HC 1056870 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração constitui substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado (transitado em julgado em 16/7/2019), estando preclusa tal via, não se constatando flagrante ilegalidade no acórdão impugnado e sendo inviável o revolvimento do conjunto fático-probatório em sede de...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: GILBERTO FERREIRA; Autoridade Coatora: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 December 2025
- Procedural Posture
- Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conhecido
- Legal Topics
- Receptação, Habeas Corpus Substitutivo, Revisão Criminal, Trânsito Em Julgado, Preclusão Temporal, Execução Provisória Da Pena, Inépcia De Revolvimento Fático Probatório
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
GILBERTO FERREIRA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Autoridade Coatora
Procedural Posture
Habeas Corpus Substitutivo De Recurso Próprio / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 impossibilidade de utilização do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado
- 2 ausência de flagrante ilegalidade no acórdão impugnado
- 3 inadmissibilidade de revolvimento do conjunto fático-probatório em sede de habeas corpus
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração constitui substitutivo de revisão criminal após trânsito em julgado (transitado em julgado em 16/7/2019), estando preclusa tal via, não se constatando flagrante ilegalidade no acórdão impugnado e sendo inviável o revolvimento do conjunto fático-probatório em sede de habeas corpus.
Court Disposition
não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intime-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, com pedido liminar, impetrado em favor de GILBERTO FERREIRA, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA. Extrai-se dos autos que o paciente foi denunciado como incurso nos arts. 180, § 1º e 311, ambos do Código Penal, sobrevindo sentença que o condenou à pena de 3 anos de reclusão, no regime aberto, e pagamento de 10 dias-multa, apenas pelo crime de receptação. A defesa interpôs recurso de apelação perante o Tribunal de origem, que negou provimento ao apelo, nos termos do acórdão que recebeu a seguinte ementa: "APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME DE RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. ART. 180, § 1º, DO CÓDIGO PENAL. SENTENÇA CONDENATÓRIA. RECURSO DEFENSIVO. PLEITO DE ABSOLVIÇÃO SOB ALEGAÇÃO DE MÍNGUA PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE ACOLHIDA. MATERIALIDADE E AUTORIA DEMONSTRADOS. ACUSADO QUE ADQUIRIU, MANTEVE EM DEPÓSITO E EXPÔS À VENDA VEÍCULO CUJOS SINAIS IDENTIFICADORES HAVIAM SIDO TODOS SUPRIMIDOS. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DESTE BEM COMO SENDO O OBJETO DE FURTO ANTERIOR QUE NÃO INVIABILIZA A CONDENAÇÃO PELO CRIME DE RECEPTAÇÃO. DELITO ANTERIOR DE ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR ATESTADA POR LAUDO PERICIAL. NEGATIVA DE AUTORIA QUE, POR SI SÓ, NÃO IMPEDE A MANTENÇA DO DECRETO CONDENATÓRIO. POSSIBILIDADE DE EXECUÇÃO PROVISÓRIA DA PENA. SENTENÇA CONDENATÓRIA CONFIRMADA NESTE GRAU DE JURISDIÇÃO. ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL PROFERIDA NO ARE N. 964.246. "Em regime de repercussão geral, fica reafirmada a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a execução provisória de acórdão penal condenatório proferido em grau recursal, ainda que sujeito a recurso especial ou extraordinário, não compromete o princípio constitucional da presunção de inocência afirmado pelo artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal (STF, Min. Teori Zavascki) (TJSC, Apelação Criminal n. 0000949-67.2018.8.24.0125, de Itapema, rel. Des. Getúlio Corrêa, Terceira Câmara Criminal, j. 09-04-2019)". RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO." (e-STJ, fls. 422-432) Neste writ, a defesa alega ausência de prova da materialidade do crime antecedente, elemento essencial do tipo de receptação, ressaltando que o veículo apreendido estava sem identificação, não foi reconhecido pela suposta vítima, e o laudo pericial apontou a impossibilidade de identificar sua origem. Ainda, afirma a inexistência de dolo na conduta, asseverando fragilidade probatória ante a inexistência de flagrante de adulteração ou apreensão de ferramentas indicativas de manipulação, além de testemunhas confirma rem que o veículo já chegou parcialmente desmontado. Por outro lado, aponta contradição lógica entre a absolvição pelo art. 311 do Código Penal e a condenação por receptação, afirmando que a sentença se utilizou a materialidade do art. 311 conduta da qual foi absolvido para suprir a elementar da receptação, produzindo responsabilização objetiva. Requer a concessão da ordem para que o paciente seja absolvido ou para que a conduta seja desclassificada para aquela prevista no 3º do art. 180, CP. É o relatório. Decido. Esta Corte - HC 