AREsp 2527925 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram, de forma específica, direta e eficaz, todos os fundamentos de inadmissibilidade apontados pela Corte antecedente (incidência da Súmula n. 283 do STF), a alteração da circunstância sobre autorização para ingresso dos policiais demandaria...
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- Parties
- Agravante: HENRIQUE ALBERTO RODRIGUES; Agravante: FABIO BARBOSA; Agravante: ROBSON PEREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial (sexta Turma)
- Outcome
- Agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Receptação Qualificada, Inadmissibilidade Do Recurso Especial, Prequestionamento, Impugnação De Fundamentos, Súmula 283 STF, Súmula 7 STJ, Princípio Da Colegialidade, Reexame De Provas
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Parties
HENRIQUE ALBERTO RODRIGUES
Agravante
FABIO BARBOSA
Agravante
ROBSON PEREIRA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial (sexta Turma)
Legal Issues
- 1 Impugnação específica de todos os fundamentos de inadmissibilidade do recurso especial
- 2 Aplicabilidade da Súmula n. 283 do STF à inadmissibilidade
- 3 Vedação ao reexame de provas e fatos pela Súmula n. 7 do STJ
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque os agravantes não impugnaram, de forma específica, direta e eficaz, todos os fundamentos de inadmissibilidade apontados pela Corte antecedente (incidência da Súmula n. 283 do STF), a alteração da circunstância sobre autorização para ingresso dos policiais demandaria reexame de provas vedado pela Súmula n. 7 do STJ, e não houve invocação do art. 619 do CPP para demonstrar omissão, sendo legítima a decisão monocrática do relator nos termos do art. 932, III, do CPC c/c art. 253 do RISTJ.
Court Disposition
Agravo regimental não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental
- Não conhecer do agravo em recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP) e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Antonio Saldanha Palheiro. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO NÃO COMBATIDOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não há ofensa ao princípio da colegialidade diante da existência de previsão legal e regimental para que o relator julgue, monocraticamente, o agravo em recurso especial quando constatar as situações descritas no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, hipótese ocorrida no caso. 2. É ônus do agravante impugnar todas as causas específicas de inadmissão do recurso especial, sob pena de não conhecimento do agravo. 3. Não foi possível identificar, nas razões do agravo em recurso especial, a impugnação efetiva e eficaz ao fundamento da decisão de primeira instância que consignou a inviabilidade da pretensão recursal pelo óbice da Súmula n. 283 do STF. A argumentação defensiva foi genérica e insuficiente para o fim de modificar tal decisão. 4. Ademais, a Corte antecedente asseverou que a entrada dos policiais no imóvel foi precedida de autorização do morador. A modificação dessa circunstância implicaria, de fato, necessária incursão no acervo fático-probatório dos autos, procedimento vedado, em recurso especial, pelo entendimento disposto na Súmula n. 7 do STJ. 5. No tocante à ausência de prequestionamento, a defesa não invocou a violação do art. 619 do Código de Processo Penal, a fim de demonstrar eventual omissão no julgado da Corte antecedente e viabilizar o exame da questão. 6. Agravo regimental não provido.
RELATÓRIO HENRIQUE ALBERTO RODRIGUES, FABIO BARBOSA E ROBSON PEREIRA agravam de decisão de minha relatoria em que não conheci do seu agravo em recurso especial, em vista da ausência de impugnação, nas razões do AREsp, do óbice à admissibilidade do REsp indicado pela instância antecedente. A defesa alega, em síntese, que o "agravo enfrentou, sim, todas as matérias aventadas na decisão recorrida a fim de obstar o prosseguimento do inconformismo" (fl. 1.220). Aduz que, no caso dos autos, "não seria possível que houvesse o não conhecimento do recurso por decisão monocrática" (fl. 1.222). Requer o provimento do agravo regimental, a fim de que seja provido o recurso especial. EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA. FUNDAMENTOS DA DECISÃO QUE INADMITIU O RECURSO NÃO COMBATIDOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. Não há ofensa ao princípio da colegialidade diante da existência de previsão legal e regimental para que o relator julgue, monocraticamente, o agravo em recurso especial quando constatar as situações descritas no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, hipótese ocorrida no caso. 2. É ônus do agravante impugnar todas as causas específicas de inadmissão do recurso especial, sob pena de não conhecimento do agravo. 3. Não foi possível identificar, nas razões do agravo em recurso especial, a impugnação efetiva e eficaz ao fundamento da decisão de primeira instância que consignou a inviabilidade da pretensão recursal pelo óbice da Súmula n. 283 do STF. A argumentação defensiva foi genérica e insuficiente para o fim de modificar tal decisão. 4. Ademais, a Corte antecedente asseverou que a entrada dos policiais no imóvel foi precedida de autorização do morador. A modificação dessa circunstância implicaria, de fato, necessária incursão no acervo fático-probatório dos autos, procedimento vedado, em recurso especial, pelo entendimento disposto na Súmula n. 7 do STJ. 5. No tocante à ausência de prequestionamento, a defesa não invocou a violação do art. 619 do Código de Processo Penal, a fim de demonstrar eventual omissão no julgado da Corte antecedente e viabilizar o exame da questão. 