HC 941096 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca reexame de matéria decidida por outro tribunal e não há flagrante ilegalidade demonstrada; ademais, o Tribunal de origem corretamente considerou a reincidência nos termos do art. 64, I, do Código Penal.
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- Parties
- Paciente: EDSON FERREIRA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço do habeas corpus substitutivo; não visualizo flagrante ilegalidade
- Legal Topics
- Receptação Qualificada, Reincidência, Revisão Criminal, Habeas Corpus Como Sucedâneo De Recurso, Regime Prisional
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Parties
EDSON FERREIRA
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 cabimento de habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
- 2 reexame de matéria já decidida por outro tribunal
- 3 existência de flagrante ilegalidade apta a autorizar conhecimento de ofício
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus porque a impetração busca reexame de matéria decidida por outro tribunal e não há flagrante ilegalidade demonstrada; ademais, o Tribunal de origem corretamente considerou a reincidência nos termos do art. 64, I, do Código Penal.
Court Disposition
não conheço do habeas corpus substitutivo; não visualizo flagrante ilegalidade
Orders
- Não conheço do habeas corpus substitutivo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de EDSON FERREIRA contra acórdão assim ementado: EMENTA: REVISÃO CRIMINAL - RECEPTAÇÃO - REEXAME DE MATÉRIA - AUSENTES REQUISITOS LEGAIS - REJEITADO O PEDIDO - É improcedente o pedido de revisão criminal quando a pretensão do requerente trata apenas do reexame de matéria já analisada, sem o preenchimento dos requisitos do art. 621 do CPP. Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 3 anos, 11 meses e 7 dias de reclusão, em regime fechado, pelo delito de receptação qualificada, previsto no artigo 180, §1º, do Código Penal. A defesa alega, em síntese, que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais desconsiderou provas que demonstravam a inexistência de reincidência do paciente. Sustenta que, com o decurso de mais de cinco anos desde a extinção da pena anterior, a reincidência não deveria ter sido considerada, e que a aplicação do regime fechado foi injusta. Ao final, requer a concessão da ordem para declarar a nulidade do acórdão ou, alternativamente, alterar o regime prisional para um mais brando. É o relatório. Decido. A Terceira Seção desta Corte, seguindo entendimento firmado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sedimentou orientação no sentido de não admitir habeas corpus em substituição a recurso próprio ou a revisão criminal, situação que impede o conhecimento da impetração, ressalvados casos excepcionais em que se verifica flagrante ilegalidade apta a gerar constrangimento ilegal. Veja-se: "O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de recurso próprio, a fim de que não se desvirtue a finalidade dessa garantia constitucional, com a exceção de quando a ilegalidade apontada é flagrante, hipótese em que se concede a ordem de ofício" (AgRg no HC n. 895.777/PR, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 2/4/2024, DJe de 8/4/2024). "De acordo com a jurisprudência do STJ, não é cabível o uso de habeas corpus como sucedâneo de revisão criminal, notadamente quando não há indicação de incidência de alguma das hipóteses previstas no art. 621 do CPP. Precedentes" (AgRg no HC n. 864.465/SC, Relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024). A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no mesmo sentido: "Do ponto de vista processual, o caso é de habeas corpus substitutivo de agravo regimental (cabível na origem). Nessas condições, tendo em vista a jurisprudência da Primeira Turma desta Corte, entendo que o processo deve ser extinto sem resolução de mérito, por inadequação da via eleita (HC 115.659, Rel. Min. Luiz Fux) (..) A orientação jurisprudencial deste Tribunal é no sentido de que o "habeas corpus não se revela instrumento idôneo para impugnar decreto condenatório transitado em julgado" (HC 118.292-AgR, Rel. Min. Luiz Fux). 4. O caso atrai o entendimento desta Corte no sentido de que não cabe habeas corpus para reexaminar os pressupostos de admissibilidade de recurso interposto perante outros Tribunais (HC 146.113-AgR, Rel. Min. Luiz Fux; e HC 110.420, Rel. Min. Luiz Fux). (..) (HC 225896 AgR, Relator Ministro Luís Roberto Barroso, Primeira Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 17/5/2023). O entendimento é de elevada importância, devendo ser utilizado para preservar a real utilidade e eficácia da ação constitucional, qual seja, a proteção da liberdade da pessoa, quando ameaçada por ato ilegal ou abuso de poder, garantindo a necessária celeridade no seu julgamento. A concessão de ofício da ordem, nos termos dos arts. 647-A e 654, § 2º, do Código de Processo Penal, depende da existência de flagrante ilegalidade. Analisando-se o conteúdo da documentação colacionada aos autos, não se verifica de plano qualquer violação ao ordenamento jurídico ou flagrante constrangimento ilegal, que implique ameaça de violência ou coação na liberdade de locomoção do paciente, nos termos da Lei nº 14.836, de 8/4/2024, publicada no Diário Oficial da União de 9/4/2024. Isso porque, da leitura do acórdão impugnado (e-STJ fls. 6/10), observa-se que o Tribunal de origem destacou que a reincidência do paciente foi devidamente considerada, pois, na data dos fatos, ainda não havia decorrido o período depurador de cinco anos entre a extinção da pena anterior e o novo crime, conforme prevê o art. 64, I, do Código Penal. Pelo exposto, não conheço do habeas corpus substitutivo e, na análise de ofício, não visualizo elementos capazes de caracterizar flagrante ilegalidade. Publique-se. Intimem-se. EMENTA