Rcl 37303 - ACORDAO
A reclamação é medida correicional que pressupõe comando positivo do STJ cuja eficácia deva ser assegurada; não é cabível para impugnar, perante o STJ, a aplicação, em caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo, conforme entendimento da Corte Especial (Rcl 36.476/SP) e da Segunda Seção, devendo...
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- Parties
- Agravante: SUTELPA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL; Executado Coobrigado: RICARDO LINS PORTELLLA NUNES; Executado Coobrigado: ELISABETH PORTELLA NUNES; Executado Coobrigado: RONALD SCHWAMBACH; Executado Coobrigado: INGLAH TERRA SCHWAMBACH
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Órgão Colegiado Acórdão
- Outcome
- Agravo interno desprovido
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Repetitivos, Agravo Interno, Controle De Aplicação De Tese Repetitiva, Distinguishing
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Parties
SUTELPA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL
Agravante
RICARDO LINS PORTELLLA NUNES
Executado Coobrigado
ELISABETH PORTELLA NUNES
Executado Coobrigado
RONALD SCHWAMBACH
Executado Coobrigado
INGLAH TERRA SCHWAMBACH
Executado Coobrigado
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Em Órgão Colegiado Acórdão
Legal Issues
- 1 Cabimento de reclamação para controlar aplicação, no caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo
- 2 Competência para apreciar se caso concreto se assemelha a precedente repetitivo
- 3 Efeitos do regime de recursos especiais repetitivos e alcance do agravo interno no tribunal de origem
Ratio Decidendi
A reclamação é medida correicional que pressupõe comando positivo do STJ cuja eficácia deva ser assegurada; não é cabível para impugnar, perante o STJ, a aplicação, em caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo, conforme entendimento da Corte Especial (Rcl 36.476/SP) e da Segunda Seção, devendo eventual controle da aplicação concreta ser feito na via recursal ordinária (agravo interno no tribunal de origem).
Court Disposition
Agravo interno desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que indeferiu liminarmente a petição inicial da reclamação e a extinção do processo sem resolução do mérito
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO - CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ - DESCABIMENTO - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU LIMINARMENTE A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação n.º 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo.Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por SUTELPA CONSTRUÇÕES E COMÉRCIO LTDA - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL e OUTROS, contra decisão proferida por este signatário (fls. 928-932) que indeferiu liminarmente a presente reclamação ante a inobservância de seus correlatos requisitos. Em resumo, depreende-se dos autos que a SULTEPA ajuizou execução de título extrajudicial contra RICARDO LINS PORTELLLA NUNES, ELISABETH PORTELLA NUNES, RONALD SCHWAMBACH e INGLAH TERRA SCHWAMBACH, que figuraram na execução na condição de devedores coobrigados da referida empresa, devedora principal, cobrando o valor de R$2.697.600,02 (dois milhões, seiscentos e noventa e sete mil, seiscentos reais e dois centavos). Sustentam que, posteriormente, comunicaram nos autos da execução o deferimento da recuperação judicial da empresa, motivo pelo qual requereram a suspensão imediata de qualquer bloqueio nas contas dos executados, inclusive dos coobrigados, assim como "a suspensão do prosseguimento da execução e o indeferimento da penhora de bens dos devedores solidários", o que lhes foi indeferido. Diante disso, afirmam que opuseram embargos de declaração, que foram desacolhidos. Contra esta decisão, aduzem que manejaram agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento, contra o quê se insurgiram por meio de recurso especial, que "ao ser apreciado pelo I. Desembargador 1º Vice-Presidente, teve seguimento negado, sob o seguinte fundamento de que a questão relativa ao prosseguimento da execução em face dos coobrigados foi resolvida com base no recurso repetitivo REsp 1.333.349/SP." Irresignados, relatam que interpuseram Agravo Interno ao Órgão Especial do TJPR nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC, "com o objetivo de destrancar o Recurso Especial, porquanto o caso sob análise possui distinção relevante sobre aquele examinado no REsp 1.333.349/SP.". Assim, defendem que "enquanto o REsp 1.333.349/SP analisou a questão dos devedores solidários apenas à luz da legislação da Lei 11.101/05, pois naquele caso não havia previsão no plano de recuperação judicial exonerando os coobrigados, no caso em discussão na justiça paranaense há cláusula expressa no plano de recuperação judicial desobrigando os devedores solidários das garantias prestadas." Entendendo que "apenas a Corte Superior tem a competência para afirmar se o caso sob exame assemelha-se, ou não, àquele