535.063, Terceira Seção, Rel. Ministro Sebastião Reis Junior, julgado em 10/6/2020 - e o Supremo Tribunal Federal - AgRg no HC 180.365, Primeira Turma, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 27/3/2020; AgRg no HC 147.210, Segunda Turma, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 30/10/2018 -, pacificaram orientação no sentido de que não cabe habeas corpus substitutivo do recurso legalmente previsto para a hipótese, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada a existência de flagrante ilegalidade no ato judicial impugnado. Após consulta realizada na página eletrônica do Tribunal e orige, verifica-se que a condenação transitou em julgado em 16/7/2019, razão pela qual a utilização do presente habeas corpus com o fim de se desconstituir as decisões proferidas pelas instâncias ordinárias consubstancia pretensão revisional que configura usurpação da competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, inciso I, alínea e e 108, inciso I, alínea b, ambos da Constituição da República. Nesse sentido: "DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame 1. Habeas corpus impetrado contra condenação transitada em julgado, alegando constrangimento ilegal devido à exasperação da pena-base sem fundamentação concreta, baseada na quantidade e natureza da droga apreendida e nos maus antecedentes. 2. Agravo regimental interposto contra decisão que indeferiu liminarmente o habeas corpus, sustentando a necessidade de readequação da pena e alteração do regime inicial de cumprimento da pena. II. Questão em discussão 3. A questão em discussão consiste em saber se o habeas corpus pode ser conhecido como substitutivo de revisão criminal em caso de condenação já transitada em julgado e se há preclusão temporal que impeça o seu conhecimento. III. Razões de decidir 4. O habeas corpus não pode ser conhecido como substitutivo de revisão criminal, pois não houve inauguração da competência do STJ para tal revisão. 5. A preclusão temporal impede o conhecimento do habeas corpus, em respeito aos princípios da segurança jurídica e da lealdade processual, dado o longo decurso de tempo desde o trânsito em julgado da decisão impugnada. 6. Não há flagrante ilegalidade no acórdão impugnado que justifique a concessão da ordem de ofício. IV. Dispositivo e tese 7. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para condenações já transitadas em julgado. 2. A preclusão temporal impede o conhecimento do habeas corpus quando há longo decurso de tempo desde o trânsito em julgado da decisão impugnada.". Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 105, I, e; CPP, art. 654, § 2º.Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 851.309/MG, de minha relatoria, Quinta Turma, DJe 15.12.2023; STJ, AgRg no HC 754.541/SP, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe 13.09.2024." (AgRg no HC n. 994.463/CE, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 10/6/2025, DJEN de 17/6/2025.) "AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. TRÂNSITO EM JULGADO. SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Como não existe no STJ julgamento de mérito passível de revisão em relação à condenação sofrida pelo paciente, forçoso reconhecer a incompetência deste Tribunal para o processamento do presente pedido. 2. Esta Corte, em diversas ocasiões, reconheceu a impossibilidade de uso do habeas corpus em substituição à revisão criminal, posicionando-se no sentido de que "o trânsito em julgado do acórdão que julga a apelação criminal, sem que haja a inauguração da competência deste Sodalício, torna incognoscível o pedido de habeas corpus" (AgRg no HC n. 805.183/SP, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 12/3/2024, DJe de 15/3/2024.). 3. No caso concreto, este habeas corpus se insurge contra acórdão de apelação proferido em 8/8/2024. A defesa impetrou o HC em 16/2/2025, depois do trânsito em julgado da condenação, de modo que o presente writ é substitutivo de revisão criminal. 4. Apesar da ampliação do uso do remédio heroico, e sem esquecer a sua importância na defesa da liberdade de locomoção, a crescente quantidade de impetrações que, antes, deveriam ser examinadas em instâncias diversas, está prejudicando as funções constitucionais desta Corte. É notável o excessivo volume de habeas corpus, em detrimento da eficácia do recurso especial, o que prejudica a delimitação de teses para trazer uniformidade e previsibilidade ao sistema jurídico. 5. Agravo regimental não provido." (AgRg no HC n. 981.876/MG, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 11/6/2025, DJEN de 16/6/2025.) No caso concreto, considerou que, com base no que foi apurado nos autos o paciente praticou a conduta pela qual foi condenado (s-STJ, fls. 426-432). Nesse contexto, rever tal entendimento demandaria revolvimento do conjunto fático-probatório dos autos, inviável em sede de habeas corpus. Ante o exposto, não conheço o habeas corpus. Publique-se. Intime-se. EMENTA