Rcl 41239 - ACORDAO
Em conformidade com o precedente da Corte Especial (Rcl 36.476/SP) e a interpretação das normas processuais (art. 988 do CPC/2015 alterado pela Lei 13.256/2016), a reclamação não é meio adequado para impugnar, perante o STJ, a aplicação, no caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo; o controle...
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- Parties
- Agravante: MARGARIDA MENDES DA SILVA VIDEO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 June 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Pela Segunda Seção (acórdão)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; mantida a decisão que indeferiu liminarmente a reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Especiais Repetitivos, Controle Da Aplicação De Tese Repetitiva, Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas (irdr)
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Parties
MARGARIDA MENDES DA SILVA VIDEO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Na Reclamação / Julgamento Pela Segunda Seção (acórdão)
Legal Issues
- 1 Cabimento de reclamação para controlar, no caso concreto, a aplicação de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo
Ratio Decidendi
Em conformidade com o precedente da Corte Especial (Rcl 36.476/SP) e a interpretação das normas processuais (art. 988 do CPC/2015 alterado pela Lei 13.256/2016), a reclamação não é meio adequado para impugnar, perante o STJ, a aplicação, no caso concreto, de tese firmada em recurso especial repetitivo; o controle dessa aplicação se dá via recursos ordinários no Tribunal de origem, inclusive por agravo interno, razão pela qual se nega provimento ao agravo interno e se mantém indeferida liminarmente a reclamação.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; mantida a decisão que indeferiu liminarmente a reclamação.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter o indeferimento liminar da reclamação e a extinção do processo sem resolução do mérito, conforme decisão agravada.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Luis Felipe Salomão, Raul Araújo, Paulo de Tarso Sanseverino, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO - CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ - DESCABIMENTO - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU LIMINARMENTE A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação n.º 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): Cuida-se de agravo interno interposto por MARGARIDA MENDES DA SILVA VIDEOcontra decisão da lavra deste signatário, acostada às fls. 1303/1305, que indeferiu liminarmente a presente reclamação porquanto inexistente a demonstração de seus correlatos requisitos. Inconformada, a ora agravante repisa a presença dos elementos de admissibilidade da reclamação e, por conseguinte, sustenta que o eg. Tribunal de origem não observou a orientação firmada por este STJ na oportunidade do julgamento da tese repetitiva n.º 466, decidida nos autos do REsp 1.197.929/PR e 1.199.782/PR. Acrescenta que "(..)o CPC é claro quando permite o ajuizamento da reclamação, não apresentando quaisquer outros óbices para o seu manejo." Sem impugnação (fl.1323). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO - CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ - DESCABIMENTO - DELIBERAÇÃO MONOCRÁTICA QUE INDEFERIU LIMINARMENTE A RECLAMAÇÃO. INSURGÊNCIA DO AUTOR. 1. A teor do entendimento exarado pela eg. Corte Especial, nos autos da Reclamação n.º 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, não é cabível o ajuizamento de reclamação com o objetivo de controlar a aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. Precedentes da Segunda Seção. 2. Agravo interno desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO MARCO BUZZI (Relator): A insurgência não merece prosperar. 1. De acordo com a jurisprudência da Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça, o ajuizamento da reclamação, que constitui medida correicional, pressupõe a existência de um comando positivo desta Corte Superior cuja eficácia deva ser assegurada, protegida e conservada. (ut. Rcl 2784/SP, 2ª Seção, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJ 22/05/2019) Assim, nos termos dos artigos 105, I, "f", da Constituição Federal, 988, II, do NCPC e 187 do RISTJ, somente caberá reclamação quando um órgão julgador estiver exercendo competência privativa ou exclusiva deste Tribunal ou, ainda, quando as decisões deste não estiverem sendo cumpridas por quem de direito, valendo destacar, por oportuno, que o seu acolhimento nos moldes em que pretende a ora agravante " tornaria ineficaz o propósito racionalizador implantado pelo regime dos recursos repetitivos." (ut. AgRg na Rcl 29.631/SP, Rel. Min. ASSUSETE MAGALHÃES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2017, DJe 07/03/2017) Com esse norte hermenêutico, em detida observância à orientação exarada recentemente pela Corte Especial, por ocasião do julgamento da Reclamação n. 36.476/SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJe de 06/03/2020, deliberou-se pelo não cabimento de reclamação destinada a vindicar o exame, por esta Corte de Justiça, acerca da aplicação reputada indevida de precedente oriundo de recurso especial repetitivo pelo Tribunal de origem. Prevaleceu, na Corte Especial, a compreensão de que, segundo a sistemática recursal introduzida pelo Código de Processo Civil de 2015, a decisão que nega seguimento ao recurso especial em razão da conformidade entre o acórdão recorrido e o entendimento firmado pelo STJ, em recurso especial repetitivo, é impugnável apenas por agravo interno no âmbito da própria Corte local, circunstância idêntica à hipótese em epígrafe. A seguir, confira-se a ementa do referido julgado: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação 6. (..). 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito.Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe 06/03/2020. E ainda, na mesma linha de intelecção, os seguintes julgados da Segunda Seção: RCL 39614/DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe de 30/09/2020; AgInt na Rcl 39040/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe de 26/05/2020; AgInt na Rcl 37745/SP, desta Relatoria, DJe de 28/05/2020; Agint na RCL 37.853/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, DJe de 21/08/2020; Agint na RCL 38.978/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, Dje de 26/08/2020. Com efeito, mantém-se incólume o desfecho conferido à reclamação pela decisão agravada e, na esteira dos fundamentos acima delineados, de rigor a rejeição da presente reclamação. 2. Do exposto, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.