Rcl 45538 - DECISAO
Havendo decisões do STJ no âmbito do IAC 14 e parâmetros do STF (RE 1.366.243/Tema 1234) determinando que ações sem sentença prolatada relativas a medicamentos não incorporados sejam processadas e julgadas pelo juízo ao qual foram dirigidas, é ilícito que o Tribunal estadual maintivesse a declinação de competência e...
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- Parties
- Autor: parte autora; Réu: MUNICÍPIO DE ALVORADA; Réu: ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Reclamado: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL; Interveniente (parecer): MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 March 2024
- Procedural Posture
- Reclamação (art. 988, Iv, Cpc) / Decisão Na Reclamação Pelo Superior Tribunal De Justiça (confirmação De Liminar E Provimento)
- Outcome
- Dou provimento à reclamação; confirma-se a liminar, cassando-se a decisão reclamada e determinando o prosseguimento do feito no Juízo estadual.
- Legal Topics
- Reclamação, Competência, Incidente De Assunção De Competência (iac), Fornecimento De Medicamentos, Declinação De Competência, Tema 1234, Tema 793, Litisconsórcio Da União
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Parties
parte autora
Autor
MUNICÍPIO DE ALVORADA
Réu
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Réu
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Reclamado
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Interveniente (parecer)
Procedural Posture
Reclamação (art. 988, Iv, Cpc) / Decisão Na Reclamação Pelo Superior Tribunal De Justiça (confirmação De Liminar E Provimento)
Legal Issues
- 1 Descumprimento de decisões proferidas no IAC 14 (Conflitos de Competência 187.276/RS, 187.533/SC e 188.002/SC)
- 2 Competência para ações de fornecimento de medicamentos não incorporados nas políticas públicas mas registrados na ANVISA
- 3 Vedação de declinação de competência ou determinação de inclusão da União no polo passivo em ações sem sentença prolatada, à luz do Tema 1234 do STF
Ratio Decidendi
Havendo decisões do STJ no âmbito do IAC 14 e parâmetros do STF (RE 1.366.243/Tema 1234) determinando que ações sem sentença prolatada relativas a medicamentos não incorporados sejam processadas e julgadas pelo juízo ao qual foram dirigidas, é ilícito que o Tribunal estadual maintivesse a declinação de competência e a inclusão da União no polo passivo após tais decisões; por isso confirmou-se a liminar, cassou-se a decisão reclamada e determinou-se o prosseguimento do feito no juízo estadual de origem.
Court Disposition
Dou provimento à reclamação; confirma-se a liminar, cassando-se a decisão reclamada e determinando o prosseguimento do feito no Juízo estadual.
Orders
- Confirmação da liminar deferida
- Cassação da decisão reclamada
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de reclamação ajuizada com fundamento no art. 988, IV, do Código de Processo Civil, contra decisão proferida pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. A presente reclamação tem origem em ação ajuizada em desfavor do MUNICÍPIO DE ALVORADA e do ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, em que a parte autora objetiva a dispensação dos medicamentos CLOZAPINA e ESCITALOPRAM, necessários ao tratamento de sua saúde. A parte reclamante objetiva garantir a observância do acórdão do Superior Tribunal de Justiça que admitiu o IAC 14 e fixou medidas a serem observadas pelos Juízos de primeira instância, entre elas a de fixação do Juízo estadual para decidir casos urgentes quando houver conflito de competência, e, sobretudo, a observância da questão de ordem que proibiu que os Juízos estaduais tomassem qualquer medida que implicasse declínio de competência. Foi deferida a medida liminar pleiteada às fls. 77/80. Contestação apresentada às fls. 112/118. Parecer do Ministério Público Federal pela procedência da reclamação. É o relatório. A reclamação prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal, bem como no art. 988 do Código de Processo Civil, constitui instrumento processual destinado à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça (inciso I), à garantia da autoridade de suas decisões (inciso II) e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência (inciso IV e § 4º). Do exame dos autos, constato o descumprimento das decisões proferidas nos Conflitos de Competência 187.276/RS, 187.533/SC e 188.002/SC, submetidos à sistemática do incidente de assunção de competência (IAC 