RHC 185052 - DECISAO
O recurso foi julgado prejudicado porque a instância ordinária concluiu a instrução e prolatou sentença condenatória reconhecendo a materialidade e autoria do delito, de modo que não subsiste o interesse na via estreita do habeas corpus para trancamento da ação; ademais, o indeferimento de diligências pela...
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- Parties
- Recorrente / Paciente: MARCOS LEONARDO DE ALBUQUERQUE; Autor Do Furto (denunciado): Anderson; Vítima (empresa): Sinart; Órgão Judicante De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 November 2024
- Procedural Posture
- Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Recurso Prejudicado (decisão De Mérito Prejudicada)
- Outcome
- recurso prejudicado
- Legal Topics
- Receptação Qualificada, Trancamento Da Ação Penal, Cerceamento De Defesa, Prova Pericial, Princípio Da Insignificância, Superveniência De Sentença Condenatória
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Parties
MARCOS LEONARDO DE ALBUQUERQUE
Recorrente / Paciente
Anderson
Autor Do Furto (denunciado)
Sinart
Vítima (empresa)
Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso
Órgão Judicante De Origem
Procedural Posture
Recurso Ordinário Em Habeas Corpus / Recurso Prejudicado (decisão De Mérito Prejudicada)
Legal Issues
- 1 alegação de ausência de materialidade por falta de exame pericial
- 2 indeferimento de diligências e possível cerceamento de defesa
- 3 aplicabilidade do princípio da insignificância a crimes contra a fé pública
Ratio Decidendi
O recurso foi julgado prejudicado porque a instância ordinária concluiu a instrução e prolatou sentença condenatória reconhecendo a materialidade e autoria do delito, de modo que não subsiste o interesse na via estreita do habeas corpus para trancamento da ação; ademais, o indeferimento de diligências pela autoridade judicial, quando devidamente fundamentado com base no arcabouço probatório e no art. 400, § 1º, do CPP, não configura cerceamento de defesa.
Court Disposition
recurso prejudicado
Orders
- Julgo prejudicado o presente recurso em habeas corpus.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso ordinário em habeas corpus, com pedido liminar, interposto por MARCOS LEONARDO DE ALBUQUERQUE contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO no HC n. 1011394-04.2023.8.11.0000. Eis a ementa do julgado: "HABEAS CORPUS - RECEPTAÇÃO QUALIFICADA - INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS PLEITEADAS PELA DEFESA - IRRESIGNAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - ALMEJADA PRODUÇÃO DAS PROVAS INDEFERIDAS - TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL - IMPOSSIBILIDADE - DECISÃO IDÔNEA AMPARADA NO ART. 400, § 1º, DO CPP - PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO - AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL - ORDEM DENEGADA - CONSONÂNCIA COM O PARECER MINISTERIAL. Salvo situação excepcionalíssima, não cabe acolhimento de alegação de nulidade por cerceamento de defesa pelo indeferimento de diligências no juízo singular, se o magistrado que é destinatário final da prova, ao negar a realização de diligências, o faz mediante decisão consentânea com a realidade fática, porquanto "compete a ele, de maneira fundamentada e com base no arcabouço probatório produzido, analisar a pertinência, relevância e necessidade da realização da atividade probatória pleiteada" (AgRg no AREsp nº. 2.067.503/PA, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, 6ª Turma, DJE 17.6.2022). Igualmente, não há que se falar em trancamento da ação penal por falta de prova da materialidade delitiva em virtude da inexistência de laudo pericial, se a existência do crime pode ser comprovada por outros meios de prova." (fls. 204/205) Consta da denúncia que Anderson subtraiu tickets de transporte da empresa Sinart, vendendo-os, em seguida, para o ora recorrente pela metade do preço. Assim, o primeiro foi denunciado por furto qualificado e o segundo por receptação. O recorrente alega que os tickets foram devolvidos para a vítima, sem a prévia realização de exame pericial para comprovar se eram os tickets furtados, de maneira que não há prova da materialidade. Requer, em liminar e no mérito, o trancamento da ação penal. É o relatório. Decido. Mediante consulta realizada no site da Corte estadual, constata-se que já foi concluída a instrução processual nos autos do Processo n. 0008355-26.2019.8.11.0042, restando o ora recorrente sido condenado pela prática do crime de receptação. Tendo a instância ordinária promovido a cognição exauriente, com a prolação de novo título que reconheceu a materialidade delitiva, resta prejudicado o presente recurso em habeas corpus que objetiva o trancamento da ação penal com fundamento na suposta ausência de materialidade. Sobre o tema: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ART. 305, IN FINE, DO CÓDIGO PENAL. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL PELA INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. INAPLICABILIDADE. CRIME CONTRA A FÉ PÚBLICA. PRECEDENTE. SUPERVINIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. PREJUDICIALIDADE DA IMPETRAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I - Em se tratando de crime contra a fé pública, esta Corte Superior firmou entendimento no sentido de que não se aplica o princípio da insignificância, uma vez que o bem jurídico protegido envolve a credibilidade, a confiança das pessoas e a preservação da fé pública nos documentos particulares. Assim, na hipótese dos autos, não se me afigura que a afetação do bem jurídico tenha sido inexpressiva, restando por vulnerada. II - Ademais, após a regular instrução processual, foi prolatada sentença condenatória em desfavor do paciente, como incurso no art. 305, caput, in fine, do Código Penal, à pena definitiva de 1 (um) ano de reclusão, em regime inicial aberto, além do pagamento de 10 (dez) dias-multa, substituída por uma restritiva de direito. Desse modo, foram apontados, portanto, pela instância de origem - sede adequada para a verificação de matéria probatória -, a presença da materialidade e a autoria do delito, bem como dos demais elementos constitutivos do tipo. Não cabe a esta Corte, na estreita via do habeas corpus, rever tal entendimento. Diante disso, quanto ao ponto, fica prejudicado o pedido de trancamento da ação penal. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 155.201/DF, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Quinta Turma, julgado em 13/12/2021, DJe de 16/12/2021; sem grifos no original.) PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIMES DE FALSIDADE IDEOLÓGICA, USO DE DOCUMENTO FALSO E FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PARTICULAR. INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIAS REQUERIDAS PELA DEFESA. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. ANÁLISE ACERCA DA NECESSIDADE DA DILIGÊNCIA. INVIABILIDADE DE EXAME NA VIA ELEITA. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. PREJUDICADO. 1. A caracterização de cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento de alguma prova requerida pela parte possui como condicionante possível arbitrariedade praticada pelo órgão julgador, e não simplesmente a consideração ou entendimento da parte pela indispensabilidade de sua realização. Logo, poderá o magistrado, em estrita observância à legislação de regência e com fito de formar sua convicção, entender pela necessidade ou não da produção de determinada prova, desde que fundamente o seu entendimento de forma adequada e oportuna, como ocorreu na hipótese. Nesse contexto, não verifico a arguida ilegalidade, uma vez que o indeferimento de diligências pleiteadas pela defesa se deu de forma fundamentada. E reverter o entendimento adotado pela instância ordinária, no intuito de se concluir pela necessidade ou não de produção da prova, demandaria o revolvimento de fatos e provas, o que não se admite pela via restrita do habeas corpus. 2. Na linha da orientação firmada nesta Corte, havendo a superveniência de sentença condenatória, o pedido de trancamento da ação penal fica prejudicado já que não persiste o interesse de agir, porquanto há novo título cuja cognição acerca da autoria e materialidade foi exauriente. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no RHC n. 97.486/PR, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 25/6/2019, DJe de 1/7/2019; sem grifos no original.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, "a", do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, julgo prejudicado o presente recurso em habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA