Rcl 42200 - DECISAO
A reclamação foi indeferida liminarmente porque, conforme entendimento consolidado deste Tribunal e em razão da redação dada pela Lei 13.256/2016 ao art. 988 do CPC/2015, não cabe reclamação para discutir a aplicação concreta de precedente formado em recurso especial repetitivo, sendo cabível a impugnação por meio...
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- Parties
- Reclamante: KIRRA INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 August 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indefiro liminarmente a presente reclamação (reclamação não acolhida).
- Legal Topics
- Reclamação, Precedentes Repetitivos, Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas (irdr), Agravo Interno, Súmula
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Parties
KIRRA INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA
Reclamante
Procedural Posture
Reclamação / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para controle da aplicação de precedente formado em recurso especial repetitivo
- 2 uso da reclamação para controlar a aplicação de súmula do STJ
- 3 interpretação do art. 988, IV, do CPC/2015 e alterações introduzidas pela Lei 13.256/2016
Ratio Decidendi
A reclamação foi indeferida liminarmente porque, conforme entendimento consolidado deste Tribunal e em razão da redação dada pela Lei 13.256/2016 ao art. 988 do CPC/2015, não cabe reclamação para discutir a aplicação concreta de precedente formado em recurso especial repetitivo, sendo cabível a impugnação por meio de agravo interno no tribunal de origem; além disso, reclamação não substitui recursos contra aplicação de súmula do STJ.
Court Disposition
Indefiro liminarmente a presente reclamação (reclamação não acolhida).
Orders
- Indefiro liminarmente a presente reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por KIRRA INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA, com pedido liminar, fundamentada no art. 988, IV, do NCPC, na qual discute a aplicação da tese repetitiva n.º 971 do STJ. É o relatório. Decisão. A presente reclamação não sequer merece acolhimento. 1. A Corte Especial, na sessão de 05/02/2020, ao apreciar a Rcl 36.476/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, DJe 06/03/2020, decidiu que não cabe reclamação para o exame da correta aplicação de precedente obrigatório formado em julgamento de recurso especial repetitivo à realidade do processo. Prevaleceu, naquele órgão colegiado, a compreensão de que, segundo a sistemática recursal introduzida pelo Código de Processo Civil de 2015, a decisão que nega seguimento ao recurso especial em razão da conformidade entre o acórdão recorrido e o entendimento firmado pelo STJ, em recurso especial repetitivo, é impugnável apenas por agravo interno no âmbito da própria Corte local. A seguir, confira-se a ementa do referido julgado: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNA LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação 6. (..). 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe 06/03/2020. E ainda, na mesma linha de intelecção, os seguintes julgados da Segunda Seção: RCL 39614/DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJe de 30/09/2020; AgInt na Rcl 39040/RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, DJe de 26/05/2020; AgInt na Rcl 37745/SP, desta Relatoria, DJe de 28/05/2020; AgIntna RCL 37.853/SP, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, DJe de 21/08/2020; AgIntna RCL 38.978/SP, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, DJede 26/08/2020. Igualmente, não se admite a utilização de reclamação para controlar, no caso concreto, aplicação de enunciado de Súmula deste Superior Tribunal de Justiça porquanto insuscetível de utilização como sucedâneo recursal. (ut. AgInt nos EDcl na Rcl 38621/BA, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, DJede 10/12/2019) 2. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, indefiro liminarmente a presente reclamação. Publique-se. Intimem-se. Após, arquivem-se. Advirta-se, desde logo, que a interposição de recursos destituídos de fundamentação idônea poderá acarretar em aplicação de multa.