julgamento sob o rito dos recursos repetitivos, de modo que ao inadmitir o prosseguimento do recurso especial diante do distinguishing o Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná afrontou a competência do STJ", manejaram a presente reclamação (fl. 5). Às fls. 928-932, este signatário indeferiu liminarmente a petição inicial ante à ausência dos requisitos legais para manejo da reclamação. Embargos de declaração opostos e parcialmente acolhidos, apenas para sanar erro material, sem qualquer efeito infringente (fls. 949-952). Inconformadas, as ora agravantes, em suas razões recursais, aduzem que a decisão agravada merece reforma, pois enquanto a reclamação se refere "(..) à impossibilidade da Corte Estadual enfrentar o mérito do recurso diagnosticando o caso como inaplicável ao distinguishing, por ofender a competência constitucional do Superior Tribunal de Justiça, em conformidade com o art. 988, I, do CPC, a decisão embargada fundamentou o indeferimento da ação na ausência de verificação de ato contrário à decisão proferida pelo Tribunal que possa ofender a sua autoridade, nos termos do art. 988, II, do CPC.". Afirmam que "a decisão proferida pelo órgão reclamado invade competência do Superior Tribunal de Justiça, pois faz um juízo de mérito da questão que é viável apenas à esta Corte, pois somente ela poderia determinar se o caso analisado no Agravo Interno nº 1.718.901-2/03 diferencia-se ou não do precedente julgado por ela". Pedem, ao final, a reconsideração do r. decisum ou sua apreciação por este órgão colegiado a fim deaplicar integralmente a tese repetitiva firmada por este C. Superior Tribunal de Justiça, nos moldes da decisão proferida no REsp 1.333.349/SP, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, Dje de 26/11/2014. Impugnação às fls. 967-979. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO - CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ - DESCABIMENTO - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU LIMINARMENTE A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação n.º 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo.Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): A insurgência não merece prosperar. 1. De acordo com a jurisprudência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, o ajuizamento da reclamação, que constitui medida correicional, pressupõe a existência de um comando positivo desta Corte Superior cuja eficácia deva ser assegurada, protegida e conservada. (ut. Rcl 2784/SP, Segunda Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 22/05/2019) Nos termos dos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal, 988, II, do NCPC e 187 do RISTJ, somente caberá reclamação quando um órgão julgador estiver exercendo competência privativa ou exclusiva deste Tribunal ou, ainda, quando as decisões deste não estiverem sendo cumpridas por quem de direito, valendo destacar, por oportuno, que o seu acolhimento nos moldes em que pretende a ora agravante " tornaria ineficaz o propósito racionalizador implantado pelo regime dos recursos repetitivos." (ut. AgRg na Rcl 29.631/SP, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 07/03/2017) Com esse norte hermenêutico, em detida observância à orientação exarada recentemente pela Corte Especial, por ocasião do julgamento da Reclamação n. 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, deliberou-se pelo não cabimento de reclamação destinada a vindicar o exame, por esta Corte de Justiça, acerca da aplicação reputada indevida de precedente oriundo de recurso especial repetitivo pelo Tribunal de origem. Prevaleceu, na Corte Especial, a compreensão de que, segundo a sistemática recursal introduzida pelo Código de Processo Civil de 2015, a decisão que nega seguimento ao recurso especial em razão da conformidade entre o acórdão recorrido e o entendimento firmado pelo STJ, em recurso especial repetitivo, é impugnável apenas por agravo interno no âmbito da própria Corte local, circunstância idêntica à hipótese em epígrafe. A seguir, confira-se a ementa do referido julgado: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação 6. (..). 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe 06/03/2020. E ainda, na mesma linha de intelecção, registram-seos seguintes julgados da Segunda Seção: RCL 39614/DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe de 30/09/2020; AgInt na Rcl 39040/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe de 26/05/2020; AgInt na Rcl 37745/SP, desta Relatoria, DJe de 28/05/2020; Agint na RCL 37.853/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, DJe de 21/08/2020; Agint na RCL 38.978/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Dje de 26/08/2020; Agint na RCL 39.362/SP, desta Relatoria, Dje de 10/12/2020. Com efeito, mantém-se incólume o desfecho conferido à reclamação pela decisão agravada e, na esteira dos fundamentos acima delineados, de rigor a rejeição da presente reclamação. 2. Do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.