AREsp 1708513 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente, não havendo omissão a justificar o manejo do art. 1.022; a reclamação não é o meio adequado para fazer observar precedente oriundo de recurso especial repetitivo nos termos da jurisprudência...
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- Parties
- Agravante: Espólio de Osvaldo Le Fosse
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça, Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Reclamação, Recursos Repetitivos, Embargos De Declaração, Prequestionamento, Tema 886 Do STJ, Multa Por Segundos Embargos De Declaração, Coisa Julgada, Prescrição, Ilegitimidade De Parte
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Parties
Espólio de Osvaldo Le Fosse
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão No Superior Tribunal De Justiça, Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 cabimento da reclamação para fazer observar recurso especial representativo da controvérsia
- 2 alegada omissão do acórdão (art. 1.022 CPC/2015)
- 3 aplicação do Tema 886 do STJ
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o acórdão recorrido continha fundamentação suficiente, não havendo omissão a justificar o manejo do art. 1.022; a reclamação não é o meio adequado para fazer observar precedente oriundo de recurso especial repetitivo nos termos da jurisprudência da Corte Especial e da alteração legislativa; e a multa imposta nos segundos embargos de declaração é mantida pela jurisprudência do STJ, não sendo possível retirar a sanção com reexame em recurso especial.
Court Disposition
Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
Orders
- Acórdão recorrido confirmado
- Deixo de majorar a verba honorária sucumbencial na forma do art. 85, §11, do CPC/2015
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial desafiando decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo espólio de OSVALDO LE FOSSE com fundamento no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado (e-STJ Fl.128): "Reclamação. Hipótese fática que não se insere naquelas previstas no artigo 988, do CPC. Matérias já arguidas e decididas anteriormente. Reclamações improcedentes." Os primeiros embargos de declaração opostos foram rejeitados. Os segundos embargos de declaração opostos foram rejeitados com aplicação de multa. Nas razões do recurso especial, sustenta a parte recorrente, ora agravante, que o Tribunal a quo negou vigência ao art. 1.022, I e II, do CPC/2015, pois se mostrou omisso quanto: (i) à coisa julgada; (ii) ausência de citação da pessoa jurídica UNIMOV nos autos de ação de cobrança; (iii) prescrição da pretensão executiva; (iv) nomeação de curador especial ao réu citado por edital; (v) adequação ao Tema 886 do STJ; (vi) ilegitimidade de parte. Sustenta, ainda, que o Tribunal a quo negou vigência aos arts. 927, III, 988, II, IV, do CPC/2015, na medida em que não adequou o acórdão ao Tema 886 do STJ. Obtempera que o Tribunal a quo negou vigência ao art. 1.026, § 2º, do CPC/2015, ao lhe impor multa processual no âmbito dos segundos embargos de declaração, os quais tinham o condão de prequestionar o art. 927, III, do CPC/2015. As contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas a fls. 404/430. O referido recurso especial não foi admitido por se entender incidente na espécie a Súmula 7/STJ. Daí porque foi interposto o presente recurso. A seguir, vieram os autos conclusos a este Relator. É o relatório. Passo a decidir. O recurso especial é oriundo de duas reclamações apresentadas pelo espólio de Oswaldo Le Fosse, arguindo descumprimento dos acórdãos da Apelação nº 0155360-41.2008.8.26.0100 e do Agravo de Instrumento nº 1.122.196-0/3, pretendendo, ainda, a observância do Tema 886 do STJ, com a consequente determinação de suspensão da ordem de expedição da carta de arrematação. O pedido de efeito suspensivo foi deferido na primeira reclamação, a fim de obstar a expedição de carta de arrematação até a apreciação das informações colhidos do juízo de primeiro grau; quanto à segunda reclamação, determinou-se o apensamento dos processos, para decisão conjunta, considerando a identidade de objetos. O Tribunal a quo reconheceu a improcedência da reclamação que se volta contra o desfecho da execução de sentença que julgou procedente ação de cobrança de despesas condominiais, no bojo da qual se penhorou imóvel onde recaem as dívidas e que foi comprado pelo reclamante, ora agravante. De início, não prospera a alegada ofensa ao art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, tendo em vista que o v. acórdão recorrido dirimiu a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se expressamente acerca dos temas necessários à solução da lide, dessa forma, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. É indevido conjecturar-se acerca da deficiência de fundamentação ou da existência de omissão, de obscuridade ou de contradição no julgado apenas porque decidido em desconformidade com os interesses da parte. No mesmo sentido, podem ser mencionados os seguintes julgados: AgInt no AREsp 1621374/PR, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 22/06/2020, DJe 25/06/2020; AgInt no AREsp 1595385/MT, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em 08/06/2020, DJe 12/06/2020; AgInt no AgInt no AREsp 1598925/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 11/05/2020, DJe 25/05/2020; AgInt nos EDcl no REsp 1812571/SP, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 10/03/2020, DJe 16/03/2020; AgInt no AREsp 1534532/SP, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA TURMA, julgado em 08/06/2020, DJe 15/06/2020; AgInt nos EDcl no AREsp 1374195/DF, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 18/05/2020, DJe 25/05/2020. Relativamente ao cabimento da reclamação para fazer o Tribunal a quo observar recurso especial representativo da controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça, por intermédio da Corte Especial, decidiu, por maioria, o não cabimento do instrumento processual para a pretendida finalidade. Confira-se a ementa do precedente: "RECLAMAÇÃO. RECURSO ESPECIAL AO QUAL O TRIBUNAL DE ORIGEM NEGOU SEGUIMENTO, COM FUNDAMENTO NA CONFORMIDADE ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM RECURSO ESPECIAL REPETITIVO (RESP 1.301.989/RS - TEMA 658). INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO INTERNO NO TRIBUNAL LOCAL. DESPROVIMENTO. RECLAMAÇÃO QUE SUSTENTA A INDEVIDA APLICAÇÃO DA TESE, POR SE TRATAR DE HIPÓTESE FÁTICA DISTINTA. DESCABIMENTO. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. 1. Cuida-se de reclamação ajuizada contra acórdão do TJ/SP que, em sede de agravo interno, manteve a decisão que negou seguimento ao recurso especial interposto pelos reclamantes, em razão da conformidade do acórdão recorrido com o entendimento firmado pelo STJ no REsp 1.301.989/RS, julgado sob o regime dos recursos especiais repetitivos (Tema 658). 2. Em sua redação original, o art. 988, IV, do CPC/2015 previa o cabimento de reclamação para garantir a observância de precedente proferido em julgamento de "casos repetitivos", os quais, conforme o disposto no art. 928 do Código, abrangem o incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR) e os recursos especial e extraordinário repetitivos. 3. Todavia, ainda no período de vacatio legis do CPC/15, o art. 988, IV, foi modificado pela Lei 13.256/2016: a anterior previsão de reclamação para garantir a observância de precedente oriundo de "casos repetitivos" foi excluída, passando a constar, nas hipóteses de cabimento, apenas o precedente oriundo de IRDR, que é espécie daquele. 4. Houve, portanto, a supressão do cabimento da reclamação para a observância de acórdão proferido em recursos especial e extraordinário repetitivos, em que pese a mesma Lei 13.256/2016, paradoxalmente, tenha acrescentado um pressuposto de admissibilidade - consistente no esgotamento das instâncias ordinárias - à hipótese que acabara de excluir. 5. Sob um aspecto topológico, à luz do disposto no art. 11 da LC 95/98, não há coerência e lógica em se afirmar que o parágrafo 5º, II, do art. 988 do CPC, com a redação dada pela Lei 13.256/2016, veicularia uma nova hipótese de cabimento da reclamação. Estas hipóteses foram elencadas pelos incisos do caput, sendo que, por outro lado, o parágrafo se inicia, ele próprio, anunciando que trataria de situações de inadmissibilidade da reclamação. 6. De outro turno, a investigação do contexto jurídico-político em que editada a Lei 13.256/2016 revela que, dentre outras questões, a norma efetivamente visou ao fim da reclamação dirigida ao STJ e ao STF para o controle da aplicação dos acórdãos sobre questões repetitivas, tratando-se de opção de política judiciária para desafogar os trabalhos nas Cortes de superposição. 7. Outrossim, a admissão da reclamação na hipótese em comento atenta contra a finalidade da instituição do regime dos recursos especiais repetitivos, que surgiu como mecanismo de racionalização da prestação jurisdicional do STJ, perante o fenômeno social da massificação dos litígios. 8. Nesse regime, o STJ se desincumbe de seu múnus constitucional definindo, por uma vez, mediante julgamento por amostragem, a interpretação da Lei federal que deve ser obrigatoriamente observada pelas instâncias ordinárias. Uma vez uniformizado o direito, é dos juízes e Tribunais locais a incumbência de aplicação individualizada da tese jurídica em cada caso concreto. 9. Em tal sistemática, a aplicação em concreto do precedente não está imune à revisão, que se dá na via recursal ordinária, até eventualmente culminar no julgamento, no âmbito do Tribunal local, do agravo interno de que trata o art. 1.030, § 2º, do CPC/15. 10. Petição inicial da reclamação indeferida, com a extinção do processo sem resolução do mérito." (Rcl 36.476/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em 05/02/2020, DJe de 06/03/2020) Por fim, quanto à multa aplicada no âmbito dos segundos embargos de declaração, melhor sorte não acolhe o ora agravante, na medida em que, consoante a orientação do Superior Tribunal de Justiça, os segundos embargos de declaração são servíveis ao complemento do acórdão proferido nos primeiros embargos de declaração, e não ao complemento do acórdão da apelação, objeto dos primeiros embargos de declaração. Por isso que a multa não é retirável. A propósito: "AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - AUTOS DE AGRAVO DE INSTRUMENTO NA ORIGEM - DECISÃO MONOCRÁTICA QUE NEGOU PROVIMENTO AO RECLAMO. INSURGÊNCIA RECURSAL DA AGRAVANTE. 1. Na hipótese dos autos, o Tribunal de origem, com base nas provas carreadas aos autos, concluiu estarem presentes os requisitos autorizadores da antecipação de tutela. Alterar tal conclusão, proferida em juízo provisório, demandaria o reexame de fatos e provas, providência vedada em sede de recurso especial. Incidência das Súmulas 735/STF e 7/STJ. 1.1. Nos termos da jurisprudência desta Corte, apenas violação direta ao dispositivo legal que disciplina o deferimento da medida autorizaria o cabimento do recurso especial, no qual não é possível decidir a respeito da interpretação dos preceitos legais que dizem respeito ao mérito da causa. Precedentes. 2. Segundo o entendimento jurisprudencial do STJ, não é possível, em recurso especial, afastar a multa sancionatória aplicada pela interposição de segundos embargos de declaração com a reprodução de argumentos examinados e rejeitados nos primeiros embargos de declaração. Aplicação da Súmula 83/STJ. 3. Agravo interno desprovido." (AgInt no AREsp 2.427.275/RJ, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 04/03/2024, DJe de 07/03/2024) Dessa forma, entende-se que o acórdão recorrido deve ser confirmado pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Deixo de majorar a verba honorária sucumbencial na forma do art. 85, §11, do CPC/2015, pois não fixada pela instância ordinária. Publique-se. EMENTA