Rcl 41157 - ACORDAO
A reclamação foi rejeitada porque, nos Juizados Especiais Federais, não cabe reclamação diretamente contra acórdão de Turma Recursal nem pode a reclamação ser utilizada como sucedâneo recursal; além disso, é inadmissível a reclamação para fins de obtenção de aplicação de jurisprudência repetitiva quando não...
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- Parties
- Agravante: IZILDA CLEUSA RAMOS; Recorrido: INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento Na Primeira Seção
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Reclamação, Sucedâneo Recursal, Pedido De Uniformização, Juizados Especiais Federais, Jurisprudência Repetitiva
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Parties
IZILDA CLEUSA RAMOS
Agravante
INSS
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento Na Primeira Seção
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação contra acórdão de Turma Recursal dos Juizados Especiais Federais
- 2 reclamação como sucedâneo recursal
- 3 inadmissibilidade da reclamação para garantir observância da jurisprudência repetitiva quando não esgotadas as instâncias ordinárias
Ratio Decidendi
A reclamação foi rejeitada porque, nos Juizados Especiais Federais, não cabe reclamação diretamente contra acórdão de Turma Recursal nem pode a reclamação ser utilizada como sucedâneo recursal; além disso, é inadmissível a reclamação para fins de obtenção de aplicação de jurisprudência repetitiva quando não esgotadas as instâncias ordinárias, nos termos do art. 187 do RISTJ e do art. 988, IV, §5º, II, do CPC/2015.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. EMENTA PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO PROFERIDO POR TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito dos Juizados Especiais Federais, não é cabível reclamação diretamente contra acórdão de turma recursal ou de decisão monocrática proferida pela Presidência da TNU. Com efeito, a reclamação não deve ser utilizada como sucedâneo recursal. 2. Ademais, a teor dos arts. 187 do RISTJ e 988, IV, § 5º, II, do CPC/2015, é inadmissível a reclamação proposta para garantir a aplicação da jurisprudência deste Tribunal, ainda que em observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos. 3. Agravo interno a que se nega provimento.
RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Trata-se de agravo interno interposto por IZILDA CLEUSA RAMOS contra decisãoque não conheceu da reclamação, na medida em que, no âmbito dos Juizados Especiais Federais, não é cabível reclamação diretamente contra acórdão de Turma recursal. Nas razões do agravo interno, a parte sustenta que "a matéria discutida na presente Reclamação não se trata de direito material, mas sim de direito processual, pois o V. Acórdão que lastreou a Reclamação negou vigência aos artigos 9º e 10º do Código de Processo Civil, além de violar o artigo 5º, LV da Constituição Federal, em resumo, violou os princípios do contraditório, da ampla defesa e da não surpresa" (fl. 439). Argumentaque"salta aos olhos a flagrante negativa de vigência de Lei Federal (CPC) que, por tratar-se de matéria processual, não poderia ser alvo de pedido de uniformização, não deixando alternativa à Reclamante prejudicada, senão o manejo do presente remédio jurídico" (fl. 439). O INSS não apresentou impugnação, conforme certidão de fl. 454. É O RELATÓRIO. EMENTA PREVIDENCIÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO PROFERIDO POR TURMA RECURSAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL. NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. 1. No âmbito dos Juizados Especiais Federais, não é cabível reclamação diretamente contra acórdão de turma recursal ou de decisão monocrática proferida pela Presidência da TNU. Com efeito, a reclamação não deve ser utilizada como sucedâneo recursal. 