6. Agravo regimental não provido. VOTO O SENHOR MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ (Relator): O agravo em recurso especial tem como objetivo atacar todos os óbices apontados pelo Tribunal de origem ao negar seguimento ao recurso especial. Em obediência ao princípio da dialeticidade, a impugnação não pode ser genérica. Ademais, "a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, de modo que se o Agravante deixa de impugnar adequadamente qualquer um dos fundamentos de inadmissão, torna-se inviável o conhecimento do agravo em recurso especial em sua integralidade" (AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.785.474/SC, Rel. Ministra Laurita Vaz, 6ª T., DJe 3/5/2021). Deveras: .. o entendimento pacífico desta Corte é o da imprescindibilidade da impugnação de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, sejam eles autônomos ou não, "pois não existe identidade entre a lógica da Súmula n. 182 do STJ e a da Súmula n. 283 do STF, uma vez que o conhecimento, ainda que parcial, do agravo em especial, obriga a Corte a conhecer de todos os fundamentos do especial, inclusive os não impugnados de modo específico" (AgRg no AREsp n. 68.639/GO, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 2/2/2012). (EDcl no AgInt no AREsp n. 1.413.506/SP, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, 6ª T., DJe 27/6/2019) A decisão agravada apresentou os fundamentos a seguir (fls. 1.205-1.207): .. Decido. I. Não admissibilidade do recurso especial .. A decisão que inadmitiu o recurso especial, na instância de origem, assim se manifestou (fls. 1.163-1.164): .. Com efeito, o recurso especial foi interposto sem a fundamentação necessária apta a autorizar o seu processamento, consoante determina o artigo 1.029 do Código de Processo Civil, pois não foram devidamente atacados todos os argumentos do aresto. Nessa linha, o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: (..) Na hipótese vertente, não foram infirmados todos os fundamentos do acórdão recorrido, razão pela qual o recurso, nesse ponto, não pode ser conhecido, nos termos em que aduz a Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Por outro lado, não foi observado o prequestionamento da matéria, sob o enfoque pretendido pelo recorrente, como já mencionado anteriormente, em relação à caracterização dos maus antecedentes, bem como quanto à tese da suspensão condicional do processo (art. 89 da lei 9.099), conforme exigência da Corte Superior: .. Por fim, incide ao caso a Súmula nº 7 do STJ, que dispõe: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial", ou seja, há divergência quanto à situação reconhecida pelo Tribunal, não sendo possível emitir um juízo de valor sobre a questão de direito federal sem antes alterar os elementos de fato. A propósito, decidiu o Colendo Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no AREsp 593109/MT, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 23/11/2021, DJe 26/11/21, que: "(..) para afastar as conclusões alcançadas pelas instâncias ordinárias, soberanas na análise do acervo fático- probatório, imperioso seria o reexame de fatos e provas, providência vedada na via eleita, tendo em vista a redação do enunciado n. 7 da Súmula desta Casa." Ante o exposto, não preenchidos os requisitos exigidos, NÃO ADMITO o recurso especial, nos termos do artigo 1.030, inciso V, do Código de Processo Civil. Na peça de fls. 1.174-1.180, a defesa deixou de refutar, de forma direta, objetiva e eficaz, os fundamentos indicados pela Corte antecedente para inadmitir a pretensão. Nas razões do AREsp, o agravante deixou de demonstrar que todos os fundamentos do acórdão recorrido foram devidamente impugnados nas razões do recurso especial, a fim de afastar o entendimento da Súmula n. 283 do STF. Ademais, a análise sobre pretensa autorização ou não para o ingresso dos policiais na residência, na hipótese dos autos, implicaria necessário reexame fático- probatório dos autos, procedimento vedado, em recurso especial, pelo disposto na Súmula n. 7 do STJ. Sobre a ausência de prequestionamento, a defesa não alegou violação do art. 619 do CPP, a fim de que se pudesse evidenciar alguma omissão do acórdão recorrido. A possibilidade da concessão de ordem de habeas corpus não supre a necessidade de preenchimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial. Portanto, a impugnação é insuficiente, pois não enfrenta, de forma analítica e eficaz, todos os óbices à admissibilidade da pretensão indicados na decisão agravada, em inobservância ao princípio da dialeticidade recursal. Ilustrativamente: .. 3. Os recursos devem impugnar, de maneira específica e pormenorizada, os fundamentos da decisão contra a qual se insurgem, sob pena de vê-los mantidos. Não são suficientes meras alegações genéricas ou a insistência no mérito da controvérsia, sob pena de incidência do enunciado sumular n. 182 desta Corte Superior. .. (AgRg no AREsp n. 1.931.599/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, 5ª T., DJe 25/10/2021.) II. Dispositivo À vista do exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Cumpre reiterar a inadmissibilidade da pretensão. Com efeito, não é possível identificar, nas razões do agravo em recurso especial, a impugnação efetiva e eficaz ao fundamento da decisão de primeira instância que consignou a inviabilidade da pretensão recursal pelo óbice da Súmula n. 283 do STF. A argumentação defensiva foi genérica e insuficiente para o fim de modificar tal decisão. Ademais, a Corte antecedente asseverou que a entrada dos policiais no imóvel foi precedida de autorização do morador. A modificação dessa circunstância implicaria, de fato, necessária incursão no acervo fático-probatório dos autos, procedimento vedado, em recurso especial, pelo entendimento disposto na Súmula n. 7 do STJ. No tocante à ausência de prequestionamento, a defesa não invocou a violação do art. 619 do Código de Processo Penal, a fim de demonstrar eventual omissão no julgado da Corte antecedente e viabilizar o exame da questão. Não há ofensa ao princípio da colegialidade diante da existência de previsão legal e regimental para que o relator julgue, monocraticamente, o agravo em recurso especial quando constatar as situações descritas no art. 932, III, do CPC, c/c o art. 253, parágrafo único, II, "a", do RISTJ, hipótese ocorrida nos autos. À vist a do exposto, nego provimento ao agravo regimental.