Rcl 41776 - ACORDAO
A reclamação foi considerada manifestamente inadmissível porque foi utilizada como sucedâneo recursal para contestar decisão do Tribunal de origem; o autor é terceiro sem legitimidade para iniciar o cumprimento de sentença em ação de improbidade; não foram observados os meios de impugnação internos exigidos (art....
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- Parties
- Agravante: Alexandre Eli Carazai; Autor: Ministério Público do Estado de Rondônia; Requerido: Valdeci Elias
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 November 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Reclamação / Julgamento Pela Primeira Seção Agravo Interno Improvido
- Outcome
- Agravo interno improvido; mantida decisão que indeferiu o processamento da reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Sucedâneo Recursal, Cumprimento De Sentença, Legitimidade, Autoridade De Decisões Do STJ
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
Alexandre Eli Carazai
Agravante
Ministério Público do Estado de Rondônia
Autor
Valdeci Elias
Requerido
Procedural Posture
Agravo Interno Em Reclamação / Julgamento Pela Primeira Seção Agravo Interno Improvido
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação como sucedâneo recursal
- 2 legitimidade de terceiro para iniciar cumprimento de sentença em ação de improbidade
- 3 autoridade das decisões do STJ e sua preservação
Ratio Decidendi
A reclamação foi considerada manifestamente inadmissível porque foi utilizada como sucedâneo recursal para contestar decisão do Tribunal de origem; o autor é terceiro sem legitimidade para iniciar o cumprimento de sentença em ação de improbidade; não foram observados os meios de impugnação internos exigidos (art. 988 §2º do CPC); e a via escolhida não serve para preservar jurisprudência geral do STJ, somente a autoridade de decisões em casos concretos; assim, manteve-se a decisão que indeferiu o processamento da reclamação e negou provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno improvido; mantida decisão que indeferiu o processamento da reclamação
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Indefiro o processamento da reclamação
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Manoel Erhardt (Desembargador convocado do TRF-5ª Região) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra monocrática que decidiu reclamação ajuizada por Alexandre Eli Carazai, fundamentada nos arts. 300 e 988, ambos do Código de Processo Civil de 2015. O recurso visa reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, ementado nesses termos (fl. 72): Apelação. Ação civil pública. Direito administrativo. Secretaria de saúde. Município. Ministério Público. Requisição. Resposta. Ausência. Demora. Desídia. Conjunto probatório. Convergência. Dolo. Má-fé. Comprovação. Penalidade. Razoabilidade. Proporcionalidade. Reprovabilidade. Fixação. Manutenção. 1. Além da compreensão de que basta o dolo genérico - vontade livre e consciente de praticar o ato - para configuração do ato de improbidade administrativa previsto no art. 11 da Lei n. 8.429/1992, exige a presença da má-fé, pois a Lei de Improbidade Administrativa não visa punir meras irregularidades ou o inábil, mas sim o desonesto, o corrupto, aquele desprovido de lealdade e boa-fé. Precedente do STJ. 2. O conjunto probatório convergente à prática de ato ímprobo deve ser considerado para o seu reconhecimento e eventual condenação. 3. Negado provimento ao recurso de apelação. Na origem, trata-se de ação civil pública por improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia contra Valdeci Elias, visto que o requerido atentou contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência, em razão de que não vinha respondendo aos ofícios encaminhados pela Promotoria de Justiça, ou quando respondia,fazia-o intempestivamente e/ou insuficientemente. Na sentença, julgaram-se procedentes os pedidos. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corteindeferiua reclamação. Na reclamação,Alexandre Eli Carazai, terceiro não participante de lide originária da ação de improbidade, intentado iniciar o cumprimento de sentença daquela com aplicação das penalidades impostas a requerido que indicaausente informação quanto ao andamento que se emprestou àquele inicial requerimento que se fez. Aduz desrespeitada a autoridade do STJ por meio do enunciado da Súmula n. 532, motivo pelo qual a reclamação tem cabimento, com fulcro no art. 988, II, do CPC, e deve ser julgada procedente. Postula o deferimento de tutela de urgência objetivando da decisão à Corte de origem a cumprir a decisão transitada em julgado pela qual condenara o servidor público municipal de São Miguel do Guaporé, senhor Valdeci Elias, por ser medida de inteira justiça. A decisão monocrática tem o seguinte dispositivo: "Com essas breves considerações, indefiro de plano o processamento da presente Reclamação." Interposto agravo interno, a parte agravante traz argumentos contrários aos fundamentos da decisão, nesses termos (fls. 94-95): ..na visão do agravante, o mesmo tem legitimidade ativa para questionar decisão da corte de origem, uma vez que havendo acatamento do seu pedido em corte