Rcl 47366 - DECISAO
A reclamação é inadmissível porque foi proposta contra decisão do Juizado Especial Cível sem que estivessem esgotadas as instâncias ordinárias, nos termos do art. 988, § 5º, II, do CPC, de modo que o Tribunal não conhece da reclamação e prejudica o pedido de efeito suspensivo.
Source-derived case information.
- Parties
- Reclamante: NELMA LUSIA VIEIRA LIMA BONUTTI; Autoridade Reclamada: Juizado Especial Cível da Comarca de Mirassol
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 April 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- não conheço da reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Esgotamento Das Instâncias Ordinárias, Observância De Acórdão, Ilegitimidade Passiva
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NELMA LUSIA VIEIRA LIMA BONUTTI
Reclamante
Juizado Especial Cível da Comarca de Mirassol
Autoridade Reclamada
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Admissibilidade da reclamação prevista no art. 988 do CPC
- 2 Exigência de esgotamento das instâncias ordinárias para reclamação destinada a garantir acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos
- 3 Reconhecimento de ilegitimidade passiva pelo Juizado Especial Cível
Ratio Decidendi
A reclamação é inadmissível porque foi proposta contra decisão do Juizado Especial Cível sem que estivessem esgotadas as instâncias ordinárias, nos termos do art. 988, § 5º, II, do CPC, de modo que o Tribunal não conhece da reclamação e prejudica o pedido de efeito suspensivo.
Court Disposition
não conheço da reclamação
Orders
- Prejudicado o pedido de efeito suspensivo.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação, com pedido de efeito suspensivo, ajuizada por NELMA LUSIA VIEIRA LIMA BONUTTI, com fundamento no art. 988, II e IV, do Código de Processo Civil (CPC), contra a sentença proferida pelo Juizado Especial Cível da Comarca de Mirassol. A parte reclamante sustenta que a ação de obrigação de fazer foi extinta em razão do reconhecimento da ilegitimidade passiva da instituição financeira, em contrariedade ao Tema 1.150 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Requer, ao final, a suspensão do curso do processo de origem. É o breve relatório. A pretensão não merece prosperar. A reclamação, prevista no art. 105, I, f, da Constituição Federal (CF), bem como no art. 988, do Código de Processo Civil (CPC), é incidente processual destinado à preservação da competência do Superior Tribunal de Justiça, à garantia da autoridade de suas decisões e à observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. A redação do § 5º, II, do art. 988 do CPC, contudo, dispõe que será inadmissível a reclamação quando proposta para garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias. No caso em questão, verifico que a reclamante se insurge contra sentença proferida pelo Juizado Especial Cível da Comarca de Mirassol, o que torna a presente via inadequada, porquanto não esgotada a instância ordinária . Nesse sentido, cito o seguinte julgado deste Tribunal: PROCESSUAL CIVIL E CONSTITUCIONAL. RECLAMAÇÃO NATUREZA JURÍDICA. UTILIZAÇÃO SIMULTÂNEA COM RECURSO CABÍVEL. POSSIBILIDADE. DECISÃO DO STJ. DESRESPEITO. OCORRÊNCIA. 1. Após o novo Código de Processo Civil, a doutrina e a jurisprudência passaram a entender que a reclamação possui natureza de ação de índole constitucional, e não de recurso ou incidente processual. 2. Por não ter natureza jurídica de recurso, não se aplica à reclamação o óbice relativo ao princípio da unirrecorribilidade, não tendo como impedir a interposição concomitante de recurso, pois não há interrupção do prazo. 3. Nos termos do art. 988, § 5º, I, do CPC/2015, é inadmissível a reclamação "proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada". 4. Dispõe a Súmula 734 do STF que não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato que se alega tenha desrespeitado a decisão objeto da reclamação, de modo que não há impedimento legal para que a via seja utilizada na pendência de recurso interposto oportunamente. 5. O art. 7º da Lei 11.417/2006, que trata das súmulas vinculantes do STF, dispõe que a utilização da reclamação não prejudica a interposição de recursos ou outros meios de impugnação, o que confirma a possibilidade de essas espécies de irresignação existirem simultaneamente. 6. O esgotamento das instâncias ordinárias somente é exigido para a reclamação "proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos" (art. 988, § 5º, II, do CPC/2015). 7. Nos termos do art. 105, I, "f", da CF, c/c o art. 988 do CPC/2015, e do art. 187 do RISTJ, cabe reclamação da parte interessada para preservar a competência do Tribunal, para garantir a autoridade das suas decisões, para observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do STF em controle concentrado de constitucionalidade e para observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência. 8. O STJ, no julgamento do agravo de instrumento em recurso especial objeto da reclamação - interposto nos autos de ação coletiva ajuizada por Sindicato Nacional - deu provimento ao apelo nobre, oportunidade em que os pedidos iniciais foram julgados procedentes, havendo o registro de que os efeitos da decisão proferida abrangeria todos os substituídos domiciliados no território nacional. 9. A autoridade reclamada, em desrespeito ao anteriormente decidido pelo STJ, reconheceu a ilegitimidade da parte reclamante para promover o cumprimento de sentença em razão da equivocada limitação subjetiva existente na sentença de primeiro grau proferida no processo originário (que já tinha sido reformada no julgamento da apelação). 10. Provido o recurso especial, nos moldes do disposto no art. 512 do CPC/1973 (vigente à época da prolação do aresto), deve prevalecer a decisão proferida pelo órgão superior, em face do efeito substitutivo do recurso. 11. Reclamação julgada procedente, confirmando-se a liminar anteriormente deferida. (Rcl n. 44.172/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, julgado em 8/11/2023, DJe de 14/12/2023 - sem destaques no original.) Ante o exposto, com fundamento no art. 34, XVIII, a, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça (RISTJ), não conheço da presente reclamação. Prejudicado o pedido de efeito suspensivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA