Rcl 47452 - DECISAO
Não conhecer da reclamação por inadmissibilidade em razão da ausência de esgotamento das instâncias ordinárias quando o pedido está fundamentado na garantia da observância de acórdão proferido em incidente de resolução de demandas repetitivas, sendo a matéria ainda pendente de cognição exauriente e sem decisão...
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- Parties
- Reclamante: GERALDO RAMOS DE MIRANDA JUNIOR; Órgão Reclamado: 28ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 21 May 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Não conheço da reclamação.
- Legal Topics
- Reclamação, Incidente De Resolução De Demandas Repetitivas, Exaurimento Das Instâncias Ordinárias, Tutela Provisória
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Parties
GERALDO RAMOS DE MIRANDA JUNIOR
Reclamante
28ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo
Órgão Reclamado
Procedural Posture
Reclamação / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Admissibilidade da reclamação fundada na garantia da observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas quando não esgotadas as instâncias ordinárias
- 2 Aplicação do Tema 699/STJ apontada pelo reclamante versus necessidade de cognição exauriente e decisão definitiva
Ratio Decidendi
Não conhecer da reclamação por inadmissibilidade em razão da ausência de esgotamento das instâncias ordinárias quando o pedido está fundamentado na garantia da observância de acórdão proferido em incidente de resolução de demandas repetitivas, sendo a matéria ainda pendente de cognição exauriente e sem decisão definitiva, conforme art. 988 do CPC/2015 e art. 187 do RISTJ.
Court Disposition
Não conheço da reclamação.
Orders
- Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Em análise, Reclamação proposta por GERALDO RAMOS DE MIRANDA JUNIOR com fundamento no art. 105, I, f, da Constituição Federal e art. 988, IV, do CPC/2015 contra acórdão proferido pela 28ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo. O reclamante aduz, em síntese, que a decisão proferida no Tribunal de origem desafia matéria pacificada neste Superior Tribunal de Justiça no tema repetitivo n. 699, pois revogou a liminar concedida em primeira instância sob o fundamento de que a alteração do relógio medidor foi constatada por perito criminal do instituto de criminalística e que a parte recorrente propôs ação mais de seis meses após a inspeção. Aduz que não foram observados os critérios determinados no repetitivo para que o corte no fornecimento do serviço de energia elétrica pudesse ser realizado, e argumenta prejulgamento sem oportunizar o devido processo legal, além do receio do corte do fornecimento de energia elétrica. Pede a concessão de tutela provisória de urgência e, ao final, a procedência do pedido. É o relatório. Passo a decidir. Cotejando os autos, verifico ser o caso de não conhecer da presente reclamação. Dispõe o CPC/2015: Art. 988. Caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público para: I - preservar a competência do tribunal; II - garantir a autoridade das decisões do tribunal; III - garantir a observância de enunciado de súmula vinculante e de decisão do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) IV - garantir a observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) § 1º A reclamação pode ser proposta perante qualquer tribunal, e seu julgamento compete ao órgão jurisdicional cuja competência se busca preservar ou cuja autoridade se pretenda garantir. § 2º A reclamação deverá ser instruída com prova documental e dirigida ao presidente do tribunal. § 3º Assim que recebida, a reclamação será autuada e distribuída ao relator do processo principal, sempre que possível. § 4º As hipóteses dos incisos III e IV compreendem a aplicação indevida da tese jurídica e sua não aplicação aos casos que a ela correspondam. § 5º É inadmissível a reclamação: (Redação dada pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) I - proposta após o trânsito em julgado da decisão reclamada; (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) II - proposta para garantir a observância de acórdão de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida ou de acórdão proferido em julgamento de recursos extraordinário ou especial repetitivos, quando não esgotadas as instâncias ordinárias. (Incluído pela Lei nº 13.256, de 2016) (Vigência) § 6º A inadmissibilidade ou o julgamento do recurso interposto contra a decisão proferida pelo órgão reclamado não prejudica a reclamação. Também regulamenta o RISTJ: Art. 187. Para preservar a competência do Tribunal, garantir a autoridade de suas decisões e a observância de julgamento proferido em incidente de assunção de competência, caberá reclamação da