14). Isso, porque o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL, ora reclamado, manteve a decisão monocrática que havia determinado a inclusão da União no polo passivo, declinando da competência, em 30/3/2023, após, portanto, o julgamento da questão de ordem suscitada naqueles conflitos de competência, ocorrido em 8/6/2022, em que se determinou aos Juízes estaduais a abstenção de praticar qualquer ato judicial de declinação de competência nas ações relativas à dispensação de tratamento ou de medicamento não incluído nas políticas públicas, mas devidamente registrado na ANVISA, até a resolução do IAC 14/STJ. Consigno que os Conflitos de Competência 187.276/RS, 187.533/SC e 188.002/SC foram julgados na sessão do dia 12/4/2023. Nessa oportunidade, seguindo a orientação do Supremo Tribunal Federal fixada no Tema 793 - afastamento da figura do litisconsórcio compulsório ou necessário da União -, a Primeira Seção do STJ firmou o entendimento de que cabe à parte autora escolher contra qual ente da Federação pretende litigar para obter a medicação e/ou insumos indispensáveis ao tratamento de sua saúde (DJe de 18/4/2023). Dada a relação jurídica de solidariedade entre os entes da Federação, a Primeira Seção entendeu que não cabe ao magistrado determinar a inclusão da União no feito, mas apenas redirecionar a execução da medida judicial ao ente responsável pelo fornecimento da medicação/insumo; ou determinar o ressarcimento do ente que suportou o ônus financeiro. Assim, concluiu que, não tendo sido ajuizada a demanda com a inclusão da União no polo passivo, permanece a competência da Justiça estadual para o processamento e julgamento do feito. A respeito do tema aqui tratado, destaco que, em 17/4/2023, nos autos do RE 1.366.243/SC, submetido ao regime de repercussão geral (Tema 1.234), o STF, ao apreciar pedido de tutela provisória incidental, deferiu parcialmente a cautelar para estabelecer a adoção dos seguintes parâmetros até o julgamento definitivo da questão, nos seguintes termos: Ante o exposto, defiro em parte o pedido incidental de tutela provisória formulado pelo CONPEG, com fundamento no art. 300 do Código de Processo Civil, para estabelecer que, até o julgamento definitivo do Tema 1234 da Repercussão Geral, a atuação do Poder Judiciário seja regida pelos seguintes parâmetros: (i) nas demandas judiciais envolvendo medicamentos ou tratamentos padronizados: a composição do polo passivo deve observar a repartição de responsabilidades estruturada no Sistema Único de Saúde, ainda que isso implique deslocamento de competência, cabendo ao magistrado verificar a correta formação da relação processual, sem prejuízo da concessão de provimento de natureza cautelar ainda que antes do deslocamento de competência, se o caso assim exigir; (ii) nas demandas judiciais relativas a medicamentos não incorporados: devem ser processadas e julgadas pelo Juízo, estadual ou federal, ao qual foram direcionadas pelo cidadão, sendo vedada, até o julgamento definitivo do Tema 1234 da Repercussão Geral, a declinação da competência ou determinação de inclusão da União no polo passivo; (iii) diante da necessidade de evitar cenário de insegurança jurídica, esses parâmetros devem ser observados pelos processos sem sentença prolatada; diferentemente, os processos com sentença prolatada até a data desta decisão (17 de abril de 2023) devem permanecer no ramo da Justiça do magistrado sentenciante até o trânsito em julgado e respectiva execução (adotei essa regra de julgamento em: RE 960429 ED-segundos Tema 992, de minha relatoria, DJe de 5.2.2021); (iv) ficam mantidas as demais determinações contidas na decisão de suspensão nacional de processos na fase de recursos especial e extraordinário. (RE n. 1.366.243 TPI/SC, relator Ministro Gilmar Mendes, decisão confirmada pelo Tribunal Pleno, sessão virtual extraordinária de 18/4/2023, julgado em 19/4/2023, DJe de 25/4/2023.) Considerando a decisão da Suprema Corte de que as ações sem sentença prolatada devem ser processadas e julgadas pelo juízo ao qual foram direcionadas pelo cidadão, o processo que deu ensejo à presente reclamação deve permanecer na Justiça estadual. Ante o exposto, nos termos do art. 34, XVIII, c/c o art. 191, ambos do Regimento Interno do STJ, confirmo a liminar deferida e dou provimento à presente reclamação para determinar a cassação da decisão reclamada e o prosseguimento do feito no Juízo estadual. Publique-se. Intimações necessárias. Comunique-se. EMENTA