Rcl 50735 - DECISAO
Indeferiu-se liminarmente a reclamação porque, nos termos da jurisprudência da Corte Especial (Rcl n.36.476/SP), a reclamação não é meio adequado para discutir a aplicação, na origem, de tese firmada em recurso especial repetitivo; a aplicação do precedente cabe aos juízes e tribunais locais e sua eventual correção...
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- Parties
- Reclamante: ESTADO DO CEARA; Reclamado: DESEMBARGADORA RELATORA DA 2ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 January 2026
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão Monocrática De Indeferimento Liminar
- Outcome
- Indefiro liminarmente a reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Especiais Repetitivos, Temas Repetitivos, Preceitos Vinculantes De Precedente
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Parties
ESTADO DO CEARA
Reclamante
DESEMBARGADORA RELATORA DA 2ª CÂMARA DE DIREITO PÚBLICO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Decisão Monocrática De Indeferimento Liminar
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação para controlar aplicação, na origem, de tese firmada em recurso especial repetitivo
- 2 autoridade e aplicação da tese firmada no Tema Repetitivo n. 1.127/STJ
- 3 possibilidade de revisão da aplicação do precedente pelos tribunais locais por vias recursais ordinárias
Ratio Decidendi
Indeferiu-se liminarmente a reclamação porque, nos termos da jurisprudência da Corte Especial (Rcl n.36.476/SP), a reclamação não é meio adequado para discutir a aplicação, na origem, de tese firmada em recurso especial repetitivo; a aplicação do precedente cabe aos juízes e tribunais locais e sua eventual correção se dá por vias recursais ordinárias, não por reclamação ao STJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a reclamação
Orders
- Indefiro liminarmente a reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de r eclamação com pedido de liminar ajuizada por ESTADO DO CEARA contra decisão monocrática da desembargadora relatora da 2ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, em que alega divergência de entendimento com a tese firmada em recurso especial representativo de controvérsia (Tema Repetitivo n. 1.127/STJ). A parte reclamante alega que (fl. 3): Impetrado Mandado de Segurança, o juízo da 3ª Vara da Infância e da Juventude de Fortaleza, acertadamente, indeferiu a liminar, citando o caráter vinculante do Tema 1.127/STJ. Inconformada, a impetrante interpôs Agravo de Instrumento. Em sede recursal, a Exma. Sra. Desembargadora Relatora, sob o fundamento de que a estudante está na iminência de completar 18 anos e que o Direito deve prezar pela "razoabilidade" em detrimento do "formalismo cronológico", proferiu decisão interlocutória (ID 29845252) deferindo efeito ativo para determinar que o CEJA realize o exame em no máximo 10 dias e ordenar a expedição do certificado de conclusão em caso de aprovação. Ocorre que a decisão ora reclamada, ao flexibilizar o critério etário para quem "está perto da maioridade", nega vigência à tese fixada por este STJ em sede de recurso repetitivo, que foi categórica ao não abrir exceções baseadas em proximidade de idade, maturidade ou emancipação. Sustenta que o STJ definiu no Tema Repetitivo n. 1.127 que o avanço escolar por capacidade intelectual é de responsabilidade da escola regular e deve ser feito série a série, e não via exame supletivo acelerado no CEJA. Aduz que ao decidir por uma exceção baseada na razoabilidade, a autoridade reclamada abre brecha perigosa que esvazia a autoridade do referido tema repetitivo. Requer, liminarmente, a suspensão dos efeitos da decisão reclamada, obstando a realização do exame supletivo. No mérito, requer a cassação da decisão reclamada, garantindo a autoridade da tese firmada no Tema Repetitivo n. 1.127 do STJ. É o relatório. Decido. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento da Rcl n. 36.476/SP, de relatoria da Ministra Nancy Andrighi, firmou a orientação de que não cabe o ajuizamento de reclamação para se aferir o acerto de aplicação, na origem, de tese firmada sob a sistemática dos recursos repetitivos. Na oportunidade, prevaleceu o entendimento segundo o qual a admissão da reclamação, em casos tais, atentaria contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ. Nesse sentido, concluiu-se que, uma vez uniformizado o direito por esta Corte, é dos juízes e tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. Confira-se, por oportuno, a ementa do aresto: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. (Rcl n. 36.476/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Corte Especial, julgado em 5/2/2020, DJe de 6/3/2020.) Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação. Publique-se. Intimem-se. EMENTA