superior, existe possiblidade concreta de que o mesmo possa assumir a titularidade como vereador no Município de São Miguel do Guaporé, Estado de Rondônia, haja vista ter sido candidato às eleições municipais de 2020, porém não obteve êxito, em razão de inúmeros vícios do processo eleitoral que contaminaram o pleito na origem. A parte agravada foi intimada para apresentar impugnação ao recurso. É relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. RECLAMAÇÃO. SUCEDÂNEO RECURSAL. NÃO CABIMENTO. I - Na origem, trata-se de ação civil pública por improbidade administrativa, ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Rondônia contra oSecretário Municipal de Saúde do Município de São Miguel do Guaporé/RO, visto que o requerido atentou contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência, em razão de que não vinha respondendo aos ofícios encaminhados pela Promotoria de Justiça, ou quando respondia, fazia-o intempestivamente e/ou insuficientemente. Na sentença, julgaram-se procedentes os pedidos. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. Esta Corteindeferiua reclamação. II - A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que a reclamação não tem cabimento como sucedâneo recursal, e seguindo entendimento desta Corte de que tal ação é destinada a preservar a competência do STJ ou garantir a autoridade de suas decisões, não sendo adequada à preservação de sua jurisprudência, mas sim à autoridade de decisão tomada em caso concreto e envolvendo as partes postas no litígio do qual ela é originada, não há que se dar seguimento à presente reclamação. III - A presente reclamação é manifestamente inadmissível e, frise-se, inteligível. IV - É preciso registrar que se acha ela atrelada a feito em suposto andamento junto à Corte de origem, sem qualquer indicação de seu efetivo andamento e, bem assim, se esgotados os meios de impugnação internos, aqui já inobservado o disposto no § 2ºdo art. 988do CPC. V - Propõe o autor a presente reclamação, com nítida feição recursal. Sua função institucional é de preservar a competência do tribunal e garantir a autoridade das suas decisões (art. 105, I, f, da CF e art. 988 e ss. do CPC/2015). Nesse sentido, há iterativa jurisprudência doSuperior Tribunal de Justiça. Transcrevo as seguintes ementas: (AgInt na Rcl n. 39.321/SP, relatorMinistro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 16/6/2020, DJe 23/6/2020 e AgInt na Rcl n. 40.177/SP, relatorMinistro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 29/9/2020, DJe 2/10/2020). VI - A previsão de reclamação constitucional para garantir a autoridade das decisões do tribunal não tem o propósito de amparar pretensões à observância da jurisprudência da Corte, mas servir à garantia da autoridade de decisão proferida no caso concreto envolvendo as mesmas partes. No mesmo sentido: (AgInt na Rcl n. 32.987/MG, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 12/8/2020, DJe 17/8/2020). VII - O autor, ao que consta, ostenta a condição de terceiro de modo que sequer possui legitimidade ativa para pretender dar início ao cumprimento de sentença lançada em ação de improbidade. VIII - Por fim, calha referir que o precedente doSTJ que estaria tendo sua autoridade inobservada não possui qualquer pertinência com o caso mencionado (ação de improbidade) vez que a Súmula n. 532 diz, em verdade, com prática abusiva relativa a envio de cartão de crédito não requerido. IX - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento. A decisão agravada deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, pois aplicou a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, firme no sentido de que a reclamação não tem cabimento como sucedâneo recursal, e seguindo entendimento desta Corte de que tal ação é destinada a preservar a competência do STJ ou garantir a autoridade de suas decisões, não sendo adequada à preservação de sua jurisprudência, mas sim à autoridade de decisão tomada em caso concreto e envolvendo as partes postas no litígio do qual ela é originada, não há que se dar seguimento à presente reclamação. A presente reclamação é manifestamente inadmissível e, frise-se, inteligível. É preciso registrar que se acha ela atrelada a feito em suposto andamento junto à Corte de origem, sem qualquer indicação de seu efetivo andamento e, bem assim, se esgotados os meios de impugnação internos, aqui já inobservado o disposto no § 2ºdo art. 988do CPC. Então, propõe o autor a presente reclamação, com nítida feição recursal. Sua função institucional é de preservar a competência do tribunal e garantir a autoridade das suas decisões (art. 105, I, f, da CF e art. 988 e ss. do CPC/2015). Nesse sentido, há iterativa jurisprudência doSuperior Tribunal de Justiça. Transcrevo as seguintes ementas: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM RECLAMAÇÃO. UTILIZAÇÃO PARA ADEQUAÇÃO AO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. NÃO CABIMENTO. SUCEDÂNEO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 1. Trata-se de Agravo Interno interposto contra decisão monocrática que rejeitou liminarmente a Reclamação. Considerou-se ser assente a compreensão acerca do não cabimento de Reclamação contra o julgado que nega provimento ao Agravo Regimental interposto contra decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial fundada no art. 543-C, § 7º, I, do CPC/1973 (atual art. 1.040, I, do CPC/2015), tendo em vista não estar caracterizada a usurpação da competência do Superior Tribunal de Justiça. 