2. Ademais, a teor dos arts. 187 do RISTJ e 988, IV, § 5º, II, do CPC/2015, é inadmissível a reclamação proposta para garantir a aplicação da jurisprudência deste Tribunal, ainda que em observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos. 3. Agravo interno a que se nega provimento. VOTO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA(RELATOR): De início, destaca-se que, conforme consignado na decisão agravada, no âmbito dos Juizados Especiais Federais, não é cabível reclamação diretamente contra acórdão de turma recursal. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO COM PEDIDO LIMINAR. A RECLAMAÇÃO PREVISTA NO ART. 105, I, f DA CF NÃO SE DESTINA À PRESERVAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ, NEM SERVE COMO SUCEDÂNEO RECURSAL, VISA, SIM, A TORNAR EFETIVAS AS DECISÕES TOMADAS NO PRÓPRIO CASO CONCRETO.IMPOSSIBILIDADE DE MANEJO DE RECLAMAÇÃO POR VIOLAÇÃO A RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. AGRAVO INTERNO DO PARTICULAR A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A Reclamação constitucional, prevista no art. 105, I, f da Constituição Federal, bem como no art. 988 do Código Fux, constitui ação destinada a preservar a competência do Superior Tribunal de Justiça ou a garantir a autoridade de suas decisões. 2. Em razão de sua natureza excepcional, destina-se à preservação da competência e à garantia da autoridade dos julgados somente quando objetivamente violados, não podendo servir como mecanismo para discutir o teor do ato hostilizado. 3. O que se verifica é que o autor se volta contra decisão exarada por Turma do Juizado Especial Federal. Ocorre que o entendimento jurisprudencial do STJ afirma o não cabimento de Reclamação contra decisões proferidas em demandas que tramitam no Juizado Especial da Fazenda Pública (Lei 10.253/2009) ou nos Juizados Especiais Federais (Lei 10.259/2001), vez que o recurso cabível, nesses hipóteses, seria o Pedido de Uniformização Nacional. 4. A inadmissão do Pedido de Uniformização dirigido à TNU, por não preencher o recurso os requisitos de admissibilidade, não pode ser solvida por meio da presente Reclamação. 5. Agravo Interno do Particular a que se nega provimento. (AgInt na Rcl 36.200/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 01/09/2020, DJe 08/09/2020 - grifo nosso) PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. DECISÃO RECLAMADA PROFERIDA PELO MINISTRO PRESIDENTE DA TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS - TNU. PRETENSÃO DO RECLAMANTE PELA APLICAÇÃO AO CASO DE ENTENDIMENTO ASSENTADO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO CABIMENTO DA RECLAMAÇÃO PARA FINS DE OBSERVÂNCIA DE ACÓRDÃO PROFERIDO EM SEDE DE RECURSOS ESPECIAL E EXTRAORDINÁRIO REPETITIVOS. PRECEDENTE. CORTE ESPECIAL. RCL 36.476/SP. 1. O reclamante pretende seja aplicado ao caso dos autos o que decidido no julgamento do Recurso Especial Repetitivo n.1.112.557/MG (Tema 185), pois a decisão do Presidente da TNU, que manteve o indeferimento do seu recurso, está em dissonância com o referido paradigma. 2. Não é cabível reclamação diretamente contra decisão de Turma Recursal ou da Presidência da TNU com a finalidade de discutir contrariedade à jurisprudência dominante ou sumulada do STJ. Nesse sentido: AgInt na Rcl 36.827/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 18/6/2019; e AgInt na Rcl 33.990/SP, Rel. Min.Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 1/2/2018. 3. No julgamento da Reclamação n. 36.476/SP ocorrido em 5/2/2020, a Corte Especial deste Tribunal Superior assentou compreensão de que não é cabível a reclamação para fins de observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos. 4. Reclamação não conhecida. (Rcl 32.098/RN, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2020, DJe 28/09/2020 - grifo nosso) Ademais, cumpre esclarecer que, a teor dos arts. 187 do RISTJ e 988, IV, § 5º, II, do CPC/2015, é inadmissível a reclamação proposta para garantir a observância da jurisprudência, ainda que firmada em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias. Portanto, a reclamação não deve ser utilizada como sucedâneo recursal, nem mesmo para impugnar julgado da Turma Recursal apontado como contrário à jurisprudência desta Corte. Ante o exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.