Rcl 42212 - DECISAO
A inicial da reclamação foi liminarmente indeferida porque, segundo a interpretação jurisprudencial e legislativa exposta, a reclamação não é instrumento adequado para readequar decisões locais à orientação fixada em recursos especiais repetitivos, tendo a Lei 13.256/2016 restringido esse cabimento e a uniformização...
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- Parties
- Respondente: Municipalidade
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 31 August 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Liminar Indeferida
- Outcome
- inicial da reclamação indeferida liminarmente
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Repetitivos, Tema 905, Juros Moratórios
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Parties
Municipalidade
Respondente
Procedural Posture
Reclamação / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para adequar decisões aos enunciados de recursos especiais repetitivos
- 2 interpretação e alcance do art. 988 do CPC/2015 após a Lei 13.256/2016
- 3 aplicação do Tema 905 relativo a juros moratórios
Ratio Decidendi
A inicial da reclamação foi liminarmente indeferida porque, segundo a interpretação jurisprudencial e legislativa exposta, a reclamação não é instrumento adequado para readequar decisões locais à orientação fixada em recursos especiais repetitivos, tendo a Lei 13.256/2016 restringido esse cabimento e a uniformização devendo ser aplicada e revista nas instâncias ordinárias.
Court Disposition
inicial da reclamação indeferida liminarmente
Orders
- Indefiro liminarmente a inicial da reclamação.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada em face de acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina que, em sede e agravo de instrumento, conheceu e desproveu o recurso, confirmando a decisãoque rejeitou a impugnação oposta pela Municipalidadee preservou os consectários legais fixados no título executivo judicial. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. O reclamante sustenta, em suma, que: Desse modo, é evidente notar que o Acórdão reclamado não observou o enunciado do Tema 905 desse Superior Tribunal de Justiça, assim como também desrespeitou o entendimento firmado em suas decisões proferidas nos autos acima descritos, merecendo adequação, a fim de determinar a aplicação da Lei Federal 11.960/2009 (a partir da sua entrada em vigor), que alterou o art. 1º-F da Lei 9494/97, determinando a fixação de juros moratórios com base no índice oficial de remuneração básica aplicada à caderneta de poupança, fixados em 0,5% ao mês, até a entrada em vigor da MP n. 567 de 03/05/2012, convertida na Lei n. 12.703/12, que condicionou os juros da caderneta de poupança à SELIC. Requer (em sede liminar e no mérito)"o provimento da presente reclamação, a fim de alinhar o entendimento do Acórdão reclamado ao enunciado do Tema 905 e ao entendimento jurisprudencial dessa Corte de Justiça, ou seja, a fim de determinar que o cumprimento da sentença ocorra com a aplicação de juros moratórios com base no índice oficial de remuneração básica aplicada à caderneta de poupança, fixados em 0,5% ao mês, até a entrada em vigor da MP n. 567 de 03/05/2012, convertida na Lei n. 12.703/12, que condicionou os juros da caderneta de poupança à SELIC". É o relatório. Passo a decidir. Nos termos do art. 105, f, da CF/88, c/c o art. 988 do CPC/2015, cabe reclamação da parte interessada ou do Ministério Público, dirigida ao Superior Tribunal de Justiça, para: (a) preservar a competência do Tribunal; (b) garantir a autoridade das decisões do Tribunal; (c) garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; (d) garantir a observância de acórdão de recurso especial submetido ao regime dos recursos repetitivos quando exauridas as instâncias ordinárias. Por outro lado, "esta Corte pacificou a orientação afirmando incabível o acolhimento de Reclamação em razão de descumprimento da ordem de sobrestamento de matéria, em razão de recurso repetitivo (Rcl 32.391/SP, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, DJe 18.12.2017)" (AgInt nos EDcl na Rcl 37.271/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/03/2020, DJe 18/03/2020). No caso,verifica-se que a pretensão da reclamante consiste na cassação do acórdão reclamado, por supostamente aplicar de modo equivocado entendimento firmado em sede de acórdão submetido ao regime dos recursos repetitivos. Conforme orientação desta Corte, "aReclamação não é instrumento útil para adequar as decisões reclamadas aos julgados do STJ proferidos em Recurso Especial repetitivo. Precedentes: AgInt na Rcl 32.939/PR, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 2.3.2017; AgInt na Rcl 30.616/SE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Segunda Seção, DJe 25.6.2019"(AgInt na Rcl 39.321/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 16/06/2020, DJe 23/06/2020). Nesse sentido: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. (Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe 06/03/2020) Diante do exposto, indefiro liminarmente a inicial da reclamação. Publique-se. Intimem-se.