Rcl 40959 - ACORDAO
Inexistindo demonstração efetiva de descumprimento de comando do STJ e diante da vedação ao uso da reclamação para controlar a aplicação em casos concretos de tese firmada em recurso especial repetitivo (conforme entendimento da Corte Especial e alterações pela Lei 13.256/2016), o indeferimento liminar da reclamação...
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- Parties
- Agravante: MEDCOR CENTRO MÉDICO CARDIOLÓGICO DE OSASCO LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno desprovido; mantida decisão que indeferiu liminarmente a reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Agravo Interno, Recursos Especiais Repetitivos, Negativa De Seguimento, Competência Do STJ
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Parties
MEDCOR CENTRO MÉDICO CARDIOLÓGICO DE OSASCO LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno / Julgamento
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para controlo da aplicação, no caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo
- 2 verificação de descumprimento de decisões do Superior Tribunal de Justiça
- 3 possibilidade de utilização da reclamação como sucedâneo recursal
Ratio Decidendi
Inexistindo demonstração efetiva de descumprimento de comando do STJ e diante da vedação ao uso da reclamação para controlar a aplicação em casos concretos de tese firmada em recurso especial repetitivo (conforme entendimento da Corte Especial e alterações pela Lei 13.256/2016), o indeferimento liminar da reclamação deve ser mantido; por consequência, nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; mantida decisão que indeferiu liminarmente a reclamação.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão que indeferiu liminarmente a reclamação.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO - DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - DESCUMPRIMENTO - INEXISTÊNCIA - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por MEDCOR CENTRO MÉDICO CARDIOLÓGICO DE OSASCO LTDA., contra decisão decisão proferida por este signatário (fls. 252-256) que indeferiu liminarmente a presente reclamação ante a inobservância de seus correlatos requisitos. Inconformado, o ora agravante aduz, em resumo, que"(..)a medida se ampara na jurisprudência desse E. STJ, em relação à preservação de sua competência para deliberações envolvendo a aplicação do comando estampado no § 4º do art. 1042 do CPC; nesse sentido, a menção, às fls. 9 dos precedentes advindos da C. 2ª Seção (Rcl 445/AM) e da C. 1ª S. (Rcl. 971/SP), proferidos em sintonia com o teor da Súmula 727 do S. STF.".Acrescenta que "(..)esclareceu em sua exordial que a primitiva r. decisão monocrática estadual que denegou seguimento a seu recurso especial o fez com base no art. 1030, incs. I, "b", e V, do CPC (fls. 109), sendo que, concomitantemente, em relação à primeira situação, o recorrente valeu-se do agravo previsto no art. 1021 do Codex, mas não obteve êxito (fls. 110/120), ao passo que em relação à segunda ocorrência, utilizou-se do agravo do art. 1042 do referido diploma legal(fls. 121/128).".Aduz, outrossim, que "(..) Sendo justamente essa última medida a geradora do r. decisum obstativo de processamento recursal(fls. 129/131), que por sua vez ampara esta reclamação, constata-se que o sucumbente não se insurge contra o teor do entendimento constante do Tema 988 (da consolidação advinda da apreciação de recursos repetitivos). Nesse sentido, os itens 11 a 14 de seu petitório inaugural (fls. 8)." . Pede, assim, a reconsideração do r. julgado ou sua apresentação em mesa para exame colegiado. (fls. 260-263) Sem impugnação (fl. 264). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO - DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - DESCUMPRIMENTO - INEXISTÊNCIA - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU SEGUIMENTO A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): A insurgência não merece prosperar. 1. Como bem ressaltado, nos termos dos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal, 988, inc. II, do NCPC e 187 do RISTJ, somente caberá reclamação quando um órgão julgador estiver exercendo competência privativa ou exclusiva deste Tribunal ou, ainda, quando as decisões deste não estiverem sendo cumpridas por quem de direito. De acordo com a jurisprudência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, o ajuizamento da reclamação, que constitui medida correicional, pressupõe a existência de um comando positivo desta Corte Superior cuja eficácia deva ser assegurada, protegida e conservada (ut Rcl 2784/SP, 2ª Seção, Relator Ministro João Otávio de Noronha, DJ 22/05/2009; AgInt na Rcl 28.688/RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe 29/08/2016). No mesmo sentido, veja-se: Rcl 18538/PA, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, DJe de 16/04/2018; AgRg na Rcl 25606/RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, DJe de 16/11/2015; AgRg na Rcl 8581/RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, DJe de 28/08/2012; Rcl 2861/RS, Rel. Min. Massami Uyeda, rel. p/acórdão, Min. Sidnei Beneti, DJe de 04/12/2009; AgRg na Rcl 2.425/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 27.8.2007. Dessa forma, na hipótese dos autos, não há comprovação efetiva, direta e objetiva de que a instância a quo, ao negar seguimento ao agravo interposto, contra a decisão que negou seguimento ao recurso especial,tenha deixado de obedecer qualquer comando emanado do STJ, ressaltando-se, na verdade, a tentativa de utilizar a reclamação como sucedâneo recursal, desiderato obstado pela orientação pacífica desta eg. Corte Superior, a teor dos seguintes julgados: AgInt na Rcl 36.756/MG, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 20/08/2019, DJe 23/08/2019;AgInt na Rcl 37.086/DF, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 26/06/2019, DJe 28/06/2019; AgInt na Rcl 34.428/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 12/06/2019, DJe 19/06/2019; AgInt na Rcl 34.010/PE, Rel. Ministra MARIA ISABELGALLOTTI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 10/10/2018, DJe 23/10/2018; Rcl 32.937/RN, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/06/2017, DJe 01/08/2017. 2. Nesse contexto, também como já destacado, em recente pronunciamento, exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, fixou orientação no sentido de que não é cabível o ajuizamento de reclamaçãocom o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. A seguir, confira-se a ementa do julgado: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15.10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito". Rcl 36.476/SP, Corte Especial, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe 06/03/2020. E ainda: AgInt na Rcl 39443 / SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Dje de 21/08/2020; AgInt na Rcl 38928 / RS, Rel. Min. Moura Ribeiro, DJe de 21/08/2020; AgInt na Rcl 38986/SP, Marco Aurélio Bellizze, DJe de 03/08/2020; AgInt na Rcl 38539/RJ , Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Dje de 26/05/2020. Dessa forma, inexistente qualquer das hipóteses legais de cabimento, o indeferimento liminar da presente reclamaçãoé medida de rigor, razão pela qual, apesar do esforço do agravante, não se vislumbram motivos para a modificação da decisão agravada, a qual deve ser mantida na sua integridade. 3. Do exposto, nega-seprovimento ao agravo interno. É o voto.