Rcl 42104 - DECISAO
Não conhecer da reclamação porque o instrumento foi utilizado como sucedâneo recursal para impugnar suposta dissídio entre acórdão de origem e jurisprudência do STJ firmada em recursos repetitivos; os precedentes invocados não foram proferidos no rito do art. 1.036 do CPC e, em razão da Lei n. 13.256/2016, a...
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: Marcelo Tinoco da Silva; Órgão Julgador: Segunda Turma do Juizado Especial Federal da Justiça Federal no Espírito Santo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da Reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Repetição De Indébito, Natureza Indenizatória, Imposto De Renda, Recursos Repetitivos, Lei N. 13.256/2016
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Marcelo Tinoco da Silva
Reclamante
Segunda Turma do Juizado Especial Federal da Justiça Federal no Espírito Santo
Órgão Julgador
Procedural Posture
Reclamação / Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Cabimento da reclamação para discutir aplicação de tese firmada em recursos repetitivos
- 2 Natureza indenizatória de parcela percebida por rescisão de contrato de representação comercial (art. 27, "j", Lei 4.886/1965) e seus efeitos fiscais
Ratio Decidendi
Não conhecer da reclamação porque o instrumento foi utilizado como sucedâneo recursal para impugnar suposta dissídio entre acórdão de origem e jurisprudência do STJ firmada em recursos repetitivos; os precedentes invocados não foram proferidos no rito do art. 1.036 do CPC e, em razão da Lei n. 13.256/2016, a reclamação não é cabível para exigir a observância de decisões em recursos repetitivos, cabendo a correção por meio recursal ordinário ou ação rescisória.
Court Disposition
Não conheço da Reclamação.
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de Reclamação ajuizada por Marcelo Tinoco da Silva contra acórdão proferido na Segunda Turma do Juizado Especial Federal da Justiça Federal no Espírito Santo. O reclamante afirma que a decisão proferida, ao julgar improcedente o pedido de Repetição de Indébito, contrariou a jurisprudência do STJ, no sentido de que a quantia percebida em razão da rescisão do contrato de representação comercial, nos termos do art. 27, "j", da Lei 4.886/1965, possui natureza indenizatória, encontrando-se livre da incidência de Imposto de Renda. Cita, nesse sentido, a existência de julgados reiteradamente proferidos no STJ: REsp 1.526.059/RS, AgRg no REsp 1.556.693/RS, AgRg no AREsp 146.301/MG, REsp 1.317.641/RS e REsp 1.588.523/PE. É o relatório. Decido. Recebi os autos no Gabinete em 4 de agosto de 2021. Não é possível conhecer do pedido. A Reclamação é instrumento processual adequado para buscar a preservação da competência do Tribunal, garantir a autoridade das decisões do STJ proferidas na prévia demanda existente entre as partes ou, hodiernamente, pleitear a observância de acórdão proferido em julgamento de recursos repetitivos. Não constitui sucedâneo recursal. Na hipótese dos autos, observa-se que os precedentes indicados pelo reclamante não refletem julgamentos de recursos no rito do art. 1.036 do CPC. Na realidade, tem-se que, por este meio processual, o reclamante pretende demonstrar suposto dissídio jurisprudencial entre o acórdão proferido nas instâncias de origem e a jurisprudência do STJ, o que evidencia o escopo meramente recursal, a tornar incabível o instrumento processual utilizado. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DE BEM DE FAMÍLIA. CONTRARIEDADE À TESE FIRMADA EM RECURSO REPETITIVO. TEMA N.444. NÃO CABIMENTO. LEI N. 13.256/2016. I - Na origem, trata-se de embargos opostos à execução fiscal de CDA de crédito não tributário proposta pelo Inmetro, objetivando o reconhecimento da prescrição intercorrente. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente o pedido para reconhecer como bem de família a área superior do imóvel penhorado na execução, reduzindo a penhora somente à área térrea que é destinada a comércio. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Nesta Corte, não se conheceu da reclamação. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que, com o advento da Lei n. 13.256/2016, houve a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos. III - A parte reclamante afirma que a decisão impugnada teria desrespeitado o quanto fixado em tese repetitiva do Superior Tribunal de Justiça. IV - Contudo, tal situação não se enquadra nas hipóteses de cabimento da reclamação. A reclamação, prevista no art. 105, I, f, da Constituição da República, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil de 2015 (redação dada pela Lei n. 13.256/2016), constitui demanda destinada à preservação de competência (inciso I), a garantir a autoridade das decisões do Superior Tribunal de Justiça (inciso II) e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º). V- Esse instrumento jurídico destina-se a tornar efetivas as decisões proferidas no próprio caso concreto em que o reclamante tenha figurado como parte. Não se presta à preservação da jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça ou, ainda, a ser aplicado como um sucedâneo recursal. A propósito: (AgInt no AgInt na Rcl 36.795/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Segunda Seção, DJe 9/3/2021, AgInt no AREsp 1686490/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe 6/4/2021, AgInt na Rcl 31.875/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, DJe 19/12/2016 e AgrInt na Rcl 32.343/MG, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe 8/11/2016.) VI - A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento da Rcl 36.476/SP (DJe 6/3/2020, relatora Ministra Nancy Andrighi), firmou a tese acerca do tema. VII - Em que pese a Lei n. 13.256/2016 tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade -consistente no esgotamento das instâncias ordinárias -, excluiu o cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário. É que a finalidade do regime dos repetitivos consiste na uniformização da interpretação da lei federal. E, uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. VIII - Eventual aplicação errônea de teses repetitivas em casos concretos pelas instâncias ordinárias somente poderá ser corrigida pelo próprio sistema recursal, com observância dos arts. 1.030, § 2º, e 1.042 do CPC/2015, ou pela via da ação rescisória, na hipótese do art. 966, V, §§ 5º e 6º, do CPC/2015. Portanto, a hipótese do presente feito não se adequa ao cabimento de reclamação. IX - A aplicação do princípio da fungibilidade dependeria do preenchimento de dos seguintes requisitos: i) dúvida objetiva quanto ao recurso a ser interposto; ii) inexistência de erro grosseiro; e iii) que tenha sido tempestiva a medida. E, no caso, não existe dúvida objetiva quanto à impossibilidade de propositura de reclamação no caso concreto, configurando-se erro grosseiro. X - Agravo interno improvido. (AgInt na Rcl 40.972/RS, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 18/6/2021) Diante do exposto, não conheço da Reclamação. Publique-se. Intimem-se.