parte interessada ou do Ministério Público desde que, na primeira hipótese, haja esgotado a instância ordinária. Conforme se depreende, havendo carência de esgotamento das instâncias ordinárias nos casos em que o pedido estiver fundamentado na garantia da observância de acórdão proferido em julgamento de incidente de resolução de demandas repetitivas ou de incidente de assunção de competência, é inadmissível a reclamação. No caso, o reclamante alega afronta ao tema 699/STJ no julgamento do agravo de instrumento interposto para analisar concessão de tutela antecipada em caráter antecedente, no qual o acórdão registra conclusão pelo indeferimento do pedido. Não há nos autos decisão definitiva da lide. Logo, a matéria posta ainda está pendente de cognição exauriente e de esgotamento das instâncias ordinárias, o que consubstancia a inadmissão da presente reclamação. Sobre isso, já decidiu este Superior Tribunal de Justiça: RECLAMAÇÃO CONSTITUCIONAL. INOBSERVÂNCIA A ACÓRDÃO PROFERIDO EM INCIDENTE DE ASSUNÇÃO DE COMPETÊNCIA. EXAURIMENTO DE INSTÂNCIA. DESNECESSIDADE. DECISÃO RECLAMADA SUBSTITUÍDA POR SUPERVENIENTE SENTENÇA. PERDA DE OBJETO. NÃO OCORRÊNCIA. PRETENSÃO DE RESTABELECIMENTO DO REGRAMENTO DE BENEFÍCIO DE SAÚDE PREVISTO EM ACORDO COLETIVO DE TRABALHO ANTECEDENTE. MODALIDADE AUTOGESTÃO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. IAC N. 5 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. PROCEDÊNCIA DA RECLAMAÇÃO. 1. O objeto da presente demanda consiste em definir se o Juízo reclamado descumpriu acórdão do Superior Tribunal de Justiça proferido no Incidente de Assunção de Competência n. 5 (REsp n. 1.799.343/SP), ao afastar a competência da Justiça do Trabalho para o julgamento da ação proposta pelos ora interessados, em que a discussão ressoa na validade de Acordo Coletivo de Trabalho - ACT que alterou os benefícios relativos a auxílio à saúde fornecido anteriormente na modalidade autogestão. 2. Nas reclamações direcionadas a este Tribunal Superior, o exaurimento das instâncias ordinárias constitui pressuposto ao seu conhecimento apenas quando proposta com a finalidade de preservar a competência do Tribunal, nos termos do que se depreende dos arts. 988 do CPC/2015 e 187 do RISTJ. 3. A superveniência de sentença, ainda que substitutiva da decisão interlocutória reclamada, não acarreta a perda ulterior de objeto da reclamação cuja controvérsia reside na análise da competência do Juízo reclamado, pois, tratando-se de questão preliminar cujo exame precede ao de mérito, o resultado da reclamação influi diretamente no julgamento do feito, possuindo o condão de invalidar a sentença em razão da incompetência do Juízo sentenciante. 4. A tese vinculante do Superior Tribunal de Justiça relativa ao IAC n. 5 (REsp n. 1.799.343/SP), indicada pela reclamante como descumprida pelo Juízo reclamado, está assim redigida: "compete à Justiça comum julgar as demandas relativas a plano de saúde de autogestão empresarial, exceto quando o benefício for regulado em contrato de trabalho, convenção ou acordo coletivo, hipótese em que a competência será da Justiça do Trabalho, ainda que figure como parte trabalhador aposentado ou dependente do trabalhador". 5. Na hipótese, da análise da petição inicial da ação originária, verifica-se que a pretensão precípua dos autores (aposentados da reclamante) é a manutenção do regramento do benefício de saúde anterior concedido mediante Acordo Coletivo de Trabalho e oferecido através de plano na modalidade autogestão, sobretudo em virtude de supostas ilegalidades constantes do auxílio à saúde que entraria em vigor à época do ajuizamento da ação, em decorrência do novo Acordo Coletivo de Trabalho. 6. O fato de o auxílio à saúde - fornecido mediante indenização pela reclamante - ter entrado em vigência logo após a propositura da demanda originária não desnatura todo o conjunto petitório (causa de pedir e pedido) formulado pelos autores, que é hialino a respeito da pretensão, notadamente, de manutenção do regramento relativo ao sistema de autogestão, o qual é utilizado, inclusive, como parâmetro para aventar a ilegalidade do método estabelecido no novo ACT. 7. Portanto, estando os pedidos da ação originária estritamente vinculados a acordos coletivos de trabalho, com pedido primordial de restabelecimento do regramento anterior do benefício de plano de saúde de autogestão - fornecido pela empregadora mediante ACT -, sobressai competente a Justiça do Trabalho para o julgamento da demanda, tal como definido no IAC n. 5 do Superior Tribunal de Justiça. 8. Reclamação julgada procedente. (Rcl n. 40.617/GO, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 24/8/2022, DJe de 26/8/2022.) Isso posto, não conheço da reclamação. Intimem-se. EMENTA