Rcl 47584 - DECISAO
A reclamação foi indeferida liminarmente porque foi utilizada como sucedâneo recursal para adequar o julgado à jurisprudência do STJ; reclamação não é meio adequado para controle, no caso concreto, de aplicação de tese repetitiva ou para substituir recurso contra decisão que não conheceu do agravo com fundamento no...
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- Parties
- Reclamante: ELAINE DE MORAES NARDY; Reclamada: 3ª Turma Recursal Mista do Juizado Especial da Comarca de Campo Grande-MS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 June 2024
- Procedural Posture
- Reclamação / Liminar Indeferida
- Outcome
- Indeferida liminarmente a reclamação
- Legal Topics
- Reclamação, Inadmissibilidade, Agravo Interno, Súmulas 297 E 479, Repetitivo E Controle De Tese, Responsabilidade Por Fraude/consignado
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Parties
ELAINE DE MORAES NARDY
Reclamante
3ª Turma Recursal Mista do Juizado Especial da Comarca de Campo Grande-MS
Reclamada
Procedural Posture
Reclamação / Liminar Indeferida
Legal Issues
- 1 cabimento de reclamação para preservar competência do STJ
- 2 uso da reclamação como sucedâneo recursal
- 3 inadmissibilidade de reclamação contra decisão que não conhece do agravo com fundamento no art. 1.030, I, do CPC/2015
Ratio Decidendi
A reclamação foi indeferida liminarmente porque foi utilizada como sucedâneo recursal para adequar o julgado à jurisprudência do STJ; reclamação não é meio adequado para controle, no caso concreto, de aplicação de tese repetitiva ou para substituir recurso contra decisão que não conheceu do agravo com fundamento no art. 1.030, I, do CPC/2015; precedentes e regras regimentais reforçam a inadmissibilidade.
Court Disposition
Indeferida liminarmente a reclamação
Orders
- Indefiro liminarmente a reclamação
- Fica prejudicado o pedido de liminar
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de reclamação ajuizada por ELAINE DE MORAES NARDY com fundamento no art. 988, I, do CPC/2015, apontando como reclamada a 3ª Turma Recursal Mista do Juizado Especial da Comarca de Campo Grande-MS. Informa que foi vítima de golpe, porquanto recebeu ligação de alguém fazendo-se passar por preposto do Banco Pan, ocasião em que foi realizado um empréstimo consignado no valor de R$ 15.569.90, não autorizado pela Reclamante. Afirma que entrou em contato com a instituição financeira para denunciar que não havia contratado nenhum empréstimo, devolvendo o valor. Aviou ação declaratória de inexistência de débito com repetição do indébito. Contudo, contrariando entendimento jurisprudencial desta Corte, tanto o Juiz como a Turma Recursal entenderam que a ação era improcedente, fato que contrariou a Súmula n. 479 do STJ. Requer, ao final, a procedência da ação para que seja "cassado o acórdão exorbitante, com a prolação de nova decisão, adequando à solução da controvérsia em observância às Súmulas 297 e 479 do STJ para condenar o Banco Pan solidariamente, com imediato cumprimento da decisão, nos termos dos Arts. 992 e 993 do CPC/15". É o relatório. Decido. A presente reclamação se mostra descabida, porquanto é muito claro que a reclamante a utilizada como sucedâneo recursal, uma vez que seus fundamentos estão sustentados em que se observe a responsabilidade do Banco Pan por falha na prestação de serviços. Nada obstante, a reclamação é destinada a preservar a competência do STJ ou a garantir a autoridade de suas decisões, não sendo adequada à preservação de sua jurisprudência, mas sim à autoridade de decisão tomada em caso concreto e envolvendo as partes postas no litígio do qual ela é originada. GRAVO INTERNO. RECLAMAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONTRA DECISÃO QUE INADMITIU O APELO NOBRE COM BASE NO ART. 1.030, I, DO CPC/15. INADMISSIBILIDADE. ADEQUAÇÃO DO JULGADO IMPUGNADO À JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA. DESCABIMENTO. CONTROLE DA APLICAÇÃO, NO CASO CONCRETO, DE TESE REPETITIVA FIRMADA PELO STJ. INADMISSIBILIDADE. MULTA. NÃO APLICAÇÃO. 1. Não cabe reclamação contra a decisão do Tribunal de origem que não conhece do agravo fundado no art. 1.042 do CPC/2015, interposto contra decisão que negou seguimento a recurso especial com fundamento no art. 1.030, I, do CPC/2015. 2. É incabível o manejo da reclamação como sucedâneo recursal, com vistas a adequar o julgado impugnado à jurisprudência do STJ, mesmo que consolidada em súmula. Precedentes. 3. Consoante definido pela Corte Especial na Rcl 36.476/SP, não é cabível o ajuizamento de reclamação com vistas ao controle da aplicação, no caso concreto, de tese firmada pelo STJ em recurso especial repetitivo. 4. Em relação à multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/15, esta Corte possui firme entendimento no sentido de que a referida multa não constitui consequência automática do não conhecimento ou do desprovimento unânime do agravo interno. 5. Agravo interno não provido. (AgInt na Rcl n. 42.586/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Segunda Seção, julgado em 15/3/2022, DJe de 17/3/2022.) Ademais, com o advento da Emenda Regimental n. 22 do STJ, de 16/03/2016, ficou revogada a Resolução/STJ n. 12/2009, que dispunha sobre o processamento, no Superior Tribunal de Justiça, das reclamações destinadas a dirimir divergência entre acórdão prolatado por Turma Recursal Estadual e a jurisprudência desta Corte. Ante o exposto, indefiro liminarmente a reclamação, ficando prejudicado o pedido de liminar. Publique-se. Intimem-se. EMENTA