2. A Reclamação não é instrumento útil para adequar as decisões reclamadas aos julgados do STJ proferidos em Recurso Especial repetitivo. Precedentes: AgInt na Rcl 32.939/PR, Rel. Min. Og Fernandes, Primeira Seção, DJe 2.3.2017; AgInt na Rcl 30.616/SE, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, Segunda Seção, DJe 25.6.2019. 3. É claro o intento da agravante de utilizar a Reclamação como sucedâneo recursal, pois busca reformar acórdão proferido pela 11ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que, por ocasião do julgamento dos Embargos de Declaração perante aquela Corte, consignou: "(..) o entendimento desfiado pelo acórdão objeto não afronta a tese firmada no REsp 1.134.186, e as normas inscritas no art. 85, caput e §§ 3º, 5º, 6º e 14 do Código de processo civil, tampouco se mostra omisso, ausentes, pois, defeitos a ensejar recurso declarativo, cuja função própria é a de aclarar obscuridades do dictum do acórdão, ferir questões suscitadas que, indevidamente, se hajam marginado, e retificar contradições internas da sentença hostilizada contudo, supostos dissensos entre o que entendeu o acórdão e o que, na óptica da defesa, deveria ter concluído seja a partir da prova produzida, seja a contar de teses jurídicas, sendo o caso de rejeitar a impugnação aclaratória." 4. O STJ possui compreensão firmada de que a Reclamação é ação de natureza constitucional, que visa preservar a competência desta Corte, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em IRDR e IAC, sendo vedado o seu emprego como sucedâneo recursal. Precedentes: AgInt na Rcl 37.960/RJ, Rel. Min. Regina Helena Costa, Primeira Seção, DJe 19.9.2019; AgInt na Rcl 34.655/DF, Rel. Min. Nancy Andrighi, Segunda Seção, DJe 13.4.2018. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt na Rcl n. 39.321/SP, relatorMinistro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 16/6/2020, DJe 23/6/2020) (grifei). PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. ART. 988, II DO CPC. OFENSA A DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NÃO OCORRÊNCIA. UTILIZAÇÃO COMO SUCEDÂNEO RECURSAL. DESCABIMENTO. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Não é cabível reclamação para se verificar no caso concreto se foram realizadas alienações judiciais em fraude à execução, devendo a parte agravante valer-se dos meios processuais pertinentes. 2. A reclamação não é passível de utilização como sucedâneo recursal, com vistas a discutir o teor da decisão hostilizada. 3. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 40.177/SP, relatorMinistro Luis Felipe Salomão, Segunda Seção, julgado em 29/9/2020, DJe 2/10/2020) (grifei). De mais a mais, a previsão de reclamação constitucional para garantir a autoridade das decisões do tribunal não tem o propósito de amparar pretensões à observância da jurisprudência da Corte, mas servir à garantia da autoridade de decisão proferida no caso concreto envolvendo as mesmas partes. No mesmo sentido: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NA RECLAMAÇÃO. ALEGADO DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO TOMADA EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA REPETITIVA. DESCABIMENTO. 1. A reclamação de que trata a letra f do permissivo constitucional não é via adequada para preservar a "jurisprudência" do STJ, mas, sim, a autoridade de decisão tomada em caso concreto, que envolva as partes postas no litígio do qual oriunda a reclamação. Nesse sentido: AgRg na Rcl 10.864/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 19/3/2015; AgRg na Rcl 18.673/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 21/8/2014. 2. "O cabimento da reclamação calcada na garantia da autoridade das decisões do tribunal (art. 988, II, CPC/2015) surge por ocasião de eventual descumprimento de ordens emanadas desta Corte aplicáveis especificamente para o caso concreto" (AgInt na Rcl 32.938/MS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, SEGUNDA SEÇÃO, DJe 7/3/2017). 3. " A reclamação constitucional não trata de instrumento adequado para o controle da aplicação dos entendimentos firmados pelo STJ em recursos especiais repetitivos" (Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, DJe 6/3/2020). 4. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 32.987/MG, relatorMinistro Sérgio Kukina, Primeira Seção, julgado em 12/8/2020, DJe 17/8/2020.) O autor, ao que consta, ostenta a condição de terceiro de modo que sequer possui legitimidade ativa para pretender dar início ao cumprimento de sentença lançada em ação de improbidade. Por fim, calha referir que o precedente doSTJ que estaria tendo sua autoridade inobservada não possui qualquer pertinência com o caso mencionado (ação de improbidade) vez que a Súmula n. 532 diz, em verdade, com prática abusiva relativa a envio de cartão de crédito não requerido. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.