Rcl 41822 - DECISAO
Em face da alteração do art. 988 do CPC/2015 pela Lei 13.256/2016, que excluiu a previsão de cabimento da Reclamação para garantir a observância de precedentes oriundos de recursos especiais repetitivos, e do entendimento consolidado pela Corte Especial no julgamento da Rcl 36.476/SP, não é admissível Reclamação...
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- Parties
- Reclamante: MUNICIPIO DE MARIANOPOLIS; Recorrido: Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 June 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Negado Seguimento / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Reclamação não conhecida; nego seguimento.
- Legal Topics
- Reclamação, Recurso Especial, Precedentes Repetitivos, Súmula Vinculante, Lei 13.256/2016, Art. 988 Do Cpc/2015
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Parties
MUNICIPIO DE MARIANOPOLIS
Reclamante
Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins
Recorrido
Procedural Posture
Reclamação / Negado Seguimento / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Cabimento de Reclamação para impugnar decisão que nega seguimento a Recurso Especial por conformidade com precedente repetitivo do STJ
- 2 Interpretação do art. 988 do CPC/2015 após alteração pela Lei 13.256/2016
Ratio Decidendi
Em face da alteração do art. 988 do CPC/2015 pela Lei 13.256/2016, que excluiu a previsão de cabimento da Reclamação para garantir a observância de precedentes oriundos de recursos especiais repetitivos, e do entendimento consolidado pela Corte Especial no julgamento da Rcl 36.476/SP, não é admissível Reclamação para aferir o acerto ou desacerto de acórdão que, em agravo interno, mantém a negativa de seguimento de Recurso Especial fundada em conformidade com precedente repetitivo; portanto, a Reclamação não merece ser conhecida e é negado seguimento, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
Reclamação não conhecida; nego seguimento.
Orders
- Nego seguimento à Reclamação, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do STJ.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamaçãoajuizada pelo MUNICIPIO DE MARIANOPOLIS, em 25/05/2021, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, o qual, ao negar provimento a Agravo interno, manteve a decisão proferida pela Presidência daquele Tribunal, que, na forma do art. 1.030, I, b,do CPC/2015, negara seguimento a Recurso Especial, por considerar o acórdãorecorrido em conformidade com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, no Recurso Especial repetitivo 1.060.210/SC (Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, DJe de 05/03/2013). A Reclamação não merece ser conhecida. A redação original do art. 988 do CPC/2015 autorizava a interposição de Reclamação para "I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; IV - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de precedente proferido em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência". A Lei 13.256/2016, no entanto, antes mesmo da entrada em vigor do novo Código, alterou a redação do inciso IV do aludido dispositivo, excluindo a hipótese atinente à garantia da observância de precedente proferido em julgamento de casos repetitivos. Ante o quadro legislativo, a Corte Especial do STJ, na assentada de 05/02/2020, ao concluir o julgamento da Reclamação 36.476/SP, de relatoria da Ministra NANCY ANDRIGHI, firmou compreensão no sentido de não ser cabível Reclamação para aferir o acerto ou desacerto de acórdão que, em sede de agravo interno, mantém a negativa de seguimento (art. 1.030, I, b, do CPC/2015), na origem, do Recurso Especial. Eis a ementa do julgado: "RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito" (STJ, Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe de 06/03/2020). Assim,não merece seguimento a Reclamação, porque não caracterizada qualquerdas hipóteses de cabimento. Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do STJ, nego seguimento à Reclamação. I.