREsp n. 2.571.051/MG, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 25/2/2025; AgRg nos EDcl no HC n. 899.798/PR, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 2/9/2024, DJe de 5/9/2024; e AgRg no REsp n. 1.366.117/SE, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 27/11/2018, DJe de 12/12/2018. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA