Rcl 42317 - DECISAO
Em face do entendimento firmado pela Corte Especial do STJ (Rcl 36.476/SP) e da alteração promovida pela Lei 13.256/2016 no art. 988, IV, do CPC/2015, a reclamação que visa controlar a aplicação de precedente formado em recurso especial repetitivo é manifestamente incabível, devendo ser conhecida a via recursal...
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- Parties
- Reclamante: JARISMAR RODRIGUES DE SOUZA; Recorrido: Tribunal Regional Federal da 3ª Região
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 September 2021
- Procedural Posture
- Reclamação / Não Conheço (manifestamente Incabível)
- Outcome
- Não conheço da reclamação por ser manifestamente incabível
- Legal Topics
- Reclamação, Precedentes Vinculantes, Recursos Especiais Repetitivos, IRDR, Vacatio Legis, Art. 988, IV, Cpc/2015, Tema 995
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Parties
JARISMAR RODRIGUES DE SOUZA
Reclamante
Tribunal Regional Federal da 3ª Região
Recorrido
Procedural Posture
Reclamação / Não Conheço (manifestamente Incabível)
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para impugnar aplicação de precedente formado em recurso especial repetitivo (Tema 995)
- 2 interpretação do art. 988, IV, do CPC/2015 após a Lei 13.256/2016
- 3 possibilidade de concessão de efeito suspensivo em reclamação
Ratio Decidendi
Em face do entendimento firmado pela Corte Especial do STJ (Rcl 36.476/SP) e da alteração promovida pela Lei 13.256/2016 no art. 988, IV, do CPC/2015, a reclamação que visa controlar a aplicação de precedente formado em recurso especial repetitivo é manifestamente incabível, devendo ser conhecida a via recursal ordinária para discutir a aplicação do precedente; por isso não conheço da reclamação e o pedido liminar fica prejudicado.
Court Disposition
Não conheço da reclamação por ser manifestamente incabível
Orders
- Não conheço da reclamação por ser manifestamente incabível
- Fica prejudicado o pedido liminar
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação, com pedido liminar, formulada com fundamento no art. 988, IV,do Código de Processo Civil de 2015, por JARISMAR RODRIGUES DE SOUZA, contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, quemanteve o juízo de conformação na forma do art. 1.040 do mesmo Codex processual, conforme se lê da seguinte ementa (e-STJ fl. 270): DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO DEFUNDAMENTAÇÃO VINCULADA. SIMPLES REPRODUÇÃO MECÂNICA DASRAZÕES DO RECURSO EXCEPCIONAL. RECURSO IMPROCEDENTE. AGRAVODESPROVIDO. I. Agravo interno contra decisão que negou seguimento a recurso excepcional. II. Trata-se o agravo interno de recurso com fundamentação vinculada, sendo cognoscível por essa via recursal, tão somente, a questão relativa à invocação correta, ou não, do precedente no caso concreto. III - A simples reprodução mecânica, no agravo interno, das razões do recurso excepcional a que negado seguimento, ou ainda, o subterfúgio da inovação recursal, extrapolam o exercício regular do direito de recorrer, fazendo do agravo uma medida inadmissível e improcedente. IV - Agravo interno desprovido. Oreclamante alega que, ao deixar de admitir a reafirmação da DER (Data de Entrada do Requerimento) para a concessão da melhor aposentadoria em seu favor, o Tribunal de origem contrariou a tese firmada pelo STJ no Tema repetitivo n. 995. Pleiteia, ao final, a concessão de efeito suspensivo da decisão reclamada até o julgamento da presente reclamação e que, ao final, seja a ação provida a fim de cassar o acórdão e admitida a reafirmação da DER, bem como a conversão do julgamento em diligência para a produção da prova do labor especial exercido no período de 28/10/2015 a 02/01/2018. Concedida a gratuidade da justiça (e-STJ fl. 334). Passo a decidir. Com a ressalva do meu ponto de vista em sentido contrário, já manifestado por ocasião do julgamento da Rcl 37.081/SP, a Corte Especial do STJ, na sessão realizada em 05/02/2020, decidiu que não cabe reclamação para o exame da correta aplicação de precedente obrigatório formado em julgamento de recurso especial repetitivo à realidade do processo (Rcl 36.476/SP). Eis a ementa do citado acórdão: RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito. (Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe 06/03/2020). Naquela assentada, a Corte considerou que o art. 988, IV, do CPC/2015, ainda no período da vacatio legis, foi alterado pela Lei n. 13.256/2016, sendo excluída a previsão de cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos", passando a constar, apenas, o precedente advindo do julgamento de IRDR, que é espécie daqueles. Destacou que, sob um aspecto topológico, não há coerência e lógica em afirmar que o parágrafo 5º, II, do referido dispositivo, com a redação dada pela nova Lei, veicularia nova hipótese de cabimento de reclamação, já que as hipóteses de cabimento foram expressamente elencadas nos incisos do caput. Afirmou, ainda, que a investigação do contexto jurídico-político em que foi editada a Lei n. 13.256/2016 enseja a compreensão de que a norma efetivamente visou ao não cabimento de reclamações dirigidas ao STF e ao STJ para o controle da aplicação de acórdãos proferidos sob a sistemática de questões repetitivas, sendo certo que admitir o contrário atenta contra a finalidade da instituição da sistemática em comento, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional das Cortes Superiores. Destacou, por fim, que, na sistemática dos recursos repetitivos, a aplicação no caso concreto não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no Tribunal local, do agravo interno previsto no art. 1.030, § 2º, do CPC/2015. Nesse contexto, em razão do posicionamento adotado pela Corte Especial do STJ, mostra-se incabível a presente reclamação. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XVIII, "a", do RISTJ, NÃO CONHEÇO da presente reclamação, por ser manifestamente incabível. Fica prejudicado o pedido liminar. Publique-se e intimem-se.